Mais de 200 pessoas estão presas no Monte Everest a 5 mil metros de altitude

Equipes de resgate chinesas correm contra o tempo para localizar os andarilhos ilhados.

Mais de 200 pessoas estão presas no Monte Everest a 5 mil metros de altitude

Uma forte tempestade de neve atingiu o lado tibetano do Monte Everest, o ponto mais alto do planeta. Centenas de pessoas estão presas em acampamentos a quase cinco mil metros de altitude.

A nevasca começou na noite de sexta-feira (3) e pegou de surpresa turistas e escaladores que estavam na região. O episódio ocorreu durante o feriado chinês conhecido como Semana Dourada, quando milhares de pessoas viajam pelo país.

Segundo a mídia estatal chinesa, cerca de 350 pessoas conseguiram descer até a pequena cidade de Qudang, a 48 quilômetros do acampamento-base do Everest. Outras 200 ainda permanecem isoladas, mas já foram localizadas.

As equipes de resgate tentam abrir caminho pela neve, auxiliadas por moradores locais que usam cavalos e bois para transportar suprimentos e remover o bloqueio das trilhas.

Caminhos bloqueados e frio extremo

Sobreviventes descrevem um cenário de frio intenso, ventos fortes e neve que chegava a um metro de altura. Barracas ficaram soterradas, e as trilhas desapareceram sob uma espessa camada branca.

“Estava tão úmido e frio que a hipotermia era um risco real”, contou Chen Geshuang, uma caminhante conseguiu escapar em segurança.

A trilha que leva à face leste do Everest, conhecida como Área Cênica, é um dos destinos mais procurados por quem pratica trekking, caminhadas longas em terrenos naturais e de altitude.

Por ser uma rota menos exigente, ela permite observar o Himalaia sem a necessidade de escalar até o cume. No entanto, as condições climáticas se tornaram extremas em poucas horas.

Resgates em condições severas

As autoridades chinesas enviaram centenas de socorristas e militares para a região, uma das mais remotas e controladas do país. O governo suspendeu a venda de ingressos e o acesso turístico à montanha desde sábado (4).

Em alguns pontos, as equipes precisam remover manualmente a neve que bloqueia as estradas e trilhas.

Imagens divulgadas pela Televisão Central da China mostraram andarilhos recebendo comida quente e abrigo temporário ao chegar à base de resgate.

Os socorristas forneceram comida aos resgatados. Imagem: CCTV via BBC

Apesar da dimensão do incidente, até o momento não há registro oficial de mortes, mas as autoridades admitem que as condições continuam “extremamente desafiadoras”.

Região isolada e de difícil acesso

O Tibete é uma área de acesso restrito a jornalistas e estrangeiros, o que dificulta a verificação independente das informações.

O governo chinês controla a comunicação local e centraliza a divulgação de notícias sobre a operação de resgate.

A nevasca coincidiu com a passagem do tufão Matmo, que trouxe chuvas intensas e ventos fortes a grande parte do leste da Ásia.

No vizinho Nepal, as tempestades provocaram deslizamentos de terra e inundações que destruíram pontes e mataram pelo menos 47 pessoas desde sexta-feira.

  • Nepal é tema de um dos vídeos mais recentes produzidos pela Brasil Paralelo. Nele, a equipe investiga a origem e o desenrolar dos protestos contra o governo do país. Assista agora no canal da BP.

Com 8.849 metros de altitude, o Everest segue sendo o símbolo máximo do montanhismo, mas também um dos locais mais perigosos do mundo.

A face tibetana, que abriga o chamado “vale de Karma”, vem recebendo investimentos do governo chinês para incentivar o turismo de aventura. Em 2024, a região bateu recorde de visitantes, com mais de 540 mil pessoas.

Mesmo sem pretender chegar ao cume, milhares de turistas visitam o acampamento-base e as trilhas da área cênica, atraídos pelas vistas do Himalaia. 

Segundo Chen Geshuang o alívio se mistura ao espanto.

“Somos todos caminhantes experientes. Mas essa nevasca foi diferente de tudo que já enfrentamos. Tivemos muita sorte de conseguir escapar.”

As autoridades chinesas seguem monitorando a situação no Everest e mantêm as operações de busca até que todos os andarilhos sejam retirados.

Enquanto o turismo cresce e a infraestrutura da região avança, o episódio serve de alerta sobre a força imprevisível das montanhas e os riscos de um ambiente cada vez mais explorado por visitantes.

Por Ultima Hora em 07/10/2025
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