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De uma forma geral, grande parte do eleitorado já sabe quem vai apoiar meses antes das eleições.
No entanto, na política brasileira dos últimos anos, outro ponto também passou a importar: em quem esse eleitor não votaria de jeito nenhum?
Foi esse ponto que a última pesquisa Nexus/BTG Pactual tentou medir.
Além de perguntar sobre intenção de voto para 2026, o levantamento pediu que os entrevistados dessem uma nota de 0 a 10 em relação às seguintes alternativas: “Sou Anti-Lula” e “Sou Anti-Bolsonaro (e sua família”).
Na escala, 0 significa “discordo totalmente”, 5 significa “nem concordo nem discordo” e 10 significa “concordo totalmente”.
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Com essas respostas, o instituto dividiu os eleitores em grupos
O resultado mostra um país dividido e com quase metade do eleitorado fora da disputa mais dura entre Lula e Bolsonaro.
Na média geral, os sentimentos de rejeição ficaram praticamente empatados. O índice “Anti-Lula” marcou 5,3 pontos. O “Anti-Bolsonaro” ficou em 5,1.
Esse dado ajuda a explicar por que a eleição segue concentrada em torno dos dois principais campos políticos do país, mesmo quando outros nomes aparecem nas pesquisas.
De acordo com o levantamento, 52% do eleitorado está nos extremos da polarização.
De um lado estão os eleitores mais alinhados a Lula, que representam 26%. São pessoas com forte rejeição a Bolsonaro e baixa rejeição ao atual presidente.
Do outro estão os eleitores mais alinhados a Bolsonaro, também com 26%. Nesse caso, o movimento é o inverso: forte rejeição a Lula e baixa rejeição ao ex-presidente.
Esses dois grupos formam as bases mais engajadas da política nacional. São eleitores mais mobilizados e mais difíceis de serem convencidos pelo campo adversário.
Pesquisa também mostra que o Brasil não se resume a esses dois lados.
O maior grupo fora das pontas é o dos não polarizados, com 21% do eleitorado. São pessoas que não demonstram forte rejeição nem a Lula nem a Bolsonaro.
Esse grupo pode ser decisivo em uma eleição apertada, justamente porque não está preso com a mesma intensidade à disputa entre os dois nomes.
Há ainda 8% de eleitores que rejeitam Lula e Bolsonaro ao mesmo tempo. É o espaço mais próximo de uma possível terceira via, que tem como principais representantes Renan Santos, Zema e Caiado.
Existem ainda aqueles eleitores que não aderem totalmente a um dos lados, mas veem um dos nomes como alternativa diante do outro.
Nesse recorte, 7% enxergam Bolsonaro como alternativa. Outros 6% veem Lula dessa forma.
A divisão muda conforme religião, renda e região.
Entre evangélicos, os eleitores mais alinhados a Bolsonaro chegam a 31%, contra 18% dos mais alinhados a Lula.
Entre católicos, o cenário é equilibrado: 28% estão mais próximos de Lula e 27% de Bolsonaro. Entre pessoas sem religião, Lula tem vantagem maior: 33% contra 10%.
Na renda, Bolsonaro cresce entre os eleitores que ganham mais de 5 salários mínimos. Nesse grupo, 31% estão mais alinhados ao ex-presidente, contra 28% ao atual.
Entre os que recebem até 1 salário mínimo, há equilíbrio: 24% estão mais próximos de Lula e 23% de Bolsonaro. Mas esse também é o grupo com mais eleitores não polarizados, com 26%.
No recorte regional, o Nordeste aparece como o território mais favorável a Lula, com 30% de eleitores convictos, contra 24% de Bolsonaro. No Sul, ocorre o inverso: 31% estão mais alinhados a Bolsonaro, contra 24% a Lula.
O quadro mostra que o Brasil está dividido e que, embora Lula apareça em vantagem na pesquisa, ainda há muitos detalhes capazes de definir os rumos da próxima eleição.
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