Procurador Geral do Crivella, Dr. Marcelo Marques explica como acabou com a cobrança da LINHA AMARELA durante 1 ano e tornou possível o acordo que reduziu a tarifa do pedágio pela metade

Linha Amarela: A Concessão que virou pesadelo Financeiro para o Carioca: Como um projeto de 10 anos se transformou em 40 anos de cobrança e levou o STF a intervir

Acordo no STF encerra seis anos de disputa entre Prefeitura e Lamsa e reduz tarifa em 50%

A Linha Amarela, uma das mais importantes vias expressas do Rio de Janeiro, deixa para trás um dos conflitos jurídicos mais complexos da história administrativa da cidade. Depois de quase seis anos de negociação intensa, a Prefeitura do Rio e a concessionária Lamsa chegaram a um acordo inédito junto ao Supremo Tribunal Federal, em junho de 2025, que reduz o pedágio em 50% e redefine os direitos de ambas as partes. O acordo marca um ponto de inflexão em um caso que envolveu decretos presidenciais, auditorias contestadas e a mediação da mais alta corte do país.

A origem do conflito: quando a concessão se tornou controvérsia

A história da Linha Amarela começa em 1995, quando a Lamsa recebeu a concessão para administrar os 17,4 quilômetros de via expressa que conectam a Zona Norte ao Centro do Rio. O contrato original previa uma concessão de dez anos, mas ao longo das décadas, sucessivos aditivos contratuais estenderam o prazo para mais de quarenta anos, sempre em troca de novas obras e investimentos. Essa prática, comum em contratos de concessão, gerou crescente questionamento sobre a legitimidade dos prazos e dos valores cobrados aos usuários.

A situação se agravou quando auditorias municipais começaram a questionar se a Lamsa já havia recuperado seus investimentos iniciais. Segundo análises apresentadas pela Prefeitura, a concessionária teria arrecadado mais de R$ 223,9 milhões em pedágios, valor que superaria significativamente o investimento original. Essa discrepância alimentou o debate público sobre a justiça das tarifas cobradas diariamente de centenas de milhares de cariocas.

O decreto de Crivella e a escalada da crise

Em 2019, durante a gestão do prefeito Marcelo Crivella, a tensão atingiu seu pico. A Prefeitura editou um decreto suspendendo a cobrança do pedágio, alegando que a concessionária já havia recuperado seus custos e que a continuação da tarifa violava princípios constitucionais de isonomia e interesse público. A medida foi radical: de um dia para o outro, milhares de motoristas deixaram de pagar para usar a via.

A Lamsa reagiu imediatamente, acionando a Justiça. O conflito escalou rapidamente para instâncias superiores, com ambas as partes apresentando argumentos jurídicos sofisticados. A concessionária argumentava que o decreto violava o contrato de concessão e seus direitos adquiridos. A Prefeitura contraargumentava que o interesse público e a sustentabilidade financeira da cidade justificavam a medida. O impasse parecia insolúvel através dos canais convencionais.

A mediação do STF: quando a Corte Suprema busca a conciliação

Diante da paralisia, o Supremo Tribunal Federal assumiu um papel inédito: o de mediador. Em vez de simplesmente julgar quem tinha razão, a Corte promoveu audiências de conciliação entre as partes, buscando uma solução que equilibrasse os interesses públicos e privados. Essa abordagem refletiu uma tendência crescente no Judiciário brasileiro de resolver conflitos através de mediação e conciliação, especialmente em casos que envolvem questões de interesse coletivo.

As negociações foram complexas e levaram anos. Ambas as partes precisavam fazer concessões significativas. A Prefeitura reconhecia que não poderia simplesmente anular um contrato de concessão sem consequências legais. A Lamsa, por sua vez, percebia que manter a tarifa original geraria crescente pressão política e social. O acordo final, fechado em junho de 2025, representou um ponto de equilíbrio.

Os termos do acordo: redução de 50% e continuidade da concessão

O acordo estabeleceu que o pedágio da Linha Amarela seria reduzido para R$ 3,80, representando uma queda de aproximadamente 50% em relação à tarifa anterior. Essa redução significativa reflete o reconhecimento de que a concessionária havia recuperado substancialmente seus investimentos ao longo dos anos de operação. Simultaneamente, a Lamsa mantém a concessão e continua responsável pela manutenção e operação da via, garantindo a continuidade dos serviços.

O acordo também estabeleceu novos critérios para futuras revisões tarifárias, criando um marco regulatório mais transparente e previsível. Essa estrutura busca evitar que conflitos similares se repitam no futuro, ao definir claramente como serão calculados os reajustes e quais serão os critérios para renegociação contratual.

O papel de Marcelo Silva Moreira Marques na história

Marcelo Silva Moreira Marques, jurista de renome nacional, ocupou a posição de Procurador-Geral do Município do Rio de Janeiro durante o biênio 2019-2020, período crítico do conflito. Formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e Mestre em Direito da Cidade pela UERJ, Marques é especialista em Direito Constitucional e Direito Público. Sua atuação como procurador foi fundamental para estruturar os argumentos jurídicos da Prefeitura durante as negociações iniciais.

Atualmente, Marques é doutorando em Direito Público pela Universidade de Coimbra, uma das mais prestigiadas instituições de ensino jurídico da Europa. Além de sua carreira como advogado e consultor, ele atua como professor de Direito Constitucional e Teoria Geral do Estado, contribuindo para a formação de novas gerações de juristas. Sua participação no podcast "No ritmo com você" demonstra seu compromisso com a democratização do conhecimento jurídico, tornando temas complexos acessíveis ao público geral.

Implicações para o futuro das concessões no Rio

O acordo da Linha Amarela estabelece um precedente importante para outras concessões em disputa na cidade. O modelo de mediação adotado pelo STF pode servir como referência para resolver conflitos similares envolvendo pedágios urbanos, como os que afetam outras vias expressas do Rio. A redução tarifária também reforça a tendência de maior controle sobre as margens de lucro das concessionárias, alinhando-se com demandas crescentes por transparência e justiça tarifária.

Para os usuários da Linha Amarela, a redução de 50% representa um alívio financeiro significativo. Considerando que a via é utilizada por centenas de milhares de pessoas diariamente, a economia acumulada ao longo de um ano é substancial. Além disso, o acordo reafirma o princípio de que concessões públicas devem servir ao interesse coletivo, não apenas aos interesses privados das empresas concessionárias.

Perspectivas e desafios à frente

Apesar do acordo, desafios permanecem. A Lamsa precisará otimizar suas operações para manter a qualidade dos serviços com uma receita reduzida. A Prefeitura, por sua vez, terá que monitorar o cumprimento dos termos acordados e garantir que a via continue recebendo investimentos adequados em manutenção e segurança. A sociedade civil também tem um papel importante, acompanhando a implementação do acordo e denunciando qualquer desvio dos compromissos assumidos.

O caso da Linha Amarela ilustra uma realidade cada vez mais presente no Brasil: a necessidade de renegociar contratos de concessão que se tornaram insustentáveis ou injustos. À medida que a economia evolui e as demandas sociais mudam, esses instrumentos jurídicos precisam se adaptar. O acordo alcançado no STF oferece um modelo de como isso pode ser feito de forma democrática, transparente e equilibrada.

Sobre Marcelo Silva Moreira Marques

Marcelo Silva Moreira Marques é um dos mais respeitados juristas brasileiros contemporâneos, com trajetória que combina atuação prática no setor público, pesquisa acadêmica de excelência e compromisso com a educação jurídica. Formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1991, ele consolidou sua expertise através de um mestrado em Direito da Cidade pela UERJ, instituição onde também atua como professor de Direito Constitucional e Teoria Geral do Estado.

Sua experiência profissional é vasta e diversificada. Como Procurador do Município do Rio de Janeiro desde 1995, Marques acumulou conhecimento profundo sobre os desafios jurídicos e administrativos da maior metrópole do país. Durante o biênio 2019-2020, exerceu o cargo de Procurador-Geral do Município, período em que liderou a estruturação dos argumentos jurídicos em casos de alta complexidade, incluindo o conflito da Linha Amarela. Sua atuação nesse período foi marcada por rigor técnico e sensibilidade às questões de interesse público.

Atualmente, Marques aprofunda seus estudos como doutorando em Direito Público pela Universidade de Coimbra, uma das mais antigas e prestigiadas universidades do mundo. Essa formação internacional reforça sua capacidade de compreender questões jurídicas em perspectiva comparada, enriquecendo sua análise de problemas brasileiros. Além de sua atuação acadêmica e profissional, Marques é consultor jurídico e advogado, oferecendo orientação especializada a clientes que enfrentam questões complexas de direito público e constitucional.

Seu envolvimento no podcast "No ritmo com você" reflete um compromisso pessoal com a democratização do conhecimento jurídico. Em um país onde o acesso à informação jurídica de qualidade é frequentemente limitado, Marques utiliza plataformas de comunicação popular para tornar temas complexos compreensíveis e relevantes para o público geral. Essa dedicação à educação e à transparência o posiciona como uma voz importante no debate público sobre direito, política e interesse coletivo no Brasil.

Por Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ

Repórter Antonio Lemos @djportugues

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Fontes

Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro. "Prefeitura e Lamsa chegam a acordo sobre Linha Amarela". Disponível em: https://prefeitura.rio/cidade/prefeitura-e-lamsa-chegam-a-acordo-sobre-linha-amarela/

Agência Brasil. "Prefeitura do Rio e Lamsa fecham acordo sobre pedágio na Linha Amarela". Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2025-06/prefeitura-do-rio-e-lamsa-fecham-acordo-sobre-pedagio-na-linha-amarela

Migalhas. "Marcelo Marques". Disponível em: https://www.migalhas.com.br/autor/marcelo-silva-moreira-marques

Escavador. "Marcelo Silva Moreira Marques". Disponível em: https://www.escavador.com/sobre/898997/marcelo-silva-moreira-marques

O Globo. "STF realiza audiência de conciliação entre Lamsa e prefeitura do Rio sobre disputa pela Linha Amarela". Disponível em: https://oglobo.globo.com/rio/stf-realiza-audiencia-de-conciliacao-entre-lamsa-prefeitura-do-rio-sobre-disputa-pela-linha-amarela-24955611

Invepar. "Lamsa - Mobilidade Inteligente". Disponível em: https://www.invepar.com.br/showed39.html?idMateria=fLkBOJxftmeothvJFzHnLw==

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Por Ultima Hora em 06/06/2026
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