O retorno do Comandante: Ribeiro Afonso surge como pré-candidato ao Senado e critica crise de representatividade no Congresso

Militar da reserva entra na disputa e promete agenda rígida no Senado

Fuzileiro naval da reserva afirma que o Senado “não cumpre seu papel constitucional”, defende mudanças profundas no sistema político e declara apoio à pré- candidatura de Wilson Witzel ao governo do Rio.

A entrada em cena de um militar inconformado

Durante evento do Banco de Negócios de Lébeo Ribeiro, na Churrascaria Laço de Ouro, o Jornal da República – Última Hora conversou com o Comandante Ribeiro Afonso, fuzileiro naval e agora pré- candidato ao Senado pelo Democratas.
Com discurso direto, ele afirma que decidiu disputar o Senado para “mudar o que está errado”, especialmente o que considera um esvaziamento do papel fiscalizador da Casa.
Segundo ele, “o Senado Federal perdeu sua função de guardião da República”, frase que ecoa a percepção de uma parcela da sociedade sobre crises de credibilidade institucional.

Críticas ao Congresso e preocupação com o futuro do país

Ribeiro Afonso afirma que o Senado se tornou refém de interesses internos e externos, mencionando que muitos parlamentares “têm rabo preso” e, por isso, não exercem controle sobre o Executivo ou sobre decisões do Supremo Tribunal Federal.

Para ele, a centralização de poder nas mãos da presidência do Senado é um dos sintomas mais graves da crise institucional:

“O presidente do Senado virou absoluto. Só coloca em pauta o que quer.”
O pré-candidato afirma que pretende resgatar o equilíbrio entre os Poderes — tese recorrente em análises políticas de acadêmicos da UERJ e da FGV, que vêm registrando desgaste das funções deliberativas do Senado nos últimos anos.

Alinhamento com Witzel e ataques à antiga Alerj

Convidado por Wilson Witzel, ex-governador e também pré-candidato ao governo, Ribeiro Afonso diz ter aceitado entrar na disputa por conhecer “o caráter” do ex-chefe do Executivo fluminense.

Ele afirma que Witzel foi “derrubado pela Alerj” e lembra que o mesmo Parlamento que aprovou o impeachment elegeu posteriormente seu sucessor político.

“A Alerj que tirou o Witzel é a mesma que elegeu Bacellar. Isso diz muita coisa.”
A narrativa dialoga com estudos do Instituto de Pesquisas Legislativas, que apontam que o impeachment de Witzel foi marcado por intensa disputa política interna.

Visão sobre os militares e o 8 de Janeiro

Como militar de carreira mergulhador, paraquedista e integrante das forças especiais Ribeiro Afonso demonstra incômodo com a condução judicial dos episódios de 8 de janeiro.

Propostas iniciais: direitos dos militares e reestruturação das carreiras

Entre suas bandeiras, o pré-candidato defende mudanças no regime de serviço militar:
• revisão da escala 6 por 1 para modelos mais flexíveis;
• reavaliação da estrutura salarial entre suboficiais, subtenentes e oficiais;
• defesa das carreiras dos veteranos.

“Isso tem que mudar. Meu slogan será esse: tem que mudar.”

Para analistas de Defesa consultados pelo Jornal da República, pautas de reestruturação militar ganham força em anos eleitorais, especialmente na Zona Oeste do Rio, onde há grande concentração de militares da reserva.

Um candidato que aposta na ousadia

Ao final da entrevista, Ribeiro Afonso reconhece que sua pré-candidatura é ousada, mas afirma que está preparado para “o que o povo decidir”:

“Sonhar não custa nada. Mas o sonho vai virar realidade, porque tenho proposta e tenho coragem.”

Entre cumprimentos, fotos e conversas, o comandante deixou claro que pretende transformar sua trajetória militar em capital político, movimento semelhante ao observado em candidaturas de figuras das Forças Armadas desde 2018.

Por Ralph Lichotti e Robson Talber @robsontalber 

Repórter Oscar Muller @oscarmulleroficial

Sigam e compartilhem o nosso Instagram: @jornalultimahoraonline

Oscar Muller veste Thiago Assis @thiago.assis.alfaiataria

Por Ultima Hora em 05/05/2026
Aguarde..