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A conversa no Palácio do Planalto entre Lula, Eduardo Paes e André Ceciliano teve menos diplomacia e mais cálculo político do que aparentou à primeira vista. Em dado momento, Lula avisou que faria dois pedidos ao prefeito do Rio. Paes, no seu estilo cordial, abriu o jogo: pedidos não seriam problema. Eram.
O primeiro veio direto: Lula precisava dos votos do partido de Paes na Assembleia Legislativa para eleger André Ceciliano. Paes tentou contemporizar, mas o presidente foi cirúrgico. Caso Ceciliano vencesse, assumiria apenas como governador interino e, na eleição seguinte, seria o nome do PT para ocupar a vice na chapa de Paes. O recado foi claro — e deixou o prefeito visivelmente desconfortável.
Nos números apresentados por Ceciliano, a conta parecia fechada. Haveria cerca de 15 votos ligados ao grupo de Rodrigo Bacellar. Somados aos 6 do PSD, 5 do PSOL, 2 do PCdoB, 2 do PSB e 6 do PT, chegava-se a 36 votos. Maioria construída no papel.
Paes, porém, levantou um ponto sensível: Quaquá não garantiria apoio a Ceciliano. Lula cortou curto. Disse que desse assunto cuidaria pessoalmente — e que Quaquá faria o que fosse necessário.
Veio então o segundo pedido, ainda mais explícito. Para “garantir” o resultado, Lula sugeriu que Martha Rocha fosse exonerada no dia da votação, permitindo que participasse do pleito e elevasse o placar para 37 votos. A maioria confortável que sela acordos.
Paes reagiu com um sorriso amarelo e lançou a pergunta que realmente importava: e se Ceciliano, depois de sentado na cadeira, resolvesse disputar o governo por conta própria? Lula não titubeou na resposta: isso só aconteceria se Paes resolvesse não apoiá-lo.
Nos bastidores, ficou claro que não se tratava apenas de uma eleição indireta, mas de um movimento estratégico para organizar o tabuleiro de 2026. No Planalto, o jogo já começou — e ninguém ali parecia disposto a jogar sem garantias.
Por: Arinos Monge.
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