Operação Unha e Carne III: Bacellar preso novamente sob acusação de colaboração com facção criminosa

Ex-presidente da Alerj detido pela PF em Teresópolis por suspeita de obstrução de investigação e envolvimento com crime organizado

Operação Unha e Carne III: Bacellar preso novamente sob acusação de colaboração com facção criminosa

Ex-presidente da Alerj é detido em Teresópolis por ordem do STF em investigação sobre vazamento de informações sigilosas para crime organizado

O deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil), ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), foi preso pela Polícia Federal nesta sexta-feira (27) em sua residência em Teresópolis. A ação ocorreu com base em mandado expedido pelo Supremo Tribunal Federal e integra a Operação Unha e Carne III, que também cumpriu mandados de busca e apreensão. Esta é a segunda prisão de Bacellar em quatro meses, reforçando evidência de envolvimento suspeito com facção criminosa e obstrução de investigações policiais.

Bacellar foi conduzido à Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro para registro da prisão. O procedimento ocorre em momento em que a Procuradoria-Geral da República segue com denúncia formal contra o deputado, acusando-o de envolvimento em vazamento de informações sigilosas que prejudicaram operação policial contra integrantes do Comando Vermelho. A situação marca novo passo em investigação que revelou possível infiltração de estruturas criminosas na máquina política estadual.

A primeira prisão e o vazamento que iniciou tudo

Em 3 de dezembro de 2025, Bacellar foi preso pela primeira vez no âmbito da mesma operação. Na ocasião, a Polícia Federal apontava suspeitas de que ele teria vazado informações sigilosas sobre a Operação Zargun — ação policial destinada a prender TH Joias (Thiago Raimundo de Brito), ex-deputado estadual licenciado com conexões suspeitas com organizações criminosas. O vazamento teria permitido que investigados removessem materiais antes da ação da Polícia Federal.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, ao decretar a primeira prisão, mencionou "fortes indícios" da participação de Bacellar no vazamento. Na decisão que mandou prender o ex-presidente da Alerj, Moraes ressaltou questão mais grave: a possível infiltração de facções criminosas na estrutura política do estado do Rio de Janeiro. Para o magistrado, não se tratava apenas de vazamento pontual, mas de possível comprometimento institucional de cargos estratégicos.

A denúncia formal da PGR

Em 16 de março de 2026, a Procuradoria-Geral da República formalizou denúncia contra Bacellar, TH Joias e um desembargador federal. A acusação centra-se em obstrução de investigação envolvendo facção criminosa. Conforme documento protocolado, o grupo investigado teria recebido informações sigilosas sobre operação policial e utilizado essas informações para interferir no curso da investigação, removendo materiais e pessoas antes da ação da Polícia Federal.

A denúncia marca ponto crítico na investigação. Ela formaliza suspeita de que parlamentar — cargo que deveria representar interesse público — atuou em favor de estrutura criminosa. As acusações incluem obstrução de justiça, envolvimento com organizações criminosas e vazamento de dados classificados. Para procuradores, atos de Bacellar não constituem erros isolados, mas parte de padrão de comportamento voltado para proteção de integrantes de facção.

A Operação Unha e Carne e sua abrangência

A Operação Unha e Carne, cujo nome traz referência a expressão que significa colaboração próxima, foi deflagrada para investigar vazamento de informações sigilosas e possível infiltração de crime organizado em estruturas públicas. A primeira fase, em dezembro de 2025, concentrou-se em Bacellar. A segunda fase, em março de 2026, expandiu investigação para incluir desembargadores, empresários e outros agentes públicos.

A terceira fase, em andamento nesta sexta-feira, continua expandindo escopo da operação. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em diversos endereços. O objetivo é levantar documentação que comprove envolvimento de investigados com atividades de crime organizado e com vazamento de operações policiais. A operação, coordenada pela Polícia Federal sob direção do STF, representa resposta institucional a suspeitas de comprometimento de estruturas de poder.

Bacellar licenciado mas ainda deputado

Aspecto relevante é que Bacellar permanece como deputado estadual, ainda que licenciado. Sua cassação foi determinada pelo TSE em março de 2026, porém a formalização de perda de mandato segue processos burocráticos. Isso significa que, tecnicamente, ele mantém direitos e imunidades parciais de parlamentar. Contudo, tais proteções não se estendem a crimes alegadamente cometidos em favor de crime organizado.

A situação coloca questão delicada: quando depurado deixa de merecer proteção institucional? A justiça tem entendido que acusações de envolvimento com crime organizado superam qualquer consideração de imunidade, justificando prisão preventiva. Bacellar, portanto, enfrenta situação de parlamentar investigado por crimes que transcendem políticos — trata-se de alegação de compromisso com estrutura criminosa.

A rede de envolvidos

TH Joias (Thiago Raimundo de Brito), ex-deputado estadual que era alvo original da Operação Zargun, também foi denunciado. A acusação contra ele inclui relações com Comando Vermelho e recebimento de informações sigilosas que lhe permitiram interferir em investigação. Um desembargador federal também foi indiciado por participação na trama. Esses desenvolvimentos sugerem que investigação revelou teia mais ampla de envolvimento de agentes públicos com crime organizado.

A empresa TH Joias, negócio de joias onde o ex-deputado atuava, também integra investigação. Conforme acusação, a empresa teria sido utilizada para operações que envolviam Comando Vermelho. A combinação de cargo público, negócio privado e facção criminosa forma quadro que procuradores descrevem como comprometimento institucional significativo.

Reações e consequências políticas

A prisão de Bacellar causa impacto político no Rio de Janeiro. Como ex-presidente da Alerj — casa que aprovou legislação importante e que selecionou novo presidente nas últimas semanas — sua investigação por crime organizado representa envergonha para instituição legislativa. A Alerj, já abalada por pressão de crime organizado, vê revelado que seus próprios líderes podem ter-se alinhado com estruturas criminosas.

Politicamente, a situação enfraquece União Brasil no Rio. Partido onde Bacellar filiou-se enfrenta questões sobre critério de seleção de candidatos e sobre vigilância quanto a envolvimento com crime. O presidente da Alerj, Douglas Ruas (PL), eleito dias atrás, herda desafio de restaurar confiança em instituição que viu seu antecessor preso por suspeita de colaboração com facção.

O padrão que preocupa

A investigação, como um todo, revela padrão preocupante: possível aliança entre estruturas políticas e crime organizado. Bacellar não é primeiro caso. Investigações anteriores revelaram outras tentativas de facções de influenciar decisões legislativas e judiciárias. O que torna caso de Bacellar significativo é que trata-se de deputado que ocupava posição estratégica na estrutura legislativa estadual.

Procuradores, ao descreverem a operação, utilizaram linguagem que sugere preocupação profunda com comprometimento institucional. Menção a "infiltração" de crime organizado na política não é mera acusação criminal. É diagnóstico de que estrutura democrática enfrenta ameaça interna de agentes públicos colaborando com organizações criminosas. Essa ameaça é qualitativa: não trata-se de corrupção tradicional, mas de possível transformação de estruturas políticas em extensões de facções criminosas.

Perspectivas para o caso

Bacellar enfrenta processo criminal cuja conclusão pode levar meses ou anos. Imediatamente, sua defesa pode requerer liberdade, apresentar argumentos sobre investigação. A prisão é preventiva — não representa condenação, apenas medida cautelar para assegurar que investigado não interfira em investigação ou cometa novos crimes. Contudo, acumulação de evidências apresentadas pela Polícia Federal e pela PGR sugere caso sério.

Para Rio de Janeiro, a consequência é institucional. Descoberta de possível infiltração de crime organizado em estruturas legislativas levanta perguntas sobre quantas outras figuras políticas podem estar comprometidas. Operação Unha e Carne, ao prosseguir, revelará se padrão de Bacellar foi isolado ou sistemático. A resposta determinará se democracia fluminense enfrenta crise superficial ou profunda.

Fontes: G1 Globo | Folha de S.Paulo | CNN Brasil | Metrópoles | Agência Brasil (EBC) | Supremo Tribunal Federal (STF) | Polícia Federal | Procuradoria-Geral da República (PGR) | Migalhas | UOL Política

#RodrigoBacellar #Alerj #ComandonVermelho #OperaçãoUnhaeCarne #STF #AlexandreDeMoraes #CrimeOrganizado #JustiçaCriminal #PolíciaFederal #DemocraciaFluminense

Por Ultima Hora em 27/03/2026
Aguarde..