Pesquisa Gerp de Março de 2026: Flávio Bolsonaro cresce 11 pontos em 3 meses e vence no 2º turno ameaçando hegemonia de Lula nas pesquisas

Lula mantém vantagem em cenários eleitorais enquanto Flávio Bolsonaro reduz distância

Pesquisa Gerp de Março de 2026: Flávio Bolsonaro cresce 11 pontos em 3 meses e vence no 2º turno ameaçando hegemonia de Lula nas pesquisas

A paisagem política brasileira em março de 2026 apresenta um quadro de relativa estabilidade com Lula e Flávio Bolsonaro dominando o debate eleitoral, segundo levantamento inédito da GerpCati realizado entre 20 e 25 de março. A pesquisa quantitativa com 2 mil entrevistados revela cenários que apontam disputas cerradas nos segundo turnos e uma eleição presidencial que ainda não encontrou seu desfecho definido.

Os Números da Disputa Presidencial

No cenário estimulado, Lula lidera com 38% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro com 36%. A margem entre os dois candidatos é tão reduzida que entrada em sua margem de erro de +/- 2,24 pontos percentuais. Ciro Gomes aparece com 7%, enquanto Ratinho Jr, Romeu Zema e Ronaldo Caiado dividem os demais votos com 4%, 3% e 3% respectivamente.

O que distingue este quadro dos levantamentos anteriores é a trajetória de Flávio Bolsonaro. Em dezembro de 2025, o candidato iniciava com apenas 25% de intenção de voto, fato que o colocava significativamente atrás de Lula. Ao longo dos meses janeiro e fevereiro de 2026, sua curva cresceu consistentemente, atingindo 35% em janeiro e 36% em março. Esse movimento representa uma redução de apenas dois pontos percentuais em relação a Lula em apenas três meses.

Lula, por seu turno, mantém-se mais estável. Iniciou dezembro com 34%, alcançou 39% em janeiro e consolidou 38% em março. Sua base de apoio demonstra maior consistência, mas enfrenta pressão crescente do challenger bolsonarista.

O Perfil do Eleitorado Brasileiro

Os 2 mil entrevistados refletem a composição demográfica brasileira com precisão. A região Sudeste concentra 43% dos respondentes, seguida pela Nordeste com 27%. Quanto ao sexo, a divisão é próxima: 54% de mulheres e 46% de homens. A faixa etária revela que 25% dos eleitores têm entre 35 e 44 anos, enquanto 22% possuem entre 45 e 59 anos. Jovens de 16 a 17 anos representam apenas 1% da amostra.

A religião mostra-se fator importante: 49% declaram-se católicos, 23% evangélicos, 4% espíritas, 3% umbandistas e 16% sem religião. Em nível de instrução, 46% possuem ensino fundamental, 34% médio e 20% superior. Economicamente, 32% ganham entre um e dois salários mínimos, enquanto 24% auferem entre dois e cinco salários mínimos mensais.

Politicamente, 46% identificam-se com o centro, 24% com a esquerda e apenas 18% com a direita, revelando eleitorado que se posiciona menos radicalizado ideologicamente.

Lula e Flávio em Segundo Turno: Cenários Críticos

Quando simulados os segundo turnos, o quadro se torna mais competitivo. Em disputa contra Lula, Flávio obtém 45% contra 48% do presidente incumbente — uma desvantagem de apenas 3 pontos percentuais. Este é o cenário mais crítico para Lula entre todos os simulados.

Contra Ciro Gomes, Lula vence mais confortavelmente com 39% contra 38%, mantendo margem de apenas 1 ponto. Contra Ratinho Jr, a vitória é mais clara: 42% contra 42%, tecnicamente empatada, mas com Lula tendo maior consolidação. Contra Romeu Zema, Lula lidera com 45% contra 41%. Contra Ronaldo Caiado, a distância amplia-se: 44% contra 37%.

Os números sugerem que quanto mais conhecido o adversário de Lula, mais competitiva a disputa. Flávio Bolsonaro, apoiado pela máquina federal anterior e com ampla cobertura midiática, apresenta-se como o rival mais desafiador.

Rejeição: O Fator Silencioso da Eleição

Enquanto intenção de voto mostra Lula e Flávio muito próximos, rejeição de voto apresenta quadro distinto. Lula é rejeitado por 51% dos eleitores — aqueles que jamais votariam nele. Flávio Bolsonaro é rejeitado por 45%. Esta diferença de 6 pontos percentuais pode ser determinante caso o eleitor indeciso mostre-se mais disposto a votar em quem rejeita menos.

Romeu Zema é rejeitado por apenas 16%, Eduardo Leite por 16%, e Ratinho Jr por 15%. Estes números mostram que candidatos com menor circulação nacional desfrutam de menos polarização.

A rejeição concentra-se fortemente em linha ideológica. Lula é rejeitado por 82% da direita, enquanto Flávio Bolsonaro é rejeitado por 95% da esquerda. Estes números revelam polarização que transcende simples competição eleitoral.

A Decisão Ainda Por Vir

Um ponto crucial emerges da análise de decisão de voto. Entre apoiadores de Lula, 83% declaram voto totalmente decidido — o que indica baixa volatilidade. Entre apoiadores de Flávio, apenas 39% possuem voto totalmente decidido. Isto significa que a campanha de Bolsonaro enfrenta desafio de consolidar apoio que ainda apresenta considerável margem de mudança.

Ciro Gomes possui 85% de votação decidida em sua base, enquanto Ronaldo Caiado tem apenas 52%. Romeu Zema, Ratinho Jr e Eduardo Leite apresentam índices similares de volatilidade no interior de suas bases.

Problemas que Moldam o Debate

O eleitor, segundo a pesquisa, está mais pressionado por problemas econômicos e sociais do que por temas ideológicos. Violência e falta de segurança policiamento ocupam topo das preocupações com 39%. Corrupção aparece em segundo com 35%, seguida por falta de hospitais (19%), impostos altos (17%) e custo de vida elevado (16%).

A agenda econômica e de segurança pública, portanto, estrutura o debate muito mais que divisões ideológicas abstratas.

Avaliação do Governo Lula

O governo federal é aprovado por 42% dos entrevistados e desaprovado por 52%. Lula pessoalmente é avaliado como ótimo ou bom por 35% (16% ótimo, 19% bom), regular por 15%, ruim ou péssimo por 47% (6% ruim, 41% péssimo). A média de avaliação é 2,62 em escala que varia de 1 a 5.

Regionalmente, Lula encontra maior aprovação no Nordeste (48% de aprovação) e menor no Centro-Oeste (23%). Ideologicamente, recebe 91% de aprovação entre os de esquerda, 26% entre os de centro e apenas 12% entre os de direita. Este é o padrão esperado em eleição altamente polarizada.

Cenários Múltiplos: A Variável Flávio Bolsonaro

A pesquisa simulou quatro cenários distintos. No cenário 1, com Flávio como candidato, Lula lidera com 38% contra 36%. No cenário 2, substituindo Flávio por outro candidato bolsonarista (sem Flávio), Lula lidera 38% contra 37%. No cenário 3, invertendo a ordem, Flávio lidera 37% contra Lula com 37% — empatados. No cenário 4, com Eduardo Leite no lugar de Flávio, Flávio lidera 40% contra 38% de Lula.

Estes cenários revelam que a candidatura de Flávio Bolsonaro é crítica para a competitividade de qualquer alternativa ao governo Lula. Sem ele, a vantagem de Lula amplia-se. Com outros nomes, o resultado varia significativamente.

Conhecimento Político

Conhecimento dos candidatos mantém-se muito elevado. Lula e Bolsonaro (ex-presidente) possuem reconhecimento de 93% e 89% respectivamente. Flávio Bolsonaro saltou de 80% em dezembro para 88% em março — crescimento de 8 pontos percentuais em sua notoriedade.

Candidatos menores como Romeu Zema (75%), Ronaldo Caiado (72%) e Ratinho Jr (77%) também desfrutam de boa penetração eleitoral, ainda que inferior aos dois principais nomes.

Vice-Presidência: O Debate Secundário

Para eventual chapa de Lula, Geraldo Alckmin lidera as preferências com 30%, seguido por Guilherme Boulos com 15%. Para chapa de Flávio Bolsonaro, Romeu Zema lidera com 27%, enquanto Tereza Cristina obtém 26%.

O fato de que Alckmin, já vice de Lula, lidera entre seus apoiadores sugere consolidação de uma coligação bem definida. Para o lado bolsonarista, Romeu Zema e Tereza Cristina mostram-se praticamente empatados, revelando ainda indefinição na escolha.

Análise: Polarização Que Permanece

A pesquisa da GerpCati de março de 2026 retrata nação profundamente dividida. Lula e Flávio Bolsonaro dominam o cenário de forma que qualquer outro candidato parece secundário. A redução da distância entre Lula (38%) e Flávio (36%) sugere dinâmica em que o desafiante ganha terreno enquanto o incumbente consolida seu patamar. Porém, rejeição de Lula (51%) significativamente maior que rejeição de Flávio (45%) representa fator que pode influenciar comportamento do eleitor ainda não totalmente decidido.

Os problemas econômicos — custo de vida elevado, impostos altos, desemprego — estruturam preferências mais que qualquer discussão ideológica. Isto é informação crucial para campanha que desejar expandir base de apoio.

O eleitor, segundo este levantamento, permanece volátil. Flávio Bolsonaro concentra apenas 39% de seu eleitorado com voto completamente decidido, enquanto Lula concentra 83%. Esta assimetria de consolidação será determinante nos meses que anteciparem outubro.

Metodologia 

A pesquisa ouviu 2.000 pessoas. Os dados foram ponderados de acordo com sexo, faixa etária, renda do chefe do domicílio e regiões do país. A margem de erro é de 2,24 pontos percentuais, com nível de confiança de 95,55%. As entrevistas foram realizadas entre os dias 20 e 25 de março de 2026. Ela está registrada no TSE com o número BR-02846/2026

Fontes

GerpCati | Opinião Pública | Base: 2.000 entrevistas | Confiança: 95,5% | Período: 20 a 25 de março de 2026 | Margem de erro: +/- 2,24 pp | Registrada no TSE sob número BR-02846/2026

 

Por Ultima Hora em 27/03/2026
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