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A patinação artística brasileira ganha um importante reforço técnico com a presença da treinadora espanhola Rosa Pei na Federação de Hóquei e Patinagem do Estado do Rio de Janeiro (FHPERJ).
Em entrevista exclusiva, a especialista internacional revelou as principais diferenças entre treinar atletas no Brasil e na Espanha, destacando desafios que vão além das quadras e afetam diretamente o desenvolvimento dos jovens talentos brasileiros.
A análise de Rosa expõe uma realidade preocupante: enquanto a Espanha possui pavilhões de treinamento a cada 3 ou 4 quilômetros, atletas brasileiros enfrentam longas jornadas de deslocamento que comprometem tanto o rendimento físico quanto o psicológico.
"É um esporte que precisa de muitas horas de trabalho, e se a distância entre a casa ou o colégio para treinar é muito grande, muito tempo se perde", alertou a treinadora.
A experiência de Rosa Pei no Brasil tem sido marcada pelo reconhecimento do potencial dos atletas locais, mas também pela constatação de obstáculos estruturais significativos. "Todos os lugares do mundo têm pessoas boas e pessoas não tão boas, mas pessoas com vontade de melhorar, e isso é o que importa", afirmou a especialista, que trabalha diretamente com patinadores da seleção brasileira.
Segundo ela, embora o Brasil esteja crescendo na modalidade, ainda há um longo caminho a percorrer para alcançar o nível de países como Espanha e Itália, considerados as potências mundiais atuais da patinação artística.
A falta de tradição histórica no esporte é compensada pela determinação dos atletas brasileiros, mas não resolve questões fundamentais de infraestrutura e apoio institucional.
O problema da divulgação emerge como um dos principais entraves para o desenvolvimento da patinação no país. Rosa destacou que "falta muita divulgação, falta que os meios de comunicação mostrem campeonatos" para que mais pessoas conheçam e apoiem a modalidade.
A ausência de cobertura midiática adequada cria um ciclo vicioso: sem visibilidade, o esporte não atrai patrocinadores nem desperta interesse público, limitando as possibilidades de crescimento e profissionalização.
Esta realidade contrasta drasticamente com a situação na Espanha, onde a patinação tem ampla cobertura e reconhecimento social. A treinadora enfatizou que se trata de "um esporte muito difícil" que merece maior atenção dos meios de comunicação brasileiros.

A questão geográfica representa outro desafio crucial identificado pela especialista espanhola. Atletas de cidades como São Gonçalo e Niterói precisam se deslocar até o Rio de Janeiro para treinar, enfrentando longas viagens que impactam negativamente sua rotina de estudos e preparação física. "Isso afeta muito, não somente no nível físico, mas também psíquico." Quando eles têm que estudar e treinar, desgasta muito", explicou Rosa.
O contraste com a realidade espanhola é gritante: enquanto no Brasil os atletas enfrentam horas de deslocamento, na Espanha "todas as cidades se tocam, são pequeninas, mas todas têm pavilhões onde podem treinar". Esta diferença estrutural coloca os atletas brasileiros em clara desvantagem competitiva.
A solução para estes problemas, segundo Rosa Pei, passa necessariamente pelo maior envolvimento das prefeituras e do poder público em geral. "As prefeituras deveriam ajudar mais, apoiar mais os esportistas e promover mais para que tenham mais pistas, mais quadras para poder treinar", defendeu a treinadora.
Ela ressaltou que o esporte é fundamental "para os adolescentes, para os meninos, para um futuro melhor", justificando assim a necessidade de investimento público na modalidade.
A presença de Rosa na FHPERJ, federação fundada em 1964 e responsável pela promoção de diversos esportes sobre rodas no estado, representa uma oportunidade única para que o Brasil aprenda com a experiência internacional e desenvolva estratégias mais eficazes para o crescimento da patinação artística nacional.

Por Robson Talber @robsontalber repórter Miguel Lemos @djportugues
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