Justiça decide: São Paulo assume o comando da Cruz Vermelha Brasileira e põe fim às manobras de Kleber Maia no Órgão Central e na sede do Rio

Justiça decide: São Paulo assume o comando da Cruz Vermelha Brasileira e põe fim às manobras de Kleber Maia no Órgão Central e na sede do Rio

Justiça decidida, martelo batido. Depois de meses de impasses, manobras nos bastidores e tentativas desesperadas de manter o controle da Cruz Vermelha Brasileira – Órgão Central, a 2ª Vara Cível de Brasília resolveu colocar ordem no caos. A sentença publicada no dia 31 de julho de 2025, no processo nº 0746882-67.2024.8.07.0001, reconhece a total ausência de comando legítimo na instituição e entrega, de forma provisória, o controle nacional à filial de São Paulo.

A decisão encerra de vez o capítulo de irregularidades que vinham sendo praticadas pelo ex-vice-presidente Kleber Maia. Mesmo sem qualquer legitimidade — como já havia sido determinado pela própria Justiça em decisões anteriores —, ele reabriu a sede estadual da Cruz Vermelha, localizada na Praça da Cruz Vermelha, no Centro do Rio de Janeiro. Lá, nomeou um novo grupo de diretores indicados por ele, retomou as atividades de cursos, passou a promover ações públicas e chegou a levar deputados estaduais para visitar o espaço, numa tentativa de dar aparência de normalidade a algo que estava, na prática, fora da legalidade.

Essa sede, vale lembrar, estava há meses abandonada. Durante o período de vacância, as atividades da Cruz Vermelha estadual chegaram a funcionar, de forma improvisada, em uma igreja local, mas acabaram sendo despejadas. Um padre da paróquia confirmou o ocorrido. Alunos e pais passaram a procurar a instituição em busca de respostas: queriam saber como receberiam os diplomas dos cursos já realizados e se haveria continuidade na formação. Foi nesse vácuo que Kleber interveio – à revelia da Justiça – e reabriu a sede, como se ainda tivesse poderes para isso.

“Mesmo sem legitimidade e com decisões judiciais em vigor que proibiam qualquer nomeação por parte dele, Kleber Maia desrespeitou a Justiça e seguiu promovendo atos administrativos. Isso já havia sido alertado, e agora foi confirmado”, declararam integrantes do grupo que luta pela revitalização da Cruz Vermelha Estadual do Rio.

A sentença não só reforça a perda de legitimidade de Kleber Maia como também anula, na prática, todas as ações tomadas por ele nos últimos meses. A partir de agora, caberá à filial de São Paulo nomear novos interventores para a estadual do Rio, que passa a ser considerada oficialmente vacante. A expectativa é de que um novo grupo provisório seja indicado ainda este ano, até que uma eleição legítima seja convocada.

Com mais de R$ 34 milhões em dívidas, ausência de prestação de contas desde 2022 e uma crise interna que escancarou o abandono da governança nacional, a Cruz Vermelha Brasileira chega a este novo momento sob a missão de se reerguer. A filial de São Paulo, que já vinha socorrendo financeiramente o órgão central e acumula mais de R$ 700 mil a receber, agora assume oficialmente o comando e deverá organizar uma nova Assembleia Nacional em até 120 dias.

“Essa decisão era tudo o que esperávamos. A Cruz Vermelha Brasileira é maior do que qualquer tentativa de manipulação ou vaidade pessoal. É uma instituição com história, com nome internacional, e precisa ser tratada com seriedade”, afirmou um dos diretores estaduais.

Agora, com São Paulo à frente e com o respaldo firme da Justiça, a missão é clara: reconstruir com legalidade, ética e respeito. E, principalmente, colocar a Cruz Vermelha Brasileira de volta ao lugar de onde nunca deveria ter saído — o da credibilidade, do socorro humanitário e da seriedade institucional.

Nossa reportagem fará contato com a nova direção provisória na próxima semana.

Por Arinos Monge.

Por Ultima Hora em 02/08/2025
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