Mais de 13 Prefeitos Unidos: Eduardo Paes selou o Pacto que Pode mudar o Futuro do Rio de Janeiro

Quando Prefeitos de Partidos Diferentes Abraçam o Mesmo Projeto: O que Significa para o RJ

Mais de 13 Prefeitos Unidos: Eduardo Paes selou o Pacto que Pode mudar o Futuro do Rio de Janeiro

A Cartografia do Poder na Baixada: Eduardo Paes Tece a Aliança que Pode Reescrever o Destino Fluminense

Não há fenômeno político mais eloquente que o silêncio das alianças. Quando sete dos treze prefeitos da Baixada Fluminense — aquela região que pulsa como o coração econômico e demográfico da Região Metropolitana — depõem suas armas políticas aos pés de um único candidato, está-se diante não de uma simples coligação eleitoral, mas de um realinhamento estrutural de forças que pode determinar o curso do estado nos próximos anos.

Eduardo Paes, ex-prefeito do Rio de Janeiro e hoje estandarte do PSD na disputa pelo Palácio da Guanabara, acaba de selar, de forma quase teatral, uma aliança que reúne sob seu guarda-chuva político figuras de matizes distintos: o MDB tradicional com Jamille Cozzolino (Magé) e Netinho Reis (Duque de Caxias); o PT com Andrezinho Ceciliano (Paracambi) e Fernada Outiveiros (Japeri); o PDT com Haroldinho Jesus (Itaguaí); e dissidências do próprio centro-direita com Léo Vieira (Republicanos, São João de Meriti) e Glauco Kaizer (União Brasil, Queimados).

Esta configuração não é aleatória. A Baixada Fluminense representa, demograficamente, quase um terço da população metropolitana. Seus treze municípios convivem com desafios que transcendem as fronteiras administrativas: transportes precários, educação deficiente, segurança pública combalida e ausência crônica de investimentos em infraestrutura. Quando Paes se compromete com a transformação dessa região, não fala apenas à plebe, mas ao próprio Estado que carece de reequilíbrio territorial.

A escolha de Jane Reis como vice — figura do MDB com penetração significativa nas estruturas estaduais — consolida uma tática bem conhecida da política fluminense: governar exige a captura de múltiplos centros de poder. Paes compreende que vencer eleições é insuficiente; é necessário ter capacidade de governar, e para isso, legitimidade multifatorial.

Semana passada, a peregrinação de Paes por Piraí, Barra do Piraí e Vassouras — cidades do Vale do Paraíba com histórias distintas — revela uma estratégia de diferenciação territorial. Em Piraí, onde a prefeitura implementou internet gratuita e foi selecionada como Cidade Inteligente pelo BNDES, Paes propõe elevar o município a laboratório estadual dessa tecnologia. Não é discurso vazio: é a promessa de que o conhecimento acumulado em um município pode transbordar para toda uma região.

Em Barra do Piraí, a situação é mais delicada. A Rodovia do Aço (BR-393) permanece como símbolo da negligência estatal — precariedade estrutural, acidentes recorrentes, morte anunciada. Quando Paes questiona "Cadê o Estado do Rio nessa briga?", não está apenas elogiando a prefeita Kátia Miki que ousou enfrentar judicialmente o DNIT; está denunciando a ausência do poder estadual e sugerindo que, sob seu governo, essa lacuna será preenchida. A promessa de atuar em três eixos — segurança viária, saúde e requalificação do centro ferroviário — traduz uma compreensão de que desenvolvimento não é apenas economia, é também vida digna.

Vassouras, a "Princesinha do Café", sofre de um mal que acomete muitos municípios históricos: o subaproveitamento de seu potencial. O turismo histórico permanece em estado embrionário. Paes advoga pela restauração de fazendas, pela capacitação de guias, pela sinalização adequada — medidas aparentemente modestas, mas profundamente reveladoras de uma visão que compreende que o patrimônio não é mero passado, é riqueza presente.

A referência ao Hospital Universitário de Vassouras — porta de entrada para cirurgias complexas em toda a região — aponta para outro veio crucial: a saúde como política de Estado. A telessaúde, a residência médica, a extensão universitária: são investimentos que transformam um hospital de excelência em ferramenta de desenvolvimento regional.

O que emerge dessa cartografia política é uma estratégia que não se contenta com alianças pontuais. Paes está tecendo uma narrativa na qual a Região Metropolitana — especialmente a Baixada e o Vale do Paraíba — deixa de ser periferia para ocupar centralidade no projeto de governo. Sete prefeitos não se unem por acaso; unem-se porque identificam em um candidato a promessa de que seus municípios, suas gentes, seus problemas crônicos enfim merecerão ouvidos atentos e recursos direcionados.

Quaquá de Maricá (PT) e Rodrigo Neves de Niterói (PDT) dão força do outro lado da Guanabara, e no norte e noroeste a família Reis andam bem.

Se conseguir converter essa aliança em votos — e mais importante, em governabilidade — Eduardo Paes poderá reescrever o mapa político fluminense. Mas a história não se escreve apenas em campanhas: escreve-se na entrega. A Baixada, que sofre há décadas, sabe bem disso.

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Fontes: Post de Eduardo Paes nas redes sociais (08/05/2026); Agenda institucional de Eduardo Paes em Piraí, Barra do Piraí e Vassouras (22/04/2026); Histórico de convênios entre BNDES e município de Piraí para Cidades Inteligentes; Ação civil pública de Barra do Piraí contra o DNIT pela Rodovia do Aço (BR-393).

Por Ultima Hora em 09/05/2026
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