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Prefeito Eduardo Paes gera polêmica ao usar termo pejorativo contra religiões afro-brasileiras
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), provocou indignação na comunidade religiosa afro-brasileira ao se referir pejorativamente aos adeptos dessas tradições como "essa gente". A declaração aconteceu após críticas do Babalorixá Ivanir dos Santos sobre a exclusão das religiões de matriz africana das celebrações oficiais do Réveillon 2025.
A polêmica começou quando Paes decidiu instalar um palco exclusivo para música gospel na festa de virada do ano na orla carioca. O Babalorixá Ivanir dos Santos, reconhecido militante pelos direitos das religiões afro-brasileiras, questionou publicamente o privilégio concedido a determinadas denominações religiosas em detrimento de outras, especialmente as de origem africana.
"É muito chato nós sabermos que fomos mais uma vez excluídos, as tradições religiosas e culturais que construíram esta festa não têm recebido a mesma atenção", escreveu o líder religioso em suas redes sociais. A crítica foi reproduzida por veículos de imprensa, provocando a reação controversa do prefeito.
Histórico de tensões
A fala de Paes não representa um caso isolado. No início de 2025, o prefeito já havia vetado uma lei que garantiria aos líderes religiosos afro-brasileiros o direito de acesso aos hospitais da rede pública municipal do Rio de Janeiro. A medida visava proporcionar amparo emocional e psicológico aos adeptos do Candomblé e da Umbanda internados, serviço já prestado por padres e pastores na mesma rede hospitalar.
O episódio reacende o debate sobre a intolerância religiosa no Rio de Janeiro, cidade onde terreiros de Candomblé e Umbanda enfrentam ataques constantes. Segundo dados da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, o estado registra centenas de casos de agressões contra essas comunidades anualmente.
Reações e mobilização
A declaração do prefeito repercutiu negativamente entre lideranças religiosas, movimentos sociais e parlamentares. Representantes das religiões de matriz africana classificaram a fala como expressão clara de racismo religioso e cobraram retratação pública.
O caso expõe a contradição entre o discurso oficial de respeito à diversidade religiosa e a prática discriminatória observada na gestão municipal. Críticos apontam que, enquanto eventos evangélicos recebem apoio e estrutura da prefeitura, as tradições afro-brasileiras permanecem marginalizadas nas políticas públicas.
Contexto político e social
A polêmica ocorre em um momento de crescimento da bancada evangélica no Congresso Nacional e de aumento dos casos de intolerância religiosa em todo o país. O Rio de Janeiro, berço de importantes tradições afro-brasileiras como o samba e manifestações religiosas centenárias, vive um paradoxo entre sua identidade cultural e as políticas de seus gestores.
Especialistas em direitos humanos alertam que declarações como a de Paes legitimam e incentivam a violência contra comunidades religiosas minoritárias. O episódio também evidencia como o racismo estrutural se manifesta através da discriminação religiosa, atingindo principalmente a população negra e periférica.
Mobilização por direitos
Organizações da sociedade civil e movimentos negros convocaram atos de repúdio à fala do prefeito e de apoio às religiões afro-brasileiras. A mobilização busca pressionar por políticas públicas que garantam efetivamente a liberdade religiosa e o combate à intolerância.
O Babalorixá Ivanir dos Santos, alvo indireto da declaração preconceituosa, recebeu manifestações de solidariedade de diversos setores da sociedade. Conhecido por sua atuação na defesa dos direitos humanos e religiosos, ele representa uma voz importante na luta contra a discriminação.
Impactos na gestão municipal
O episódio pode ter desdobramentos políticos significativos para a gestão Paes, que busca consolidar sua base de apoio para futuros projetos eleitorais. A declaração contraria o perfil de político experiente e pode afetar sua relação com setores progressistas da sociedade carioca.
A polêmica também levanta questionamentos sobre os critérios utilizados pela prefeitura para definir apoio a eventos religiosos e culturais. A ausência de transparência nesses processos alimenta suspeitas de favorecimento e discriminação sistemática.
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Eduardo Paes gera revolta ao discriminar comunidades de Candomblé e Umbanda
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