Paes enfrenta inquérito por desapropriar supermercado para projeto da FGV

Inquérito apura legalidade de decreto que retirou supermercado para "renovação urbana"

Paes enfrenta inquérito por desapropriar supermercado para projeto da FGV

Ministério Público investiga desapropriação controversa em Botafogo

O Ministério Público do Rio de Janeiro abriu inquérito civil para investigar a desapropriação de um imóvel comercial em Botafogo, na Zona Sul carioca, determinada pelo prefeito Eduardo Paes em novembro de 2025. O caso envolve questionamentos sobre a legalidade do processo e possíveis irregularidades na justificativa apresentada pela administração municipal.

Decreto municipal gera polêmica

O imóvel localizado na Rua Barão de Itambi abrigava anteriormente um supermercado do Grupo Sendas, que foi alugado pelo Grupo Pão de Açúcar até agosto de 2025. A rede Mundial havia programado a inauguração de sua segunda unidade em Botafogo para janeiro de 2026, mas teve os planos interrompidos pela decisão municipal. O decreto de desapropriação cita como finalidade a "renovação urbana", estabelecendo um valor específico para interessados na aquisição do espaço.

A medida gerou reações imediatas no cenário político local. O vereador Pedro Duarte, sem partido, protocolou representação junto ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas do Município questionando possíveis "vícios de legalidade, legitimidade e violação ao princípio da impessoalidade". O parlamentar solicitou investigação detalhada sobre os critérios utilizados pela prefeitura para justificar a desapropriação.

Grupo empresarial contesta decisão na Justiça

Paralelamente ao inquérito do MP, o Grupo Sendas, proprietário do imóvel, ingressou com ação judicial contra a decisão municipal. Arthur Sendas Filho, presidente da empresa, questiona formalmente a legalidade do processo de desapropriação, alegando irregularidades no procedimento adotado pela administração Paes.

A empresa argumenta que a desapropriação não atende aos requisitos legais necessários, especialmente quanto à comprovação do interesse público e à adequada justificativa para a medida extrema. O caso tramita na Justiça estadual, onde será analisada a validade jurídica do decreto municipal.

FGV como beneficiária final do projeto

Em resposta às críticas, o prefeito Eduardo Paes revelou que a desapropriação atende a uma solicitação da Fundação Getúlio Vargas. Segundo o chefe do Executivo municipal, a instituição de ensino pretende instalar no local um centro de pesquisas especializado em inteligência artificial, justificando assim o interesse público na operação.

A explicação, contudo, não diminuiu as suspeitas sobre o processo. Especialistas em direito administrativo apontam que desapropriações para beneficiar instituições privadas, mesmo que de caráter educacional, devem seguir critérios rigorosos de transparência e comprovação inequívoca do interesse coletivo.

Investigação ministerial em andamento

O inquérito civil instaurado pelo MPRJ focará na análise da documentação que fundamentou a desapropriação, verificando se foram observados todos os requisitos legais exigidos para este tipo de medida. Os promotores examinarão especialmente se houve adequada justificativa do interesse público e se o procedimento respeitou os princípios da administração pública.

A investigação também abrangerá a análise dos valores estabelecidos para a desapropriação, verificando se correspondem ao preço de mercado do imóvel e se foram calculados com base em critérios técnicos apropriados. O MP poderá solicitar perícias independentes para avaliar a correção dos valores propostos pela prefeitura.

#EduardoPaes #Botafogo #Desapropriação #MPRJ #FGV #GrupoSendas #PedroDuarte #RenovaçãoUrbana #InteligênciaArtificial #ZonaSul

 

Por Ultima Hora em 15/01/2026
Aguarde..