Katia Miki ressalta características Femininas na política na XXVII Marcha dos Prefeitos em Brasília: Diálogo, solidariedade e atenção aos detalhes

Katia Miki, primeira prefeita de Barra do Piraí, representatividade feminina e a pauta municipalista.

Katia Miki fez história ao se tornar a primeira mulher a ocupar a prefeitura de Barra do Piraí, município com mais de 94 mil habitantes localizado a aproximadamente 100 quilômetros do Rio de Janeiro, no coração da região sul-fluminense.

Sua eleição não foi acidental. Katia conquistou a confiança da população como vereadora mais votada da cidade — posição que reflete reconhecimento de sua capacidade administrativa e comprometimento com pautas populares.

Durante a XXVII Marcha dos Prefeitos em Brasília, realizada em maio de 2026, Katia representou não apenas Barra do Piraí, mas um movimento maior: prefeitas e prefeitos que enfrentam dilema estrutural que transcende ideologia partidária.

"Esse movimento municipalista visa principalmente os interesses de todos os municípios do nosso país," afirmou durante entrevista ao Jornal da República Última Hora, ressaltando que apesar de interesses diversos entre gestores, existe convergência em pautas críticas que ameaçam sobrevivência orçamentária municipal.

A presença de Katia em Brasília, acompanhada de sua equipe técnica, marca inflexão importante: mulheres assumem papéis de liderança em negociação de recursos públicos em nível federal.

O machismo estrutural da administração pública brasileira historicamente relega mulheres a cargos de menor impacto. Katia, ao contrário, ocupa centro decisório de articulação municipalista — espaço onde recursos são disputados, legislação é debatida e poder político se materializa.

O Excesso de Legislação Onerando Municípios

A pauta que Katia priorizou em Brasília é a mesma levantada por outros prefeitos durante a marcha: o excesso de legislação federal que cria obrigações municipais sem financiamento correspondente.

"Levantou uma pauta aqui na marcha dos prefeitos que tem muito a ver com que os municípios pleiteiam, né, que é o excesso de legislação onerando os municípios com diversos pisos de categorias que muitas vezes os municípios não conseguem acompanhar e ter financeiro para poder cumprir," explicou Katia com precisão diagnóstica.

O problema não é a existência de legislação. É a desconexão entre aprovação legislativa federal e capacidade de financiamento municipal. "É bom ter esse diálogo com o governo federal e com o legislativo federal também, para que quando essas leis forem aprovadas em âmbito federal, que seja pensado também numa fonte de financiamento para que os municípios possam arcar com e cumprir a legislação brasileira," propôs Katia.

Essa demanda, aparentemente técnica, expressa crise fundamental: a União cria obrigações, o município arca com despesas. O crédito político fica em Brasília; o débito orçamentário fica com o gestor local. Katia compreende que essa dinâmica não é sustentável — nenhum município consegue absorver indefinidamente custos de políticas federais desfinanciadas.

O Papel dos Consórcios e da Conexão entre Gestores

Durante a marcha, Katia participou de encontro de inauguração do consórcio na sede do Instituto Silva Neto em Brasília. Os consórcios públicos funcionam como mecanismo de desbloqueio administrativo — permitem que municípios compartilhem custos e expertise através de compras, licitações e execução conjunta de serviços. "É importante pros prefeitos também se conectarem um com o outro," afirmou Katia, reconhecendo o valor das redes de cooperação intermunicipal.

A marcha funciona também como espaço de capacitação. "Tem diversos espaços temáticos também onde nós gestores podemos nos capacitar cada vez mais. Um espaço que a gente se consegue se encontrar e se conectar," descreveu Katia.

Esses encontros criam oportunidade para troca de experiências, compartilhamento de soluções já testadas em outros municípios, e articulação de demandas comuns junto a deputados e senadores.

Para Katia, a marcha é também oportunidade de negociação. "Uma oportunidade também para os prefeitos estarem em Brasília, conversando com os deputados, senadores, buscando buscando recursos para os seus municípios," afirmou.

Essa busca por recursos não é simplesmente "pedir dinheiro" — é articulação política baseada em diagnóstico técnico de necessidades municipais e pressão conjunta de gestores por redistribuição fiscal.

O Partido Solidariedade e a Expressão Feminina em Minas Gerais

Katia integra o Partido Solidariedade, liderado pelo deputado federal Auro Ribeiro, personalidade conhecida por atuação forte no setor de cultura. Mais importante que a filiação partidária é o fato que o Solidariedade elegeu 6 das 13 mulheres prefeitas do Rio de Janeiro em 2024.

Esse dado merece análise cuidadosa: significa que aproximadamente 46% das prefeitas eleitas no estado vieram de um único partido, sugerindo que o Solidariedade conseguiu mobilizar estrutura para lançar candidatas mulheres com sucesso.

"O nosso partido é um partido muito bem organizado que faz que tem gestores que fazem a diferença nos seus municípios. O deputado federal Auro Ribeiro é um deputado muito parceiro dos prefeitos, não só dos prefeitos do Partido Solidariedade, mas dos diversos prefeitos parceiros," afirmou Katia, ressaltando a importância de apoio legislativo consistente à gestão municipal.

A articulação entre Katia, Auro Ribeiro e senador Portim resultou em conquista concreta para Barra do Piraí: inauguração do primeiro hospital oftalmológico do município — equipamento de "última geração" capaz de realizar 120 cirurgias por mês, sem contar consultas e exames diários. Essa é gestão pública efetiva: converter negociação política em infraestrutura de saúde.

Representatividade Feminina na Política: Uma Questão de Qualidade de Vida

Katia não se furtou em abordar tema estrutural: necessidade de mais mulheres na administração pública. "Muito importante. Primeiro pela representatividade, né?

O nosso país é um país majoritariamente feminino e a representação política precisa ser semelhante," afirmou com convicção. Mas foi além da retórica igualitária: apresentou argumento funcional. "Quando as mulheres ocupam esses espaços, os municípios, os estados e o país fica muito melhor."

Katia listou características que observa em mulheres no poder: "Nós somos de mais diálogo, somos mais solidárias, a gente vê o mínimo detalhe, a gente consegue fazer muitas coisas ao mesmo tempo.

" Não é afirmação de superioridade — "não quer dizer que nós somos melhores que os homens, nada disso" — mas reconhecimento de que diversidade de perspectivas e estilos de liderança enriquece administração pública.

Os números comprovam a raridade de representatividade feminina em cargos executivos municipais. O Rio de Janeiro elegeu apenas 13 mulheres prefeitas em 2024 — correspondendo a 15,4% dos 84 cargos definidos no primeiro turno. Essa proporção fica abaixo da média nacional e muito abaixo da composição demográfica do país, onde mulheres representam aproximadamente 51% da população.

O Orgulho do Solidariedade e a Lacuna que Persiste

Katia enfatizou: "Eu me orgulho muito de ser do Solidariedade, na liderança do deputado federal Auro Ribeiro, que conseguiu eleger seis mulheres fazendo a diferença no estado do Rio de Janeiro no que diz respeito à representação feminina."

Seis prefeitas de um partido em um estado é conquista, mas também expõe lacuna: se um único partido conseguiu mobilizar estrutura para eleger 6 mulheres, por que os demais 27 partidos com representação no Congresso não fizeram o mesmo?

A resposta é estrutural: machismo institucionalizado. Estruturas partidárias predominantemente masculinas tendem a apoiar candidatos homens.

Mulheres enfrentam barreiras de financiamento de campanha, acesso a redes políticas e credibilidade ante doadores. A exceção do Solidariedade sugere que é possível reverter o padrão — mas exige vontade política deliberada.

Quando Katia afirma que "a vida das pessoas melhora" quando municípios são geridos por mulheres, não está apenas fazendo afirmação ideológica. Está sinalizando que diversidade de liderança produz resultados concretos.

O hospital oftalmológico de Barra do Piraí — executado sob gestão de uma mulher — é exemplo tangível dessa proposição.

Barra do Piraí: História, Economia e Resgate do Orgulho Local

Barra do Piraí integra história do Brasil desde ciclo do ouro no século XVIII, quando tropas de mulas cruzavam a região levando ouro de Minas Gerais para o litoral.

No século XIX e início do XX, consolidou identidade como centro cafeeiro — papel que exerceu até declínio da cafeicultura brasileira. Atualmente, município diversifica economia através de comércio, serviços e pequenas indústrias.

Katia menciona que encontrou "município muito endividado, cheio de problemas" quando assumiu gestão. Através de articulação política e gestão responsável, vem revertendo cenário:

"Nós estamos conseguindo reverter o cenário, essa situação em Barra do Piraí, dar entregas para nossa população." A própria campanha de Katia refletia essa intenção: "Para resgatar o orgulho de ser barrense."

O resgate do orgulho local passa por infraestrutura: hospital do olho é equipamento de saúde especializada que muitos municípios não conseguem viabilizar.

Significa que barrenses não precisarão se deslocar para Rio de Janeiro ou outras cidades para cirurgias oftalmológicas. Significa atendimento regional para pacientes de toda área sul-fluminense. É política pública que melhora qualidade de vida de forma palpável.

O Movimento Municipalista como Força de Pressão Política

A participação de Katia em Brasília não foi isolada. Faz parte de movimento organizado de aproximadamente 5.500 municípios brasileiros que buscam influenciar agenda federal.

A XXVII Marcha dos Prefeitos reúne gestores de todo país, legisladores, vereadores — criando "símbolo especial" em ano de eleições presidenciais quando "a gente bate políticas públicas nacionais, políticas estaduais."

Esse movimento é contrapeso político necessário. Individualmente, nenhum prefeito consegue negociar com União. Coletivamente, representam aproximadamente 215 milhões de brasileiros que vivem sob jurisdição municipal.

A pauta municipalista — exigir que legislação federal indique fonte de financiamento — é racional: protege viabilidade fiscal de gestores e impõe transparência orçamentária a Brasília.

Katia sintetiza o apelo silencioso: "A união dos municípios vai fazer a diferença." Essa diferença não é apenas arrecadação de recursos adicionais.

É transformação do desenho institucional federativo para tornar viável administração pública descentralizada sem que gestores locais se transformem em reféns de decisões legislativas federais desfinanciadas.

Sobre Barra do Piraí

Localizado no sul fluminense a 100 quilômetros do Rio de Janeiro, Barra do Piraí é município de aproximadamente 94.855 habitantes que marca presença na história econômica do Brasil. Historicamente conhecido por produção de café, diversificou economia através de comércio e serviços.

Sob gestão de Katia Miki, primeira prefeita mulher da história municipal, investe em infraestrutura de saúde especializada e resgate de identidade local. O município integra rede municipal sul-fluminense com potencial de cooperação interfederativa através de consórcios públicos.

Sobre o CIM-BR (Consórcio Interfederativo dos Municípios do Brasil) da qual a prefeita participou da fundação

O consórcio público é uma forma de cooperação entre entes federativos – municípios, estados e a União – para a gestão compartilhada de serviços e políticas públicas.

Eles permitem que diversas administrações trabalhem juntas, unindo esforços e recursos para oferecer serviços de maior qualidade e eficiência à população. Sendo um Consórcio Nacional, unifinatirário e multifinalitário vai atender melhor a centenas de Municípios Brasileiros.

Objetivos e Atuação do CIM-BR

Escopo Multifinalitário: Diferente de consórcios focados em apenas um setor, o CIM-BR é estruturado para atuar em múltiplas frentes de interesse público, englobando saúde, infraestrutura, desenvolvimento econômico e eficiência administrativa.
Fortalecimento Interfederativo: Unir municípios para aumentar o poder de negociação e a representatividade política junto aos governos estadual e federal.

Governança e Compliance: Modernizar a administração pública, trazendo transparência e eficiência técnica para as prefeituras.
Segurança Jurídica: Busca apoiar prefeitos na elaboração de projetos complexos, reduzindo burocracias e melhorando o poder de compra e licitações compartilhadas.

Representatividade: A entidade atua de forma a integrar os municípios, permitindo que até pequenas cidades tenham acesso a economias de escala e novas tecnologias

Criado com base na Lei Federal nº 11.107/2005, o consórcio público pode atuar em diversas áreas, como saúde, meio ambiente, infraestrutura, saneamento, desenvolvimento econômico, tecnologia e gestão de resíduos sólidos.

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ

Por Robson Talber @robsontalber 

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Fontes

Transcrição de entrevista concedida por Katia Miki, prefeita de Barra do Piraí (RJ) e primeira mulher a ocupar o cargo executivo municipal, ao Jornal da República — Última Hora, durante a 27ª Marcha dos Prefeitos em Brasília, realizada em maio de 2026. Informações sobre representatividade feminina obtidas em reportagem da CBN (Globo) de outubro de 2024 e em análise da Agência Nossa de Jornalismo sobre eleições municipais 2024. Dados demográficos e históricos sobre Barra do Piraí conforme informações da Prefeitura Municipal e Wikipédia. Referências ao Partido Solidariedade e atuação do deputado federal Auro Ribeiro conforme declarações da entrevistada. Informações sobre consórcios públicos e marcha dos prefeitos conforme posicionamento institucional da Confederação Nacional de Municípios (CNM).

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Por Ultima Hora em 23/05/2026
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