Hamas diz “sim” à libertação total de reféns: promessa ou armadilha?

Hamas diz “sim” à libertação total de reféns: promessa ou armadilha?

Numa guinada que parece saída de enredo político, o Hamas anunciou que aceita liberar todos os reféns israelenses, vivos ou mortos, como parte de um plano de paz proposto por Donald Trump. 

Se a frase sozinha já corta, o contexto corta mais fundo: o acordo de paz inclui condições de retirada das forças israelenses, reestruturação institucional de Gaza e um cessar-fogo que poderia reconfigurar o tabuleiro de poder na região. 

Aaceitaçãoque não é total

Importante respirar com cautela: o Hamas “aceita pontos centrais” — ou seja, não necessariamente concorda com tudo. A proposta exige que as liberações ocorram somente se “condições de campo” forem atendidas, o que inclui retirada militar israelense para linhas pré-estabelecidas. 

Ou seja: aceitar não equivaleria a cumprir agora — e sim a deixar a negociação aberta.

O simbolismo e o cálculo estratégico

Libertar todos os reféns seria ato simbólico monstruoso — bomba moral no jogo político do Oriente Médio. Se for concreto, pode virar pretexto para o repego de alianças regionais, pressões diplomáticas e até reconfiguration de governos em Gaza.

Mas também pode ser armadilha: um movimento para ganhar legitimidade, diluir críticas e apertar Israel num xadrez que o próprio Hamas já conhece bem.

O risco da frustração

Quando promessas desse tamanho não se concretizam — ou se atrasam — o veneno que retorna não é só desconfiança local: é desilusão global. Aqueles que sonham com paz podem usar esse momento para esperar – ou recuar.

Se o Hamas falhar, o custo pode ser devastador para quem acreditou no “sim”. Se Israel reagir com força a uma promessa não cumprida, todo o equilíbrio frágil ruirá.

Por Ultima Hora em 03/10/2025
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