O retorno do juiz em 2026: Witzel diz que impeachment foi obra do crime organizado e lança sua pré-candidatura a Governador pelo Democrata

Ex-governador rompe o silêncio em evento de lançamento de sua Pré-candiadtura e afirma que sua saída do poder foi articulada por grupos mafiosos que hoje estão na mira da justiça

O cenário político fluminense ganhou um novo e explosivo capítulo nesta segunda-feira. Wilson Witzel, ex-juiz federal e ex-governador do Rio de Janeiro, oficializou sua pré-candidatura ao Palácio Guanabara para as eleições de 2026. Em um discurso carregado de termos jurídicos e acusações diretas, Witzel não apenas anunciou seu retorno às urnas, mas revisitou os eventos de 2020, classificando o processo que o destituiu do cargo como uma "ação criminosa" orquestrada pelo que chamou de "sistema".

Acompanhado por pré-candidatos a deputados estaduais e federais na sede do partido Democrata, Witzel afirmou que as investigações recentes sobre corrupção na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ) e as possíveis delações premiadas de figuras centrais da política local comprovam sua tese. Para o ex-governador, sua queda foi o resultado de uma resistência em ceder a pressões de grupos que, segundo ele, cooptaram o Estado por meio de práticas ilícitas e influência do crime organizado.

O embate contra o sistema e as acusações de corrupção

Witzel foi enfático ao traçar um paralelo entre sua gestão e o cenário atual, mencionando que o isolamento político que sofreu foi o preço pago por não aderir ao esquema de "mesadão" que supostamente envolveria diversos parlamentares fluminenses. Ele destacou que a unanimidade em sua votação de impeachment, contrastada com a proteção dada a outros políticos, é a prova cabal de uma articulação espúria. "O Estado vem sendo ocupado por criminosos e mafiosos", declarou, reforçando que sua trajetória no Judiciário o impediu de se render às práticas da velha política.

O ex-governador também comentou sobre a atuação do atual governador interino, Ricardo Cotta, elogiando as auditorias em contratos e o combate a funcionários fantasmas — medidas que, segundo Witzel, são a continuidade do trabalho que ele iniciou em 2019. Ele argumentou que os outros candidatos que se apresentam para o pleito de 2026 são "candidatos do sistema", focados em manter o status quo enquanto as favelas crescem e a população mais pobre permanece desassistida.

A dívida com a união e o perdão necessário

Um dos pontos centrais de sua nova plataforma de governo é a renegociação drástica da dívida do Estado do Rio de Janeiro com a União. Witzel propôs que o povo fluminense condicione seu voto à presidência a um compromisso real de perdão dessa dívida, que consome entre dez e quinze bilhões de reais anualmente. Segundo ele, esses recursos deveriam ser destinados ao reajuste de servidores públicos, policiais e investimentos em educação, em vez de servirem para pagar uma dívida que ele classifica como "fruto da corrupção".

A estratégia de Witzel para 2026 parece focar na polarização entre "justiça" e "sistema". Ele acredita que o tempo e os fatos recentes estão trazendo à tona a verdade sobre os vilões da história política do Rio. Ao mencionar a família Bolsonaro, Witzel sugeriu que o apoio deles ao seu impeachment foi um erro estratégico grave, cujos números e resultados sociais do governo sucessor provariam a falha na reflexão política daquele momento.

O futuro político e a busca pela redenção nas urnas

A pré-candidatura de Wilson Witzel promete ser um dos eixos de maior tensão no próximo ciclo eleitoral. Com um discurso de "resistência" e "libertação", ele tenta canalizar a insatisfação popular com os sucessivos escândalos de corrupção que assolam o estado. A narrativa de que foi um "juiz federal tirado do poder por não ser corrupto" será o pilar central de sua comunicação com o eleitorado, buscando transformar o estigma do impeachment em uma medalha de integridade.

Resta saber como o eleitorado fluminense reagirá ao retorno de uma figura tão divisiva. Enquanto seus aliados celebram o que chamam de "momento de alegria e verdade", seus adversários certamente utilizarão os mesmos registros históricos para questionar sua competência administrativa. O embate jurídico e político está apenas começando, e o Rio de Janeiro, mais uma vez, se torna o epicentro de uma disputa onde a linha entre o Direito e a Política se torna cada vez mais tênue.

Bio: Wilson Witzel

Wilson José Witzel é um ex-juiz federal e político brasileiro que governou o estado do Rio de Janeiro entre 2019 e 2020. Com sólida formação jurídica, atuou como magistrado por dezessete anos antes de ingressar na política, sendo eleito em 2018 com uma plataforma de combate rigoroso à criminalidade e à corrupção. Após o processo de impeachment, Witzel manteve-se ativo no debate público, defendendo sua inocência e apontando falhas sistêmicas no processo político fluminense. Atualmente, busca retomar sua trajetória pública focando na reestruturação financeira do Estado e na modernização da gestão pública baseada em auditorias e transparência.

Por Ralph Lichotti, Robson Talber @robsontalber 

Repórter, Antonio Lemos @djportugues

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Fontes: Entrevista exclusiva ao Jornal da República; Registros do Tribunal Especial de Julgamento; Dados do Tesouro Nacional sobre a dívida do RJ.

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Por Ultima Hora em 08/06/2026
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