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Topázio Neto: "Mais Brasil e menos Brasília"
O prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, concedeu entrevista exclusiva ao Jornal da República e à Última Hora durante a 27ª Marcha dos Prefeitos em Brasília. O mandatário da capital catarinena, eleito com 58% dos votos válidos ainda no primeiro turno em 2024, falou sobre os desafios do municipalismo em ano eleitoral e cobrou compromisso real dos candidatos à Presidência da República.
"Mais Brasil e menos Brasília. E isso não é propaganda para ninguém, é a realidade", afirmou Topázio. Para ele, os municípios brasileiros vêm sendo obrigados a assumir responsabilidades sem a contrapartida de recursos federais. "Nós temos o piso do magistério, o piso da enfermagem, o piso do profissional que faz a limpeza urbana e tem outros tantos pisos que vêm por aí. Eu não sou contra, acho que cada vez mais o servidor público, o trabalhador tem que ganhar melhor, mas alguém tem que dizer como é que o município paga essa conta."
A declaração resume o tom da 27ª edição da Marcha, que reuniu gestores de todo o país no Centro Internacional de Convenções de Brasília entre os dias 18 e 21 de maio. O maior encontro municipalista da América Latina pressionou candidatos ao Palácio do Planalto a firmar compromisso com a agenda das cidades.
O modelo que deu certo
Perguntado sobre o que outros prefeitos poderiam aprender com a experiência de Florianópolis, Topázio foi direto: a aposta no setor de serviços como motor do desenvolvimento. "Florianópolis optou há muito tempo por ser uma cidade voltada à área de serviço. Nós temos trabalhado para que seja uma cidade boa para viver de quem mora lá. E se ela for boa para viver, é boa também para as pessoas virem visitar, fazer negócio, se divertir e passear."
Os números sustentam o discurso. Com 25% da arrecadação municipal vinda do setor de tecnologia, a capital catarinense ostenta o título de capital mais segura do Brasil e se consolidou como a capital nacional das startups. O turismo, naturalmente, segue como pilar econômico complementar.
Polarização e pragmatismo
Questionado sobre o ambiente político polarizado que domina o cenário nacional, Topázio não se iludiu. "Não acredito que a polarização acabe, pelo contrário, acho que o Brasil tá cada vez mais polarizado. Nós vamos ver de novo nessa eleição para presidente da República a eleição de alguém que vai representar um espectro ideológico."
Mas o prefeito fez questão de diferenciar o campo político do campo administrativo. O exemplo veio de casa: o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, distribui recursos a todos os municípios independentemente de cor partidária. "E é isso que a gente espera em nível federal."
Para Topázio, o fundamental é que, eleito o próximo presidente, a ideologia fique no debate político e não contamine a gestão administrativa. "O que nós temos que entender e querer é que quem for eleito não leve isso pra área administrativa, que fique no campo político e não no campo administrativo."
Com a eleição presidencial se aproximando, o recado do prefeito mais bem avaliado das capitais brasileiras é claro: o municipalismo não pode esperar nem ser refém das trincheiras ideológicas.

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ
Por Robson Talber @robsontalber
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