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Fim do acordo de cavalheiros: Malafaia rompe com Paes após desfile com 'deboche a cristãos' na Sapucaí
O pastor Silas Malafaia anunciou o rompimento definitivo de sua aliança política com o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), após o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói no Carnaval de 2026. A decisão põe fim a uma parceria de duas décadas e redefine o cenário político carioca para as próximas eleições.
Ala "Neoconservadores em conserva" gera polêmica nacional
O estopim para o rompimento foi a apresentação da Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e incluiu uma ala controversa intitulada "Neoconservadores em conserva". Na apresentação, foliões desfilaram fantasiados de latas de conserva com a imagem de uma família tradicional - pai, mãe e dois filhos - estampada no rótulo.
Segundo a escola de samba, o objetivo era simbolizar de forma crítica "os grupos que levantam a bandeira do neoconservadorismo", incluindo representantes do agronegócio, mulheres ricas, defensores da ditadura militar e evangélicos. A performance foi interpretada por líderes religiosos e políticos conservadores como um ataque direto aos valores familiares tradicionais.
Malafaia declara fim do "pacto de não-agressão"
Em declaração categórica, Malafaia anunciou o encerramento do "pacto de não-agressão" estabelecido com Paes nas últimas eleições municipais. "Paes escolheu o lado do Lula, é direito dele. Eu não vou caminhar com alguém que apoia o Lula depois desse deboche com o povo cristão nesse desfile no Sambódromo", afirmou o líder religioso.
O pastor foi enfático ao descartar qualquer possibilidade de reconciliação, mesmo diante de eventuais gestos políticos do prefeito. "E não adianta botar uma vice evangélica que não mudarei de posição", declarou Malafaia, fazendo referência à possível escolha de Jane Reis, irmã do ex-prefeito de Duque de Caxias Washington Reis, como candidata a vice-prefeita na chapa de Paes.
Histórico de apoio político quebrado
A aliança entre Malafaia e Paes se consolidou nas duas últimas eleições municipais, quando o pastor ofereceu apoio crucial ao prefeito. Em 2020, Malafaia respaldou Paes contra Marcelo Crivella (Republicanos), e em 2024, repetiu o apoio na disputa contra Alexandre Ramagem (PL).
O relacionamento entre os dois chegou ao ponto de Paes declarar publicamente, em setembro de 2025: "Mexeu com Silas Malafaia, mexeu comigo". A frase foi pronunciada durante participação do prefeito no culto de aniversário do pastor, quando este completou 67 anos, logo após uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal contra Malafaia.
Repercussão nas redes sociais
O desfile da Acadêmicos de Niterói gerou uma onda de reações nas redes sociais, com políticos conservadores aderindo a uma tendência de publicar imagens de suas próprias famílias como forma de protesto. Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e que teve o mandato de deputado federal cassado no ano passado, foi um dos que participaram da mobilização.
"Mais alguém aí conserva a família, educa e protege os filhos?", questionou Eduardo Bolsonaro, ecoando o sentimento de indignação compartilhado por outros políticos da direita brasileira.
Novos apoios políticos de Malafaia
Com o rompimento oficializado, Malafaia já indicou seus novos aliados para as próximas disputas eleitorais. O pastor destacou dois nomes para seu apoio: Douglas Ruas, secretário de Cidades do Rio de Janeiro e deputado estadual licenciado pelo PL, e Felipe Curi, secretário da Polícia Civil.
"Para governador, apoio ou o Douglas Ruas ou o secretário da Polícia Civil, Felipe Curi. Qualquer um dos dois", garantiu Malafaia, sinalizando sua estratégia para as eleições de 2026.
Primeira agenda pública com novo aliado
A primeira demonstração pública do novo alinhamento político acontecerá neste sábado (21), quando Malafaia e Douglas Ruas participarão juntos da inauguração da igreja da Vitória em Cristo em Cabo Frio, na Região dos Lagos. O evento marca simbolicamente o início da nova parceria política e a consolidação de Ruas como candidato da direita contra Paes nas próximas eleições municipais.
Acadêmicos de Niterói é rebaixada
A polêmica não ficou sem consequências para a escola de samba responsável pela apresentação controversa. A Acadêmicos de Niterói, que estreava no Grupo Especial, foi rebaixada para a Série Ouro após o desfile, encerrando prematuramente sua participação na elite do Carnaval carioca.
Malafaia como articulador político nacional
O pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, mantém-se como uma figura influente no cenário político nacional, especialmente após sua proximidade com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Atualmente, atua como uma espécie de "conselheiro" político, principalmente no apoio a Tarcísio de Freitas (Republicanos), um dos principais nomes especulados para a disputa presidencial de 2026.
Indefinição sobre Cláudio Castro
Questionado sobre o futuro político do governador Cláudio Castro, Malafaia admitiu não ter informações precisas sobre as decisões que o governador tomará. Castro enfrenta o dilema de renunciar ao cargo para se candidatar ou permanecer no Palácio Guanabara até dezembro, decisão que deve ser definida em breve e pode impactar significativamente o cenário eleitoral fluminense.
Impacto no cenário eleitoral carioca
O rompimento entre Malafaia e Paes representa uma mudança significativa no tabuleiro político do Rio de Janeiro. A perda do apoio evangélico, representado pela influência do pastor, pode afetar substancialmente as chances de reeleição do prefeito, especialmente considerando o peso do eleitorado religioso na cidade.
Por outro lado, a indicação de Douglas Ruas e Felipe Curi como novos aliados de Malafaia sinaliza a consolidação de uma frente conservadora organizada para enfrentar Paes nas urnas, potencialmente alterando a dinâmica da disputa municipal.
Reflexos nacionais da polêmica
A controvérsia transcende os limites do Rio de Janeiro e reflete tensões mais amplas na política brasileira, especialmente no que se refere à polarização entre setores progressistas e conservadores. O episódio evidencia como manifestações culturais, como o Carnaval, podem se tornar palco de disputas ideológicas e influenciar alianças políticas estabelecidas.
A reação de Malafaia também demonstra a sensibilidade do eleitorado religioso a representações que consideram ofensivas, fator que pode influenciar estratégias eleitorais futuras e a abordagem de temas relacionados a valores familiares e religiosos.
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Fontes:
Veja - A revolta de políticos evangélicos com a ala dos conservadores enlatados na Sapucaí
Tempo Real RJ - Fim do acordo de cavalheiros: Malafaia rompe com Paes
B News - Prefeito do Rio sai em defesa de Silas Malafaia