Marçal diz que direita é refém de Bolsonaro e defende outsider em 2026

Um ano após perder a eleição em São Paulo, Pablo Marçal tenta se afastar da política, mas ainda responde por processos ligados à campanha de 2024. O influenciador responsabiliza seu advogado pelo laudo falso contra Boulos, critica Lula e Bolsonaro e defende a ascensão de um outsider em 2026.

Marçal diz que direita é refém de Bolsonaro e defende outsider em 2026

(FOLHAPRESS) - Quando perdeu as eleições de São Paulo, em outubro do ano passado, o influenciador Pablo Marçal (PRTB) rapidamente virou a página. Voltou a tocar os negócios, a viralizar na internet com conteúdos inusitados e a vender cursos para pessoas que sonham em enriquecer.

Suas ações na corrida eleitoral de 2024, porém, não serão facilmente esquecidas. O empresário acusou -de maneira falsa e reiterada- o adversário, o atual ministro Guilherme Boulos (PSOL), de cheirar cocaína, inclusive com a publicação de um laudo falsificado.

Em entrevista à reportagem no prédio de sua empresa em Alphaville, em Barueri (Grande SP), o influenciador fala sobre aquele período, ao qual se refere como "guerra" e "loucura". Responsabiliza seu advogado, Tassio Renam Botelho, pela publicação do laudo (ambos foram denunciados pelo Ministério Público Eleitoral) e diz que também foi difamado pelos outros candidatos.

Tassio foi procurado pela reportagem, mas não respondeu. A defesa deles chegou a argumentar na Justiça Eleitoral que estava amparada no "direito à livre manifestação do pensamento" e que o conteúdo veiculado não foi fabricado, apenas divulgado.

No início do mês, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo reverteu uma das condenações de Marçal na primeira instância, que tratava da gravação remunerada de vídeos para candidatos, assim como a pena de inelegibilidade. 

O tribunal ainda julgará outras duas decisões, e ele só será considerado inelegível se uma das sentenças for confirmada.

O influenciador desconversa sobre uma possível candidatura à Presidência em 2026. Diz que está desconectado do assunto, mas não descarta concorrer. Afirma que nenhum dos presidenciáveis lhe agrada e que torce para a ascensão de um outsider. Para ele, falta protagonismo entre as lideranças de direita, que ficaram reféns do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Marçal diz que o presidente Lula (PT) foi "a maior decepção de todos os tempos", mas também o reconhece como "o político mais influente da história". 

Apesar da postura agressiva que adotou na última eleição, incluindo ataques pessoais aos adversários, afirma que o Brasil precisa de pacificação: "Tinha que parar com esse auê, é muita confusão".

PERGUNTA - O que mudou um ano após as eleições?

PABLO MARÇAL - A eleição é uma loucura. Não tem uma diferença na minha vida, mas aqueles 90 dias direto da eleição são um pesadelo para qualquer ser humano. Fica numa privação de não estar com quem você ama, tem que ficar rodeado por seguranças num nível assustador.

Por Ultima Hora em 25/11/2025
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