Juíza Federal Cláudia Valéria promove inclusão no carnaval carioca ao desfilar com filho no Salgueiro

Magistrada que preside comissão de acessibilidade do TRF2 destaca importância da participação de pessoas com deficiência na maior festa popular do Brasil

A juíza federal Cláudia Valéria emocionou-se ao falar sobre a participação dela e do filho Gabriel no desfile técnico da escola de samba Salgueiro, no Rio de Janeiro.

Em entrevista após o ensaio, a magistrada destacou que o carnaval representa um dos maiores eventos de diversidade do país e defendeu a verdadeira inclusão de pessoas com deficiência na sociedade.

"O Gabriel ama desfilar, ele ama a música e é muito importante a participação não só dele, mas de pessoas como ele", declarou a juíza, que há anos desfila pela agremiação tijucana.

Para ela, o carnaval é um espaço único onde "você tem pessoas de todos os tipos, em todas as condições", o que torna fundamental ampliar cada vez mais as oportunidades de participação efetiva.

Inclusão além da participação superficial.

A magistrada fez questão de diferenciar participação de verdadeira inclusão social. "Incluir não é só participar, não é só virar festa, é chamar para dançar." Tem que ser a verdadeira inclusão", enfatizou Cláudia Valéria, demonstrando sua visão aprofundada sobre direitos das pessoas com deficiência.

Essa perspectiva não é casual na trajetória da juíza.

Desde 2014, ela atua como titular da 4ª Vara Federal de São João de Meriti e preside a Comissão de Acessibilidade e Inclusão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2). Além disso, integra o Comitê Permanente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) dos Direitos das Pessoas com Deficiência no Âmbito Judicial.

Carreira dedicada aos direitos humanos.

Cláudia Valéria ingressou na magistratura federal em 1998 e construiu uma sólida formação acadêmica na área dos direitos humanos.

É especialista em Direito das Pessoas com Deficiência pela Universidade de Pisa, na Itália, possui pós-graduação em Direito Penal pela Universidade de Buenos Aires e em Responsabilidade Civil pela UNESA.

Sua atuação como educadora também merece destaque.

A magistrada lecionou na Escola da Magistratura da AJUFERJES e na Fundação Getúlio Vargas (FGV In Company), contribuindo para a formação de novos profissionais do direito com consciência inclusiva.

Reconhecimento público e superação de adversidades.

O trabalho da juíza tem sido reconhecido ao longo dos anos. Em 2001, recebeu a Medalha Tiradentes da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ). Mais recentemente, em 2025, foi agraciada com a Medalha de Mérito Pedro Ernesto pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro, honraria que reconhece personalidades que prestam relevantes serviços à cidade.

Sua trajetória não foi isenta de desafios. Entre 2009 e 2013, enfrentou uma ação criminal no TRF2 por suposto envolvimento em corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Contudo, em 8 de agosto de 2013, foi absolvida por maioria dos votos, juntamente com seu marido, demonstrando a consistência de sua conduta profissional.

O carnaval como laboratório social.

Para Cláudia Valéria, o carnaval representa muito mais que entretenimento. "É o maior espetáculo da terra e ele é destinado a toda e qualquer pessoa", afirmou, ressaltando que a festa deve ser um espaço onde os direitos de todos sejam respeitados.

A magistrada vê na folia carioca um laboratório social onde a diversidade pode ser celebrada e a inclusão praticada de forma genuína.

A participação da juíza e Gabriel no Salgueiro vai além do aspecto pessoal. Representa um exemplo concreto de como pessoas em posições de liderança podem usar sua visibilidade para promover causas sociais relevantes.

O filho da magistrada, que "adora" desfilar, torna-se um símbolo da possibilidade de participação plena de pessoas com deficiência em todos os aspectos da vida social.

Compromisso contínuo com a inclusão.

A promessa de estar presente no desfile oficial da terça-feira de carnaval, quando o Salgueiro fecha os desfiles do Grupo Especial, reforça o compromisso da família com a causa inclusiva. "Na terça-feira, o Salgueiro vai ser a última escola fechando o carnaval e nós estaremos aqui", garantiu a juíza, demonstrando que sua participação não é meramente simbólica, mas representa um engajamento duradouro.

A trajetória de Cláudia Valéria exemplifica como a magistratura pode ir além das funções jurisdicionais tradicionais, atuando como agente transformador da sociedade.

Sua defesa da inclusão no carnaval reflete uma visão mais ampla sobre justiça social e direitos humanos, temas centrais em sua carreira profissional e vida pessoal.

Por Robson Talber @robsontalber 

Repórter Renata Barbosa @beleza.naotemidade

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Por Ultima Hora em 08/02/2026
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