Assine nossa newsletter e fique por dentro de tudo que rola na sua região.
Os números da última pesquisa Atlas/INTEL geraram reações opostas: de um lado, a oposição celebra a desaprovação de 53,7% ao governo Lula como um prenúncio de derrocada; de outro, setores governistas manifestam preocupação. Os cenários de segundo turno que mostram Lula atrás de Bolsonaro, Tarcísio e Michele alimentam essa narrativa. Contudo, quem examina a história recente do Brasil sabe que pesquisas de avaliação governamental são fotografias voláteis – não profecias eleitorais.
É inegável: os números atuais são desfavoráveis. A crise do INSS elevou a reprovação ao governo a seu pior patamar, enquanto a aprovação estagna em 45,4%. Mas comparemos com o mesmo período do governo anterior: em junho de 2025, Bolsonaro registrava 49% de reprovação (Ipec), com apenas 24% considerando seu governo "ótimo/bom". Sua desaprovação pessoal atingia incríveis 66% – 12 pontos acima do atual índice de Lula. E aqui reside o primeiro contraponto: em 2022, esse mesmo Bolsonaro, com índices piores e teto eleitoral estimado em 40% nas pesquisas, não só superou as projeções como obteve mais votos que em 2018, forçando o segundo turno e mostrando que a máquina federal tem um peso que não consegue ser medido pelas pesquisas.
A história guarda paralelos ainda mais elucidativos. Em julho de 2014, Dilma Rousseff enfrentava vaias na abertura da Copa, escândalos da Lava-Jato e desgaste pós-manifestações de junho de 2013. Seu governo tinha apenas 32% de aprovação (Datafolha). A oposição, então liderada pelo carismático Aécio Neves e pela chapa Campos/Marina, antevia uma vitória inevitável e esboçava um otimismo semelhante ao atual. O resultado? Dilma venceu com 51,6% dos votos. A eleição demonstrou o que as urnas sempre reiteram: avaliação de governo e intenção de voto nem sempre operam de forma lógica.
Três fatores desmontam o triunfalismo precoce:
A desaprovação de Lula preocupa? Sim. Mas quem a transforma em sentença eleitoral ignora a história recente do país. A oposição comemora ventos passageiros; o campo governista tem a chance de corrigir rumos. A última lição é a mais valiosa: em democracias vibrantes, as únicas pesquisas definitivas são escritas nas urnas. E até outubro de 2026, muita história será escrita.
Nenhum comentário. Seja o primeiro a comentar!