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Guaratiba, na zona oeste do Rio de Janeiro, será palco de um encontro histórico nesta segunda-feira, 18 de agosto, às 18h.
O Movimento Encruza e Travessia Ancestral (META), organizado por Mãe Manu da Oxum, promove seu segundo encontro no Reduto de Maria, consolidando uma iniciativa que busca revolucionar as políticas públicas voltadas aos povos de matriz africana, comunidades de terreiro, quilombos, tsaras, povos originários e demais comunidades tradicionais no estado do Rio de Janeiro.
A audiência pública representa muito mais que um simples encontro; é uma estratégia articulada para criar pontes efetivas entre as comunidades tradicionais e o poder público.

O evento visa abrir as portas do espaço sagrado para que autoridades e legisladores possam se conectar diretamente com lideranças da zona oeste, região estrategicamente conhecida como "Grande África" por concentrar, junto com a Baixada Fluminense, a maior densidade de instituições de matriz africana e povos originários do estado.
Mãe Manu da Oxum, organizadora do movimento, contextualiza a importância desta mobilização: "Trata-se de um patrimônio vivo de fé, cultura e ancestralidade que reivindica reconhecimento, proteção e investimentos públicos.
Precisamos aprofundar o diálogo para a construção de políticas públicas que verdadeiramente atendam todas essas comunidades".
Sua declaração evidencia uma crítica sutil, mas contundente, ao padrão histórico de aproximação política: "Algumas vezes, sentimos que não há interesse por essa aproximação, exceto quando estamos em período eleitoral".
O crescimento do movimento representa um fenômeno significativo no cenário político fluminense. Lançado em julho de 2025, o META já conseguiu mobilizar uma rede impressionante de apoio, com 250 terreiros e lideranças confirmadas para este segundo encontro.
Este número expressa não apenas adesão, mas também a urgência das demandas que essas comunidades enfrentam e a confiança depositada na articulação proposta por Mãe Manu da Oxum.
A presença confirmada de autoridades de diferentes esferas do poder público demonstra o reconhecimento da legitimidade das reivindicações apresentadas pelo movimento.
O Deputado Estadual Átila Nunes e a Vereadora Thaís Ferreira (PSOL) estarão presentes, representando o poder legislativo estadual e municipal. Esta participação política de alto nível sinaliza uma mudança na abordagem tradicional das questões relacionadas às comunidades tradicionais, saindo do assistencialismo para o reconhecimento de direitos.
Representantes da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (DECRADI) também confirmaram presença, evidenciando a dimensão de segurança pública que permeia as discussões sobre direitos das comunidades tradicionais.

A participação da Guarda Municipal do Rio de Janeiro através do programa "GM Sem Preconceito" reforça o compromisso com a proteção e respeito às práticas religiosas de matriz africana, historicamente alvo de perseguição e intolerância.
A Coordenadoria da Diversidade Religiosa da Prefeitura do Rio completará o quadro de representantes do poder público, demonstrando que a questão transcende partidarismo e se estabelece como política de Estado.
Esta articulação interinstitucional representa um avanço significativo na construção de um diálogo estruturado e permanente entre as comunidades tradicionais e as diferentes esferas governamentais.
Mãe Manu da Oxum destaca o papel fundamental da Defensoria Pública do Estado na articulação desta audiência: "A audiência pública foi articulada pela Defensoria Pública do Estado, a partir das pautas apresentadas pelo próprio povo de santo, para criar canais diretos de diálogo com as autoridades".
Esta parceria institucional garante que as demandas apresentadas tenham fundamentação jurídica sólida e caminhos institucionais para implementação.
O objetivo central do movimento é claro e ambicioso: "Que sejamos ouvidos por todos aqueles que tenham interesse real em defender esses territórios, comunidades e o legado ancestral que os povos originários e de matriz africana representam".
Esta declaração estabelece critérios de legitimidade para o diálogo político, priorizando aqueles que demonstrem compromisso genuíno com a proteção e valorização das tradições ancestrais.
A escolha do Reduto de Maria como local do encontro possui significado simbólico profundo.
Localizado na Rua Floresta do Sul, 16, Praia da Brisa, em Guaratiba, o espaço representa a resistência e preservação das tradições de matriz africana na zona oeste carioca. Realizar a audiência pública em um terreiro reafirma a legitimidade desses espaços como centros de articulação política e social, não apenas religiosa.
A gratuidade do evento e a oferta de "alimentação afetiva e solidária" aos participantes demonstram os valores de acolhimento e solidariedade que norteiam as comunidades tradicionais.
Esta abordagem contrasta com a formalidade típica de eventos políticos, criando um ambiente mais acolhedor e propício ao diálogo genuíno entre diferentes atores sociais.
A estratégia de comunicação do movimento, utilizando o Instagram (@meta.encruzaetravessia) para confirmação de presença, evidencia a modernização das formas de organização das comunidades tradicionais.
Esta adaptação às ferramentas digitais amplia o alcance da mobilização e facilita a participação de lideranças de diferentes regiões do estado.
O META representa uma evolução na organização política das comunidades de matriz africana no Rio de Janeiro.
Ao transcender a atuação local e propor políticas públicas estaduais, o movimento demonstra maturidade organizacional e visão estratégica de longo prazo. Esta abordagem sistêmica reconhece que os desafios enfrentados pelas comunidades tradicionais exigem soluções estruturais, não apenas pontuais.
A audiência pública desta segunda-feira pode marcar um ponto de inflexão nas relações entre o poder público e as comunidades tradicionais no Rio de Janeiro.
O sucesso da iniciativa dependerá não apenas da participação no evento, mas principalmente dos desdobramentos práticos que resultarem dos compromissos assumidos pelas autoridades presentes.
A região da zona oeste, historicamente marginalizada nas políticas públicas cariocas, ganha protagonismo através desta articulação.
O reconhecimento da área como "Grande África" não é apenas uma denominação cultural, mas uma reivindicação política por investimentos e atenção proporcional à importância histórica e demográfica da região.
O movimento liderado por Mãe Manu da Oxum representa um modelo de organização que pode inspirar iniciativas similares em outros estados brasileiros.
A combinação entre tradição ancestral e articulação política contemporânea oferece um caminho promissor para o fortalecimento dos direitos das comunidades tradicionais em todo o país.

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