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O Carnaval 2026 marca um momento histórico para a inclusão na Marquês de Sapucaí. Helena Werneck, Secretária Municipal da Pessoa com Deficiência do Rio de Janeiro, celebrou a lotação completa do Setor 13-PCD durante os cinco dias de desfiles, destacando o sucesso de uma política pública que transformou o acesso das pessoas com deficiência ao maior espetáculo da cultura brasileira.
"Dá para vocês verem que o espaço está lotado." É muito bonito ver a alegria das pessoas. "A alegria da galera é contagiante", declarou Helena Werneck durante entrevista exclusiva no sambódromo.
A secretária, que milita pelos direitos das pessoas com deficiência desde 1987, demonstrou emoção ao presenciar o resultado de anos de trabalho pela inclusão.
Política de distribuição democrática.
A Prefeitura do Rio disponibilizou 300 ingressos gratuitos por dia de desfile para o Setor 13-PCD, totalizando 1.500 vagas durante todo o Carnaval 2026. A distribuição ocorreu nos dias 3 e 4 de fevereiro no Centro Integrado de Atenção a PCDs (CIAD), seguindo o critério de ordem de chegada.
Cada ingresso permitiu a entrada de um acompanhante, garantindo que as pessoas com deficiência pudessem desfrutar dos desfiles com total segurança e conforto.
O sucesso da iniciativa reflete o comprometimento da gestão municipal com a democratização do acesso à cultura. Helena Werneck enfatizou que "parabenizo e dedico todo esse espaço a eles, porque a alegria que eles trazem para cá é transformadora".
A secretária reconhece que a presença massiva das pessoas com deficiência no Carnaval representa uma vitória coletiva da sociedade carioca.
Recursos de acessibilidade ampliados.
O Setor 13-PCD conta com recursos tecnológicos avançados fornecidos pela empresa AllDub Estúdio, incluindo audiodescrição ao vivo e tradução em Libras durante todos os desfiles.
Esses serviços garantem que pessoas com deficiência visual e auditiva possam acompanhar integralmente o espetáculo, eliminando barreiras que historicamente limitavam a experiência carnavalesca.
A infraestrutura do setor foi completamente adaptada, com rampas de acesso, banheiros acessíveis, espaços reservados para cadeirantes e áreas de circulação ampliadas. Helena Werneck destacou que "ainda tem muitos lugares que não estão adequados para receber pessoas PCD", reconhecendo os desafios que persistem na cidade.
Agenda pós-Carnaval focada na transversalidade.
Questionada sobre os planos para após o Carnaval, Helena Werneck revelou uma agenda ambiciosa de melhorias urbanas. "Temos sempre muito trabalho porque precisamos buscar renovações e transversalidade com todos os outros setores", explicou a secretária, referindo-se à necessidade de integração entre diferentes órgãos municipais.
O conceito de transversalidade representa o núcleo da estratégia da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência. Helena enfatiza que "quando se pensa numa praça, num trajeto, é preciso considerar que essas pessoas precisam de acessibilidade". Essa abordagem garante que a inclusão seja considerada desde o planejamento inicial de qualquer projeto urbano.
Trabalho familiar e assistencial.
Além das melhorias estruturais, a secretaria mantém um trabalho contínuo de assistência às famílias de pessoas com deficiência no Rio de Janeiro. Helena Werneck, mãe de uma filha com síndrome de Down, compreende intimamente os desafios enfrentados pelas famílias e desenvolve políticas públicas baseadas em experiência pessoal e profissional.
A secretária cofundou a Organização Gadim Brasil, focada na inclusão da pessoa com deficiência na mídia e entretenimento, e presidiu o Instituto MetaSocial por 20 anos antes de assumir o cargo público em janeiro de 2021.
Sua trajetória de mais de três décadas na defesa dos direitos das pessoas com deficiência confere credibilidade e expertise às iniciativas municipais.
Impacto social e cultural.
O sucesso do Setor 13-PCD no Carnaval 2026 transcende o aspecto festivo e representa uma mudança cultural significativa na sociedade carioca. Helena Werneck observa que "a alegria que eles transferem para esse espaço é contagiante", reconhecendo que a presença das pessoas com deficiência enriquece a experiência carnavalesca para todos os presentes.
A lotação completa do setor durante os cinco dias de desfiles demonstra a demanda reprimida por espaços inclusivos na cidade. A iniciativa serve como modelo para outros eventos de grande porte, provando que a acessibilidade não apenas é viável, mas essencial para a verdadeira democratização da cultura brasileira.
Perspectivas futuras.
A Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência planeja expandir o conceito de acessibilidade para além dos grandes eventos, focando na transformação permanente dos espaços urbanos. Helena Werneck enfatiza que o trabalho "tem que ser feito diariamente", reconhecendo que a inclusão representa um processo contínuo de melhorias e adaptações.
O sucesso do Carnaval 2026 no Setor 13-PCD estabelece um novo padrão para eventos futuros e demonstra que a cidade do Rio de Janeiro está comprometida em se tornar verdadeiramente inclusiva, honrando sua vocação de capital cultural brasileira acessível a todos os cidadãos.

Por Robson Talber, @robsontalber
Repórter Antonio Lemos @djportugues
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