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Reencontro político em Maricá revela contradições em evento do PT na Mangueira

Em meio a sorrisos e declarações de afeto, o prefeito de Maricá, Washington Quaquá, e seu antecessor, Fabiano Horta, protagonizaram uma inesperada reconciliação durante evento na quadra da Mangueira, na noite desta segunda-feira (16). O encontro, que marcou o apoio à candidatura de Edinho Silva à presidência nacional do PT, trouxe à tona não apenas a reaproximação dos políticos maricaenses, mas também revelou contradições entre discurso e prática na organização do evento.
Da tensão à reconciliação pública
O clima amistoso surpreendeu observadores políticos, já que Fabiano Horta demonstrava clara insatisfação com Quaquá nos últimos meses. As críticas públicas do atual prefeito à gestão anterior haviam criado um afastamento tão significativo que Horta chegou a ausentar-se do lançamento da candidatura de Diego Zeidan, filho de Quaquá, à presidência do diretório estadual do PT, realizado em 13 de maio no Circo Voador.
Na quadra da Mangueira, porém, o cenário foi completamente diferente. Em seu discurso, Horta não economizou elogios, referindo-se a Quaquá como "meu querido" e "companheiro de mais de 30 anos de PT". O ex-prefeito chegou a manifestar apoio explícito ao filho de Quaquá, bradando "Diego presidente" para a plateia de petistas presentes.
Declaração contundente sobre Eduardo Paes
Um dos momentos mais marcantes da noite foi quando Quaquá fez uma declaração direta ao prefeito do Rio, Eduardo Paes:
"Eduardo Paes, Maricá te ama, nós te amamos, mas entenda uma coisa: Fabiano Horta estará na sua chapa, seja como vice ou senador", afirmou em tom descrito como de "ameaça".
A fala evidencia articulações políticas em curso e sinaliza a intenção de garantir espaço para Fabiano Horta na chapa de Paes, seja como candidato a vice-prefeito ou ao Senado.
Contradições entre discurso e prática

Apesar do discurso de Quaquá sobre "voltar o partido para a favela", a organização do evento na quadra da Mangueira revelou uma realidade diferente. O espaço estava dividido por "castas", com áreas VIP no salão e grades separando políticos de dirigentes, e estes da militância.
"O PT nasceu na periferia e precisa voltar para ela. Firmamos, juntos, dois compromissos: reconectar o partido com suas origens e trabalhar desde já pela reeleição do presidente Lula em 2026. Saímos da Mangueira com a certeza de que estamos no caminho certo: o de melhorar a vida do povo das favelas e comunidades do Rio e do Brasil", declarou Quaquá.
A contradição entre o discurso inclusivo e a segregação física no evento não passou despercebida, gerando questionamentos sobre o real compromisso com a aproximação às bases populares que o partido afirma buscar.
Articulações políticas em curso
O evento também contou com a presença de outras figuras importantes do grupo político de Quaquá, como Diego Zeidan, candidato à presidência do diretório estadual do PT, e Alberes Lima, que disputa a presidência do diretório municipal do partido.
Esta reaproximação entre Quaquá e Horta representa um importante realinhamento político em Maricá e pode influenciar significativamente as futuras articulações do PT no estado do Rio de Janeiro, especialmente considerando as declarações sobre a composição da chapa de Eduardo Paes.
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