Assine nossa newsletter e fique por dentro de tudo que rola na sua região.
Na última quinta-feira (24), o governador Romeu Zema (Novo) resolveu dar sua contribuição para o festival de mal-entendidos diplomáticos entre Brasil e Estados Unidos. Em entrevista à CNN, Zema lamentou que o ex-presidente americano Donald Trump tenha retaliado o “Brasil errado”. Segundo ele, o problema não é o brasileiro que acorda às 5h pra exportar, é o Lula que acorda às 9h pra abraçar ditador. E aí, claro, Trump achou por bem responder com um belo aumento de tarifas de 50% sobre os produtos brasileiros — como se estivesse pedindo uma pizza e tivesse a opção “retaliar apenas o governo, sem prejudicar o povo”.
“Trump deveria ter retaliado o governo brasileiro, não os brasileiros que trabalham, que exportam”, disse Zema, aparentemente acreditando que sanções econômicas funcionam como filtros do Instagram: você escolhe quem aparece bonito e quem fica na penumbra.
O que o governador de Minas parece não perceber — ou finge não perceber, o que é mais provável — é que quando um presidente estrangeiro impõe tarifas de importação, ele não está distinguindo entre o Lula e o Zé da roça que planta café pra vender nos EUA. A tarifa vem com um carimbo: “para o país inteiro, com carinho”. Mas Zema insiste que o alvo deveria ser o governo Lula, como se Trump pudesse taxar apenas discursos em favor de ditaduras e não os contêineres de minério de ferro.
E como se não bastasse a teoria do “retalie com precisão cirúrgica”, Zema também jogou uma luz sobre o papel desempenhado por Eduardo Bolsonaro (PL-SP), o “embaixador informal do embaraço internacional”. Segundo o governador, foi o filho do ex que “criou um embaraço” ao setor produtivo com suas articulações nos EUA — que, no vocabulário diplomático, é tipo tentar apagar fogo com gasolina e uma selfie.
“Aqui em Minas, como você disse, nós temos atividades muito importantes que dão empregos a milhares de pessoas que dependem dessa exportação”, lamentou Zema, como se só agora tivesse percebido que política externa mal feita custa caro — e quem paga é o produtor de café, o exportador de frango, o trabalhador da indústria.
Resumo da ópera: enquanto lá fora líderes disputam quem faz a pior diplomacia comercial, por aqui, governadores fazem coro com a ideia de que dá pra retaliar o governo de um país sem afetar o país. Seria cômico se não fosse a nossa balança comercial no meio.
Por: Arinos Monge.
Nenhum comentário. Seja o primeiro a comentar!