Entre o voto e o constrangimento: a hora de Lula falar por si

Sou Lulista, policial reformado e morador da Barra. Justamente por isso, tenho o dever de dizer: Janja não tem cargo no governo, e sua atuação tem ofuscado os feitos do presidente

Entre o voto e o constrangimento: a hora de Lula falar por si

Sou Paulo Ciro Mendonça. Moro na Barra da Tijuca, reduto bolsonarista, onde, nas últimas eleições, o único apartamento com bandeira do Lula era o meu. Sou policial militar reformado, liderança comunitária e pedagogo. Dentro de uma categoria majoritariamente conservadora, nunca escondi meu voto, nem minhas convicções. Sou Lulista com consciência, e é por isso que me sinto legitimado a fazer esta crítica.

Lula é o político que mais me inspira. Sempre defendi que violência não se combate apenas com tiros, e o próprio presidente sabe disso. Educação e geração de empregos são os únicos caminhos consistentes de transformação social.

Na recente viagem à China, Lula viveu um momento de protagonismo internacional. Levou dezenas de empresários, buscou parcerias, atraiu investimentos - 27 bilhões anunciados. A visita caminhava para ser histórica. Mas segundo relatos da comitiva, a primeira-dama interveio numa reunião formal para questionar uma empresa digital chinesa. A resposta do presidente Xi Jinping foi de clara insatisfação. O que era cooperação se tornou ruído diplomático. E o protagonismo do Brasil perdeu espaço na imprensa mundial.

É preciso perguntar:

A reunião era oficial ou informal?

A esposa do presidente chinês participou?

Os ministros não tinham domínio sobre o tema?

Rosângela da Silva não foi eleita, não tem cargo público nem função institucional. Isso não a torna "de segunda categoria", como bem disse o próprio Lula. Mas também não lhe dá autoridade para intervir em assuntos de Estado. Não é a primeira vez que sua atuação causa desgaste, e o governo não pode continuar tropeçando por ações de quem não tem legitimidade formal.

Se deseja participar da administração, que seja nomeada com função e responsabilidade. Caso contrário, que o presidente preserve a institucionalidade que ele mesmo sempre defendeu. Aliados históricos como Kakay, Quaquá, Zé Dirceu, Miriam Belchior e Gilberto Carvalho já demonstraram incômodo - alguns publicamente, outros nos bastidores. Isso não é deslealdade. É zelo.

Presidente, é o senhor que tem voto. É o senhor que representa o povo. O Brasil quer escutar e falar com o senhor. O mundo quer escutar e falar com o senhor. E o senhor sabe disso. Lula é uma ideia. E ideias não se matam - mas precisam ser cuidadas.

Paulo Ciro Mendonça

Policial Militar Reformado

Líder Comunitário em Jacarepaguá

Pedagogo

Por Ultima Hora em 15/05/2025
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