OPORTUNIDADE NÃO TEM IDEOLOGIA. TEM FLUXO DE CAIXA.

BRICS Pay

OPORTUNIDADE NÃO TEM IDEOLOGIA. TEM FLUXO DE CAIXA.

Rio de Janeiro, 22 de fevereiro de 2026

Em 2024, na cúpula do BRICS em Kazan, foi apresentado o BRICS Pay, com registros públicos de uso do aplicativo para pagamentos no varejo na Rússia. Esse é o fato.

O resto é ruído.

Desde então, uma frase tem circulado em rodas empresariais e diz mais sobre insegurança do que sobre economia:
“Isso aí é coisa de comunista.”

Se o Barão de Mauá estivesse vivo, ele não discutiria rótulo.
Ele faria uma pergunta objetiva: isso reduz custo e amplia mercado?

Negócio nunca foi sobre simpatia ideológica.
Sempre foi sobre eficiência.

Infraestrutura não tem lado. Tem resultado.

Mauá enfrentou o Império Britânico, enfrentou conservadores do Segundo Reinado e enfrentou banqueiros. Não porque fosse de esquerda ou de direita, mas porque entendia algo simples: quem controla infraestrutura controla prosperidade.

Hoje não estamos falando de ferrovia.
Estamos falando de transporte de dinheiro.

O BRICS Pay aparece como proposta de reduzir fricção em pagamentos transfronteiriços entre países do bloco. Na prática, significa tentar encurtar caminhos, reduzir intermediações e diminuir custo de transação.

Você pode discordar da geopolítica.

Mas o seu concorrente não está discutindo geopolítica.
Ele está calculando margem.

Chamar de “comunista” paga boleto?

Se uma empresa fluminense exporta para China, Índia ou Rússia, o dinheiro normalmente passa por múltiplas conversões, spreads, bancos correspondentes e prazos. Cada etapa consome margem.

Se houver mecanismo que reduza essa fricção, o impacto é matemático:
menos custo → mais competitividade → maior capacidade de investir e empregar.

Rótulo não reduz spread.
Planilha reduz.

O Rio não pode virar espectador

O Rio de Janeiro concentra porto, petróleo, gás, turismo internacional e comércio exterior.

Se surgir um arranjo que facilite recebimento de exportações ou pagamento de turistas vindos de países do BRICS, isso é oportunidade econômica.

Mas há um ponto essencial:

Qualquer integração só é legítima e sustentável se estiver integralmente enquadrada no perímetro regulatório brasileiro, sob supervisão do Banco Central, respeitando o Sistema de Pagamentos Brasileiro, a legislação de prevenção à lavagem de dinheiro e a Lei Geral de Proteção de Dados.

Inovação sem governança vira risco.
Inovação com governança vira vantagem competitiva.

Não é ideologia.
É engenharia financeira com responsabilidade institucional.

Consequência sistêmica

Infraestrutura financeira define velocidade econômica.

Quem integra primeiro aprende primeiro, negocia melhor, fecha parcerias estratégicas e consolida padrão operacional.

Quem entra depois paga mais caro.

Mercado não espera consenso ideológico.
Mercado responde a eficiência.

Quem paga a conta?

Se o debate continuar preso a rótulos:

– o empresário paga em spread;
– o trabalhador paga em menor dinamismo;
– o consumidor paga em preço;
– o contribuinte paga na perda de competitividade.

Se o debate migrar para eficiência e enquadramento responsável:

– o comércio ganha;
– o turismo ganha;
– a cidade ganha.

A pergunta incômoda

Enquanto alguém diz “é coisa de comunista”, outro está negociando contrato, testando integração e reduzindo custo.

O mercado não vota.
O mercado compra.

O Barão de Mauá não perguntaria de que lado isso está.
Perguntaria quem vai ganhar com isso — e como estruturar dentro da lei para capturar o ganho.

O resto é conversa.

E conversa não gera fluxo de caixa.

Jorge Tardin
Engenharia Jurídica
Coluna: Quem Paga a Conta

Por Ultima Hora em 22/02/2026
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