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Por Jorge Tardin
Professor de Direito. Advogado. Curador da Coalizão Veredicto do Capital.
Quem nunca clicou em “Li e concordo” sem ler nada?
É automático. Está todo mundo com pressa.
Só que nesse clique, sem perceber, a gente entrega o controle da própria vida pra um sistema que, quando dá problema, simplesmente... não responde.
O contrato invisível que prende o cliente
Hoje em dia, tudo é rápido. Você abre uma conta num banco digital, assina um serviço de streaming, faz uma compra no aplicativo...
E lá está o botão: “Aceitar”. Clicou, pronto.
O que ninguém te conta é que, por trás desse clique, pode ter:
Esses truques têm até nome em inglês: dark patterns.
São jeitos escondidos de te empurrar a aceitar coisas que você nem percebeu.
O caso Cora: o dinheiro sumiu, o robô respondeu
Através da Coalizão Veredicto do Capital, acompanhei o caso de um pequeno empreendedor que teve a conta no banco digital Cora bloqueada do nada.
Sem aviso. Sem explicação.
O dinheiro dele — o da empresa, dos pagamentos — ficou travado.
Ele tentou resolver. Mandou mensagem. Chamou no chat. E o que ouviu?
“Seu caso está em análise.”
“Nosso sistema detectou uma inconsistência.”
“Aguarde atualização do status.”
Sempre isso.
Como se estivesse falando com um fantasma eletrônico.
Levamos o caso ao Juizado da Leopoldina (RJ).
Resultado?
Mais silêncio.
Juiz leigo. Processo parado. Nenhuma decisão. Nenhuma proteção, até hoje.
A Justiça não pode virar espectadora
O que mais me preocupa não é só o bloqueio.
É a ideia de que um algoritmo — um programa, uma máquina — pode decidir sobre a vida de alguém sem prestar contas a ninguém.
E que o Judiciário…
fica vendo, calado.
O consumidor quer ser ouvido
É por isso que escrevo esse alerta.
A tecnologia pode ajudar, sim.
Mas ela não pode atropelar o direito das pessoas.
E muito menos substituir a escuta, o cuidado, o bom senso.
Aos Procons e Juizados, fica o recado:
Procons:
Juizados Especiais:
O consumidor não é um número. É gente.
Gente que trabalha, que paga o que deve, que quer ser tratada com respeito.
Não dá pra aceitar que máquinas tomem decisões sem ouvir o outro lado.
E que a Justiça — que é humana — fique em silêncio.
Jorge Tardin
Professor de Direito. Advogado.
Defensor de contratos com alma — e consumidores com voz.
@jorge_tardin_prof
[email protected]
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