Pai Wesley rebate fala de ex volante do Vasco sobre Intolerância Religiosa

Uma declaração publicada nas redes sociais pelo ex-jogador Souza reacendeu o debate sobre intolerância religiosa no futebol brasileiro

Pai Wesley rebate fala de ex volante do Vasco sobre Intolerância Religiosa

Ao comentar o momento vivido pelo Club de Regatas Vasco da Gama, o ex-atleta afirmou que o clube precisaria de uma “limpeza espiritual” no estádio e mencionou a existência de supostos rituais com sangue de animais, sugerindo que essas práticas poderiam estar influenciando negativamente o desempenho da equipe.

A declaração rapidamente repercutiu nas redes sociais e gerou reações de lideranças religiosas, que alertam para o risco de associar práticas de fé a algo negativo ou prejudicial.

Entre os que se manifestaram está o sacerdote Pai Wesley, que classificou esse tipo de associação como perigosa e socialmente irresponsável.

Segundo ele, quando manifestações religiosas são relacionadas ao fracasso, ao mal ou a qualquer tipo de prejuízo, reforçam estigmas históricos que já colocam muitos praticantes em situação de vulnerabilidade.

Quando se associam práticas religiosas ao fracasso ou ao mal, ainda que de forma indireta, isso reforça estigmas históricos que colocam pessoas em risco. "Sacralização é um ato de fé, não de maldade", afirma.

De acordo com o religioso, a sacralização é um ritual presente em diversas tradições espirituais ao longo da história da humanidade e não deve ser interpretado de forma pejorativa. Ele explica que, em diferentes culturas, práticas simbólicas representam pedidos, agradecimentos e demonstrações de devoção.

É simbologia de entrega, de pedido, de devoção. “Não é ataque, não é prejuízo, não é energia negativa”, diz.

Crescimento das denúncias no Brasil.

O episódio ocorre em um momento de aumento nos registros de intolerância religiosa no país. Dados do Disque 100 apontam que, no último ano, foram registradas cerca de 2,7 mil denúncias, um crescimento de 12,5% em relação ao ano anterior, quando foram contabilizados aproximadamente 2,4 mil casos.

As ocorrências registradas chegaram a 4,4 mil violações em 2025, indicando que muitas vítimas sofreram mais de um tipo de violência em uma mesma situação. Somente em janeiro de 2026, já foram registradas 51 denúncias.

Especialistas alertam que declarações públicas que associam determinadas crenças a algo negativo podem contribuir para fortalecer preconceitos já existentes na sociedade.

Futebol, fé e responsabilidade pública.

Para o Pai Wesley, a discussão ultrapassa o campo religioso e se insere também no debate social. Segundo ele, o futebol é um espaço plural, frequentado por pessoas de diferentes crenças, culturas e visões de mundo.

“O futebol une pessoas de todas as crenças. Uma figura pública precisa ter responsabilidade com o impacto de suas palavras. Não se trata de atacar ninguém, mas de defender o direito constitucional de exercer a fé sem ser associado ao mal”, afirma.

O caso reacende a discussão sobre o papel de atletas e ex-atletas na formação de opinião pública e sobre a importância do respeito à diversidade religiosa dentro e fora do esporte.

Por Ultima Hora em 23/02/2026
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