Mais que um clube: Flamengo caminha para se tornar patrimônio cultural do Rio de Janeiro

Mais que um clube: Flamengo caminha para se tornar patrimônio cultural do Rio de Janeiro

Proposta que reconhece o clube rubro-negro como bem cultural do estado avança na Alerj e aguarda votação final; medida celebra 130 anos de história e paixão nacional

O Clube de Regatas do Flamengo, um dos símbolos mais poderosos da identidade cultural carioca e brasileira, está prestes a receber o reconhecimento oficial como patrimônio histórico, cultural e imaterial do estado do Rio de Janeiro. O projeto de lei 2.468/23, de autoria da deputada Verônica Lima (PT), foi aprovado em primeira discussão na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) nesta quinta-feira (12) e agora aguarda apenas a segunda e definitiva votação para ser sancionado.

Durante a sessão que marcou este primeiro avanço da proposta, a deputada Verônica Lima fez questão de comparecer ao plenário vestindo a camisa rubro-negra e destacou a relevância do clube para a história e a cultura fluminense. "Títulos, histórias, tradição. O 'mais querido', como é conhecido, é fruto da paixão de milhões e milhões de torcedores espalhados pelos quatro cantos do planeta Terra", afirmou a parlamentar, evidenciando o alcance global da instituição.

A trajetória do Flamengo se confunde com a própria história do Rio de Janeiro. Fundado em 1895 como um clube de remo por seis jovens na Praia do Flamengo, na Zona Sul da cidade, a instituição só incorporou o futebol em 1911, com a criação do Departamento de Esportes Terrestres. O que começou como uma pequena agremiação esportiva se transformou no clube com a maior torcida do Brasil, fenômeno social que transcende as fronteiras do esporte.

No futebol, modalidade que projetou o nome do clube internacionalmente, o Flamengo acumula conquistas expressivas: um título mundial, três Libertadores da América, oito Campeonatos Brasileiros e quatro Copas do Brasil. Mas o rubro-negro vai muito além do futebol, mantendo departamentos de diversas modalidades como basquete, vôlei, natação, ginástica artística, judô, karatê, nado artístico, polo aquático e futebol americano.

A sede social do clube, localizada na Avenida Borges de Medeiros, 997, na Gávea, Zona Sul do Rio, é um dos pontos de referência da cidade. O projeto de lei deixa claro que o reconhecimento como patrimônio imaterial não impedirá a realização de obras, reformas, benfeitorias ou outras intervenções necessárias nas instalações do clube.

O reconhecimento como patrimônio imaterial significa que o Estado do Rio de Janeiro passa a reconhecer oficialmente o valor cultural, histórico e identitário do Flamengo para a sociedade fluminense. Diferente do tombamento de patrimônio material, que protege estruturas físicas, o registro como bem imaterial preserva práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas que comunidades e grupos reconhecem como parte de seu patrimônio cultural.

Se aprovado definitivamente, o Flamengo se juntará a outros elementos da cultura carioca já reconhecidos como patrimônio imaterial, reforçando sua importância não apenas como clube esportivo, mas como fenômeno social e cultural que atravessa gerações e classes sociais, unindo milhões de brasileiros sob as cores vermelho e preto.

A votação final do projeto deve ocorrer nas próximas sessões da Alerj, e a expectativa é de aprovação, considerando o amplo apoio que a proposta recebeu em sua primeira discussão no plenário.

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Por Ultima Hora em 13/06/2025
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