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O Maxambomba Moto Clube, uma das mais antigas organizações motociclísticas da Baixada Fluminense, completa 31 anos de atividades em 2025, consolidando-se como referência na cultura biker do Rio de Janeiro.
Fundado em 1994 por Antenor Vanderlei 01 e Gilberto Forte, o clube nasceu com uma missão social clara: combater a violência no trânsito e promover a conscientização sobre a segurança nas estradas.

Hoje, sob a presidência de Francisco de Assis e a presidência de honra de Vanderlei, conhecido como "01", a organização inaugura uma nova fase com a criação do Pub Clube Maxambomba, um espaço cultural que une rock, motociclismo e entretenimento.
A escolha do nome "Maxambomba" carrega profundo significado histórico. O termo remete ao antigo nome de Nova Iguaçu, que até 1916 era conhecida por essa denominação. "Maxambomba" deriva de "machine pump", referindo-se aos mecanismos de tração utilizados no período colonial brasileiro.
Inicialmente, os fundadores pensaram em chamar o grupo de "Rio Rider", mas durante uma viagem ao encontro de Serra Negra, um dos maiores eventos motociclísticos do país, perceberam a necessidade de criar uma identidade que honrasse suas origens locais.

A mudança para Maxambomba representou não apenas uma homenagem à história da cidade, mas também uma conexão com a essência mecânica que move tanto as máquinas a vapor quanto as motocicletas modernas.
Pioneirismo na conscientização social
Desde sua fundação, o Maxambomba Moto Clube mantém um compromisso firme com a responsabilidade social. O primeiro encontro de motociclistas em Nova Iguaçu foi realizado no clube do IBC, no centro da cidade, com foco específico na luta contra a violência no trânsito.
Na década de 1990, quando o clube foi criado, os roubos de motocicletas e o comércio ilegal de peças eram problemas crescentes, especialmente na região metropolitana do Rio de Janeiro.
O clube se posicionou como uma voz ativa contra essas práticas, promovendo campanhas educativas e eventos que destacavam a importância da segurança viária.
Vanderlei, presidente de honra e fundador, explica que a iniciativa surgiu da necessidade de criar uma cultura motociclística responsável. "Existia uma necessidade na época, como atualmente, de muito roubo de motocicleta. Nós fizemos o primeiro encontro de motociclista em Nova Iguaçu com esse tema social, contra a violência no trânsito, por conta de assalto, venda de peças ilegais e o incentivo ao uso da motocicleta", relembra.
Essa abordagem diferenciada colocou o Maxambomba em posição de destaque entre os motoclubes tradicionais do estado, como Balaio, Casaco de Couro e Anjos, que já existiam na época.

Expansão e impacto regional
Ao longo de três décadas, o clube expandiu sua influência para além das fronteiras de Nova Iguaçu. O município original de Maxambomba abrangia uma vasta região que incluía Caxias, São João de Meriti, Queimados, Mesquita e outras áreas da Baixada Fluminense.
Essa amplitude geográfica histórica inspirou o clube a pensar grande, promovendo eventos que atraem motociclistas de todo o estado do Rio de Janeiro e de outras regiões do país.
Os encontros anuais se tornaram tradicionais no calendário biker nacional, combinando exposições de motocicletas antigas, shows de rock, atividades culturais e campanhas de conscientização.
Uma das estratégias mais inovadoras do clube foi levar eventos para a região de Tinguá, buscando fomentar o turismo local e mostrar as belezas naturais da Baixada Fluminense.
A Reserva Biológica de Tinguá (Rebio) e a floresta da região se tornaram cenários para encontros que destacavam não apenas a paixão por motocicletas, mas também a preservação ambiental. "A ideia inicial era que todos gostassem de moto, que se criasse mais motoclube e fomentasse o comércio de turismo na área de Tinguá", explica Vanderlei.
Embora o apoio institucional não tenha sido suficiente para criar uma região turística consolidada na época, Tinguá hoje é reconhecida como destino ecoturístico, validando a visão pioneira do clube.
Nova sede e projeto cultural

Em 2025, o Maxambomba Moto Clube inaugura sua sede própria, que abriga o Pub Clube Maxambomba, um bar temático que combina duas paixões fundamentais: motocicletas e rock and roll.
O espaço foi projetado para ser mais do que um ponto de encontro para motociclistas; é um centro cultural aberto ao público geral, que busca promover novos talentos musicais da região. Francisco de Assis, atual presidente, destaca a versatilidade do conceito:

"O detalhe do bar temático é o Pub Clube Maxambomba. São duas ideias, uma é motocicleta e o rock and roll. Só que tem uma galera aqui da cidade raiz que gosta do samba, então vai ter samba rock, vai ter for rock, então tudo ligado ao rock".
O projeto vai além do entretenimento. A sede conta com equipamentos de produção musical, incluindo palco, guitarras e violões, disponibilizados para jovens artistas locais que enfrentam dificuldades para encontrar espaços adequados para ensaios e apresentações.
"Nós estamos com a produção justamente para ver esses artistas locais para que venham para cá", explica Francisco. Essa iniciativa representa um investimento direto na cultura local, oferecendo oportunidades para que novos talentos se desenvolvam e ganhem visibilidade.
Apoio a motociclistas e turismo

Uma das características mais marcantes do novo espaço é sua função como ponto de apoio para motociclistas de outros estados.
A sede está sendo estruturada para oferecer acomodações temporárias, permitindo que viajantes que passam pela região tenham um local seguro para descansar e guardar suas motocicletas. "Futuramente vai ser um ponto de apoio para motociclista de outros estados que tiverem de passagem por aqui. Vai ter um alojamento para esse apoio", explica Vanderlei.

Essa iniciativa reflete o espírito de fraternidade que caracteriza a cultura biker, onde a solidariedade entre motociclistas transcende fronteiras geográficas.
O conceito de hospitalidade motociclística não é novo, mas sua implementação formal em uma sede fixa representa um avanço significativo.
Motociclistas que viajam longas distâncias frequentemente enfrentam desafios relacionados à segurança de suas motocicletas e à disponibilidade de acomodações adequadas.
O Maxambomba pretende preencher essa lacuna, oferecendo um serviço que pode servir de modelo para outros motoclubes no país. "O cara veio de São Paulo, veio de Minas, moto quebrou, para guardar a moto e dormir, ficar sem problema", resume Francisco, destacando a praticidade da proposta.
Formação de novas gerações
O clube também investe na formação de novas gerações através do "Maxambomba Mirim", um programa voltado para jovens interessados na cultura motociclística.
Luiz Gustavo Vanderlei, neto do fundador, representa essa nova geração que cresce aprendendo os valores de fraternidade, responsabilidade e paixão pelas motocicletas. Embora ainda ande apenas como garupa, sua presença simboliza a continuidade dos ideais do clube e a transmissão de conhecimento entre gerações.
Essa preocupação com a formação de jovens motociclistas é fundamental em um contexto onde a educação para o trânsito e a conscientização sobre segurança viária são cada vez mais necessárias.
O Maxambomba Mirim funciona como uma escola informal onde valores como respeito, responsabilidade e cuidado mútuo são transmitidos através do exemplo e da convivência. "Uma molecada nova para aprender com a gente", explica Vanderlei, destacando o papel educativo da iniciativa.
Reconhecimento e legado
Após 31 anos de atividades, o Maxambomba Moto Clube conquistou reconhecimento não apenas na comunidade biker, mas também entre autoridades locais e a sociedade civil.

O apoio da Prefeitura de Nova Iguaçu e da Secretaria de Cultura demonstra que o trabalho desenvolvido pelo clube transcendeu os limites da cultura motociclística, contribuindo para o desenvolvimento cultural e social da região.
"É importante que quando nós temos nossos eventos, são novas bandas surgindo, novos talentos da região", destaca Francisco, enfatizando o impacto cultural positivo das atividades do clube.
O legado do Maxambomba inclui a formação de uma rede de relacionamentos que se estende por todo o país.
Motociclistas que participaram dos eventos do clube ao longo dos anos mantêm vínculos de amizade que perduram décadas.
Essa rede de contatos não apenas fortalece a cultura biker, mas também cria oportunidades de negócios, parcerias e intercâmbio cultural. "Tem gente que é amiga até hoje, a irmandade", observa um dos entrevistados, destacando a durabilidade dos laços formados através da paixão compartilhada pelas motocicletas.
Perspectivas futuras
O Maxambomba Moto Clube entra em sua quarta década de existência com planos ambiciosos de expansão e consolidação.

A inauguração da sede própria marca o início de uma nova fase, onde o clube pretende ampliar seu impacto cultural e social.
A criação de um espaço permanente para eventos, ensaios musicais e apoio a motociclistas representa um investimento de longo prazo na comunidade local e na cultura biker nacional.
A sustentabilidade do projeto depende não apenas do apoio da comunidade motociclística, mas também da integração com a sociedade local.
O Pub Clube Maxambomba foi concebido como um espaço inclusivo, que recebe não apenas motociclistas, mas também famílias, jovens músicos e qualquer pessoa interessada em cultura e entretenimento de qualidade.
"Aqui é um lugar bacana, um lugar de família, um lugar para curtir", resume o vice-presidente Cabeludo, destacando a vocação comunitária do espaço.
Impacto na cultura local
A contribuição do Maxambomba Moto Clube para a cultura de Nova Iguaçu vai além dos eventos motociclísticos. O clube se tornou um agente de transformação social, promovendo valores como respeito mútuo, responsabilidade social e preservação da memória histórica local.
A escolha de resgatar o nome histórico "Maxambomba" representa um esforço de valorização da identidade cultural da Baixada Fluminense, frequentemente estigmatizada pela mídia e pela sociedade.
O trabalho desenvolvido pelo clube também contribui para desconstruir estereótipos negativos associados aos motociclistas.
Através de campanhas de conscientização, eventos familiares e ações sociais, o Maxambomba demonstra que a cultura biker pode ser uma força positiva na sociedade. "Agradecimento sincero, ter sido muito bem recebido aqui pela comunidade local.
Agradecimentos aos motociclistas, aos motoclubes, o carinho, atenção que tem dado a gente aqui e respeito sobretudo", declara Francisco, reconhecendo a importância do apoio comunitário para o sucesso do projeto.

Por Robson Talber @robsontalber jornalista Erasto Filho
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