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Jair Bittencourt deixa secretaria e retorna à Alerj em movimento que reabre guerra pela presidência da Casa
Jair Bittencourt (PL) deixou a Secretaria estadual de Desenvolvimento Regional do Interior, Pesca e Agricultura Familiar para reassumir sua cadeira na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, numa jogada política que reacende a guerra pelo comando da Casa.
A exoneração, publicada no Diário Oficial desta quarta-feira a pedido do governador Cláudio Castro, marca o início de uma nova rodada de articulações entre os grupos rivais que disputam o poder no Legislativo fluminense.
Com o retorno de Bittencourt ao plenário, o suplente Douglas Gomes (PL) - que votou pela manutenção da prisão de Rodrigo Bacellar - deve voltar à Câmara de Niterói, numa clara demonstração de como as decisões políticas na Alerj têm consequências diretas para quem ousou contrariar os interesses do grupo governista.

A movimentação expõe as engrenagens do poder estadual, onde lealdades são testadas e traições são punidas através de manobras administrativas.
A volta de Bittencourt também reacende memórias do racha explosivo dentro do PL em 2023, quando ele chegou a lançar candidatura à presidência da Alerj contra Rodrigo Bacellar, então também filiado ao partido.
Na época, Bittencourt contava com apoio do presidente estadual da legenda, Altineu Côrtes e ex-presidente da Alerj André Ceciliano, enquanto Bacellar era o nome preferido de Castro, criando uma tensão interna que quase implodiu a base governista.
Douglas Gomes paga preço por votar contra Bacellar
Surpreendido com a exoneração que o obriga a deixar a Alerj, o deputado Douglas Gomes não escondeu sua revolta ao confirmar que ligou diretamente para o governador Castro para esclarecer a decisão. A conversa revela como funciona a máquina política fluminense, onde decisões aparentemente técnicas escondem retaliações políticas calculadas.
"Recebi a notícia com surpresa. Liguei para o governador, que disse não ter feito nenhuma movimentação. Nesse momento, com a minha saída, rumores de retaliação se levantam. Mas não me arrependo do meu voto. Eu não poderia ir contra aquilo que acho certo. Votaria pela manutenção da prisão novamente, se fosse preciso", declarou Gomes numa fala que expõe a coragem política de quem preferiu a consciência à conveniência.
A declaração de Gomes é emblemática porque revela como deputados são punidos quando exercem independência política em questões sensíveis.
O deputado afirmou que volta para sua cidade "de cabeça erguida e com a satisfação de ter feito um bom trabalho", numa postura digna que contrasta com a mesquinharia das retaliações políticas.
Castro reorganiza tabuleiro para nova disputa presidencial
Segundo fontes do Palácio Guanabara, outra movimentação estratégica deve ocorrer na próxima semana: o deputado Bruno Boaretto (PL), que votou pela soltura de Bacellar, deve deixar a Alerj para que o secretário de Cidades, Douglas Ruas, reassuma sua cadeira.
Essa troca revela como Castro está reorganizando suas peças no tabuleiro político, premiando aliados leais e preparando o terreno para uma eventual nova eleição na presidência da Casa.
Douglas Ruas, filho do prefeito de São Gonçalo Capitão Nelson, é considerado por Castro peça central na construção de um novo bloco para a disputa do comando da Alerj.
Seu retorno como aposta de Altineu Côrtes reforça a reaproximação entre ambos após o racha do passado, demonstrando como alianças políticas são fluidas e se reorganizam conforme os interesses do momento.
O movimento é particularmente significativo porque Ruas foi o segundo deputado mais votado para a Alerj, tendo recebido o apoio decisivo de seu pai nas eleições. Sua entrada no jogo presidencial adiciona um novo elemento à disputa, especialmente considerando sua ligação com São Gonçalo, município estratégico na política estadual.
A estratégia de Castro de trazer secretários de volta ao plenário é vista como tentativa de reorganizar apoios e diminuir tensões, ampliando a interlocução direta com parlamentares que estavam afastados em funções no Executivo.
Essa movimentação demonstra como o governador está se preparando para os desafios políticos de 2026, quando precisará de uma base sólida na Assembleia.
Rodrigo Amorim emerge como novo protagonista da disputa
Nos bastidores políticos da Alerj, aliados do presidente afastado Rodrigo Bacellar apostam no nome de Rodrigo Amorim (PL), líder do governo e presidente da Comissão de Constituição e Justiça, como força capaz de herdar o comando da Casa.
A ascensão de Amorim, no entanto, desperta preocupação em parte dos deputados que conhecem seu estilo político e seu nome está longe de ser unanimidade, face suas posições radicais.
O dilema em torno de Amorim reflete as tensões internas da base governista entre aqueles que preferem um perfil mais conciliador e os que defendem uma postura mais assertiva no comando da Alerj.
A posição de Amorim como líder do governo e presidente da CCJ lhe confere vantagens estratégicas na disputa, mas também o expõe a críticas de quem considera que seu estilo pode gerar mais conflitos numa Casa que precisa de pacificação após os episódios recentes.
Acordos quebrados alimentam nova rodada de conflitos
O acirramento atual na Alerj resgata um acordo firmado antes do rompimento definitivo entre Bacellar e Castro, revelando como promessas políticas não cumpridas alimentam novos conflitos.
À época, quando se cogitava que Bacellar assumiria temporariamente o governo estadual, havia entendimento de que Altineu Côrtes indicaria seu substituto na presidência da Assembleia, sendo Douglas Ruas o nome preferido.
Segundo aliados próximos à negociação, Bacellar teria sinalizado a aliados que não pretendia cumprir o compromisso assumido e escolheria alguém de sua confiança pessoal para o comando da Casa. A quebra desse pacto político teria contribuído para aprofundar o racha que agora volta ao centro da disputa, demonstrando como a palavra empenhada ainda tem valor nas negociações políticas.
Essa quebra de acordo revela as tensões estruturais que permeiam a política fluminense, onde alianças são constantemente testadas e rompidas conforme os interesses momentâneos dos protagonistas. O episódio também demonstra como Altineu Côrtes, apesar de ser presidente estadual do PL, teve sua autoridade desafiada por Bacellar, criando ressentimentos que agora influenciam a nova configuração de forças.
A memória desses acordos quebrados alimenta as desconfianças atuais e influencia as estratégias dos diferentes grupos, que precisam calcular não apenas os interesses imediatos, mas também as consequências de longo prazo de suas decisões políticas.
Presidente em exercício promete estabilidade em meio ao caos
O presidente em exercício da Alerj, Guilherme Delaroli (PL), tem tentado acalmar os ânimos garantindo aos deputados que todos terão "carta-branca" para reorganizar gabinetes e comissões. Delaroli já sinalizou que não pretende mexer em cargos da estrutura da Casa ligados a nenhum deputado específico, numa tentativa de manter a estabilidade administrativa em meio à turbulência política.
Essa postura conciliadora de Delaroli contrasta com as especulações de retaliação articulada por aliados do presidente afastado, demonstrando sua tentativa de se posicionar como figura de equilíbrio numa Casa dividida. A estratégia pode ser fundamental para sua própria sobrevivência política, especialmente se a crise se prolongar.
A promessa de não mexer na estrutura administrativa da Alerj representa uma tentativa de separar a disputa política das questões operacionais da Casa, evitando que a guerra pela presidência paralise completamente o funcionamento do Legislativo estadual.
No entanto, a capacidade de Delaroli de manter essa postura neutra será testada conforme a disputa se intensificar, especialmente se os diferentes grupos pressionarem por mudanças que beneficiem suas respectivas bases de apoio.
Vésperas de 2026 intensificam cálculos eleitorais
A movimentação na Alerj ganha contornos especiais por ocorrer nas vésperas das eleições de 2026, quando todos os protagonistas precisarão definir suas estratégias para os pleitos estadual e federal. O controle da presidência da Assembleia será fundamental para definir quem terá maior poder de articulação e influência nos próximos dois anos.
Para Castro, manter aliados leais no comando da Alerj é essencial para sua estratégia de sucessão, seja apoiando um candidato próprio ou negociando apoios para projetos futuros. A reorganização das forças no plenário através do retorno de secretários demonstra como o governador está se preparando antecipadamente para esses desafios.
Os diferentes grupos também calculam como a disputa atual pode afetar suas posições nas eleições de 2026, especialmente considerando que o controle da máquina estadual será fundamental para definir candidaturas e alianças. A Alerj se torna, assim, um laboratório das articulações que definirão o futuro político do estado.
A intensificação dos movimentos políticos na Casa reflete a percepção de que 2025 será um ano decisivo para consolidar posições e preparar o terreno para as disputas eleitorais que se aproximam, transformando cada decisão administrativa numa jogada estratégica de longo prazo.
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