Dr. Edgar Garcez, presidente do CFBM, no 9° ConexCidades: 'O gestor público não conhece o potencial do biomédico dentro da própria prefeitura'

Para cada real investido em laboratório, o município economiza oito em antibióticos: a conta que o CFBM quer ensinar aos prefeitos

Campos do Jordão, 16 de junho de 2026. São 180 mil profissionais espalhados por todo o Brasil, com mais de 30 habilitações diferentes, prontos para atuar em laboratórios, UPAs, UBSs, serviços de imagem, vacinação e diagnóstico.

Mas a maioria dos gestores públicos ainda desconhece o potencial que a biomedicina oferece aos municípios. Foi para mudar esse cenário que o Conselho Federal de Biomedicina (CFBM) marcou presença pela terceira vez no 9º Conexidades, em Campos do Jordão.

"É um grande painel de negócios, em que você aproxima o gestor, os prestadores e serviços. E muitas vezes a gente é inquirido: por que um conselho de profissão regulamentada num painel desse? "Porque, por trás da prestação de serviço, sempre tem um profissional", afirmou o presidente do CFBM, Dr. Edgar Garcez Júnior, em entrevista exclusiva ao Jornal da República.

45 anos de regulamentação e uma nova missão.

Criado pela Lei 6.684, de 3 de setembro de 1979, o Conselho Federal de Biomedicina completa 45 anos de atividade formal em 2026.

Mas a profissão começou antes: a biomedicina surgiu no Brasil em 1966, para suprir a deficiência de educadores na área da saúde, e desde então passou por sucessivas ampliações curriculares que a consolidaram como uma das áreas mais versáteis do setor.

O Brasil reúne hoje mais de 180 mil biomédicos, que podem exercer mais de 30 habilitações — de análises clínicas a diagnóstico por imagem, de bancos de sangue a reprodução assistida, de genética a saúde estética.

As mulheres representam 83% dos profissionais registrados, segundo dados do próprio CFBM, um dos maiores índices de participação feminina entre as profissões da saúde no país.

"Já são 45 anos devolvendo à sociedade a proteção e, acima de tudo, agora devolvendo melhores serviços, maiores compromissos com a saúde pública", disse Garcez Júnior.

A conta que não fecha: o gasto com antibióticos.

O presidente do CFBM trouxe ao Conexidades um exemplo concreto do potencial desperdiçado pela falta de integração entre a biomedicina e a gestão municipal. O dado impressiona: a cada real investido em laboratório clínico, o município economiza oito reais em antibióticos.

"Vamos supor que o munícipe esteja gastando muito com antibiótico. Muitas vezes consome antibiótico de forma desnecessária.

É possível fazer um trabalho, desde que o gestor indique isso ao conselho. "Se faz um investimento no laboratório clínico, para cada real investido, você economiza oito de antibiótico", explicou.

O raciocínio é simples: quando o diagnóstico é preciso e rápido, o tratamento é direcionado, evitando o uso indiscriminado de medicamentos.

O problema é que esse cálculo raramente é feito pelos gestores públicos, que enxergam o laboratório como despesa e não como economia.

Treinamentos gratuitos e mapeamento de doenças.

O CFBM não se limita a fiscalizar a atuação profissional. A instituição oferece às prefeituras um cardápio de serviços que inclui treinamento de equipes em diversos setores, gerenciamento de zoonoses e mapeamento de áreas de risco epidemiológico.

"Nós podemos treinar equipes da prefeitura em vários setores. Podemos gerenciar aspectos como zoonoses e também mapear áreas quentes, onde você tem um tipo de infecção prevalente, como tuberculose ou meningite. Tudo isso pode ser uma função do conselho que muitas vezes o gestor público não conhece", afirmou Garcez Júnior.

O mapeamento de "áreas quentes" — regiões com alta incidência de determinadas doenças — permite que as prefeituras direcionem recursos de forma inteligente, concentrando ações de vigilância sanitária e campanhas de vacinação onde elas são mais necessárias.

O serviço, segundo o presidente do CFBM, pode ser prestado de forma totalmente gratuita.

"Basta um contato com o conselho. O gestor público indica quais são as suas necessidades, e nós podemos trabalhar com equipes multiprofissionais.

A biomedicina pode se integrar com a farmácia, com a fisioterapia. "Fazemos junto ao município um trabalho conjunto para melhorar a saúde e a própria gestão pública", completou.

O papel do biomédico dentro das prefeituras

O profissional biomédico está muito mais inserido na realidade dos municípios do que a maioria dos gestores imagina. Nas UPAs, nas UBSs, nos laboratórios públicos, nos serviços de imagem, na vacinação — em cada um desses pontos, o biomédico é peça-chave.

"O profissional biomédico está muito inserido dentro das prefeituras. O conselho não tem só que contribuir com o seu profissional.

"O próprio conselho hoje demonstra que existem muito mais ferramentas e produtos para contribuir com a municipalidade e com os munícipes", disse Garcez Júnior.

O CFBM também oferece um serviço de consultoria para contratação: se um município precisa de um profissional biomédico, pode consultar o conselho para identificar o profissional mais capacitado para atender àquela necessidade específica. "Qual é a habilitação mais adequada para aquela demanda?" "O conselho pode orientar", afirmou.

O Conexidades como ponte entre conselho e municípios.

O CFBM participa do Conexidades desde edições anteriores e também marca presença em eventos como o Congresso Estadual de Municípios da APM (Associação Paulista de Municípios) e a Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, promovida pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM).

"O Conexidades tem sido um palanque para que essas duas esferas se encontrem. Nós queremos devolver um pouco para a sociedade aquilo que o biomédico ganha com ela.

E, por outro lado, o gestor que necessita do serviço e muitas vezes não o encontra de forma adequada. "Estamos cumprindo o nosso papel dos dois lados", concluiu Garcez Júnior.

A 27ª Marcha a Brasília, que começou no dia 16 de junho sob o tema "O Brasil que dá certo nasce nos municípios", também conta com a participação do CFBM, que tem intensificado sua atuação junto ao poder público municipal para ampliar a presença da biomedicina nas políticas de saúde.

O futuro da parceria

O CFBM deixou claro no Conexidades que está de portas abertas para gestores públicos de todo o Brasil. O contato pode ser feito pelo site oficial (cfbm.gov.br) ou pelo Instagram (@cfbmbiomedicina).

O conselho oferece desde orientação técnica até programas de treinamento — tudo sem custo para os municípios.

A mensagem do presidente do CFBM é direta: a biomedicina pode ser uma aliada estratégica dos prefeitos na busca por eficiência na saúde pública, na redução de custos com medicamentos e na qualificação do atendimento à população. Basta que o gestor estenda a mão.

Dr. Edgar Garcez Júnior

Biomédico formado em 1987 pela Fundação Hermínio Ometto (FHO), Edgar Garcez Júnior é o atual presidente do Conselho Federal de Biomedicina (CFBM), com sede em Brasília (DF), para a gestão 2024-2028.

Sua trajetória na biomedicina inclui a presidência da Associação Paulista de Biomedicina (2020) e a atuação como conselheiro titular do Conselho Regional de Biomedicina da 1ª Região (CRBM1) desde 2008, onde integrou as comissões de ética, ensino e docência.

Antes de assumir a presidência do CFBM, foi conselheiro titular do Conselho Federal, construindo uma carreira sólida na defesa da regulamentação profissional e na ampliação do reconhecimento da biomedicina como área estratégica para a saúde pública brasileira.

À frente do CFBM, Garcez Júnior tem priorizado a aproximação com gestores públicos municipais, a ampliação das habilitações profissionais e o combate à violência e ao assédio no ambiente de trabalho, com a instituição do Pacto de Proteção da Profissional Biomédica (Portaria nº 67/2026).

É presença constante em eventos municipalistas como o Conexidades, o Congresso Estadual de Municípios da APM e a Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, onde defende a integração entre a biomedicina e as políticas públicas de saúde nos municípios brasileiros.

Por Ralph Lichotti e Robson Talber @robsontalber 

Repórter Oscar Muller @oscarmulleroficial

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Por Ultima Hora em 17/06/2026
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