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Foi-se o tempo em que Brasília tomava decisões dessas sem barulho. O presidente Lula decidiu vetar, nesta terça-feira (16), o projeto que ampliava o número de deputados federais na Câmara. A proposta — aprovada pelo Congresso em junho — pretendia aumentar de 513 para 538 parlamentares, uma mexida que, segundo seus defensores, corrigiria distorções na representação populacional dos estados. Mas, para o Planalto, o momento é outro: é de conter gastos e evitar desgaste político.
A decisão veio após parecer da Advocacia-Geral da União e pressão de aliados que viam no projeto uma bomba-relógio fiscal e eleitoral. Afinal, mais deputados significam mais despesas: salários, cotas, estrutura de gabinete e tudo o que vem no pacote.
Lula, que costuma ter jogo de cintura quando o assunto é Congresso, desta vez preferiu pisar no freio. E o recado está dado: ampliar o número de parlamentares em plena crise econômica e com a pressão por investimentos sociais em alta, não é prioridade.
Nos bastidores, líderes partidários reclamaram do veto. Alguns esperavam mais cadeiras para fortalecer suas bancadas, especialmente em estados que cresceram populacionalmente, como Santa Catarina, Pará, Amazonas e o Distrito Federal — os maiores beneficiados na proposta. Já os estados do Sudeste, como São Paulo e Rio de Janeiro, seriam mantidos como estão, sem ganho nem perda.
Mas, para a população, o sentimento geral parece outro: “Já tem político demais pra pouca solução”, disse um vendedor ambulante ouvido por um jornal na rodoviária do Plano Piloto.
O veto agora volta para o Congresso, que pode — ou não — derrubá-lo. Mas o recado de Lula é claro: antes de pensar em mais deputados, é preciso pensar em mais saúde, educação, segurança e emprego. O Planalto calcula o impacto fiscal e político de cada passo, e nesse momento, o sinal foi vermelho.
No fim das contas, Lula decidiu que o Brasil não precisa de mais deputados. Precisa, mesmo, é de mais respostas.
Por: Arinos Monge.
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