Assine nossa newsletter e fique por dentro de tudo que rola na sua região.
O plano ambicioso de Quaquá: eleger 13 deputados, tomar o PT e chegar ao Senado em 2030
Projeto político montado em Maricá busca transformar o prefeito em protagonista nacional, mas depende de uma complexa engrenagem de alianças que atravessa partidos, ideologias e interesses regionais
O mapa da articulação
Washington Quaquá (PT) , prefeito de Maricá e vice-presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, não esconde a magnitude de sua ambição. Aos 53 anos, o ex-menino da Favela do Caramujo, em Niterói, desenhou um projeto político de longo prazo que começa nas urnas de 2026 e tem como destino uma cadeira no Senado Federal em 2030.
O primeiro passo é a formação de uma bancada de 13 deputados federais — não 12, como chegaram a divulgar alguns veículos. A nominata completa, liderada por Diego Zeidan, filho de Quaquá e presidente estadual do PT, reúne nomes de diferentes partidos, numa demonstração de capacidade de articulação que atravessa as fronteiras ideológicas tradicionais.
"A ideia não é apenas eleger deputados. É construir uma estrutura política capaz de sustentar um projeto de poder" — avaliam analistas políticos próximos ao grupo.
A nominata completa da Federação PT, PV e PCdoB
A relação de pré-candidatos articulados por Quaquá inclui nomes de diferentes espectros partidários e trajetórias políticas:
| Nome | Partido | Perfil |
|---|---|---|
| Diego Zeidan | PT | Filho de Quaquá, presidente estadual do PT, ex-secretário municipal |
| Celso Pansera | PT | Deputado federal, ex-presidente da Finep, ex-ministro interino |
| Rubens Bomtempo | PSB | Ex-prefeito de Petrópolis, figura histórica do estado |
| Benny Briolly | PT (ex-PSOL) | Vereadora de Niterói, primeira trans eleita e reeleita no RJ |
| Bandeira de Mello | PV (ex-PSB) | Deputado federal, ex-presidente do Flamengo |
| Léo Picciani | MDB | Deputado federal, ex-líder do governo Temer na Câmara |
| Bebeto | PT | Ex-deputado federal com base na Baixada Fluminense |
| Marcos Tavares | A confirmar | Nome ligado à base do prefeito |
| Juninho do Pneu | PSDB | Liderança local |
| Edmundo Vasco | A confirmar | Nome articulado ao grupo |
| Ricardo Abraão | PSDB | Apoiador do projeto |
| Murilo Gouvêa | PSDB | Articulado ao grupo |
A estratégia aposta numa diversidade partidária calculada: ao distribuir nomes entre PT, PV, PP, PDT, PSDB e outras legendas, Quaquá busca construir uma base que não dependa exclusivamente do desempenho de um único partido.
O fator Pazuello e a ponte com bolsonaristas
Um dos movimentos mais ousados da articulação é a tentativa de diálogo com eleitores bolsonaristas de Maricá. Segundo a reportagem, o grupo promete pedir que eleitores de direita que não votam na esquerda depositem seus votos em General Pazuello (PL) — numa composição que chama atenção pela capacidade de trânsito entre campos opostos.
A jogada revela um traço característico do estilo político de Quaquá: a disposição de construir pontes onde outros só veem muros. Em Maricá, cidade onde foi eleito com 73,74% dos votos em 2024 — contra 22,30% do candidato do PL, Fabinho Sapo —, o prefeito parece apostar que a popularidade local é capaz de atrair votos de diferentes espectros ideológicos para seus candidatos.
Diego Zeidan: o herdeiro e a nova geração
Diego Zeidan é peça central na engrenagem. Aos 27 anos, o filho de Quaquá preside o diretório estadual do PT no Rio de Janeiro e acumula experiência como secretário municipal na gestão do pai. Sua pré-candidatura a deputado federal representa não apenas a continuidade do projeto familiar, mas também a aposta numa renovação geracional dentro do partido.
Sob o comando de Diego, a executiva estadual do PT tem trabalhado para consolidar a nominata da Federação PT, PV e PCdoB, que segundo o próprio partido montou uma verdadeira "supernominata" para as eleições de 2026.
O caminho até a presidência do PT
O projeto não se esgota na Câmara dos Deputados. A eleição de uma bancada própria daria a Quaquá poder de fogo político dentro do Partido dos Trabalhadores para disputar a presidência nacional da legenda em 2029.
A movimentação foi notada por colunistas políticos de peso. Lauro Jardim, do jornal O Globo, dedicou espaço em 7 de junho de 2026 para analisar "O futuro de Quaquá no PT". Segundo a coluna, o prefeito de Maricá vem construindo sua influência de forma metódica, aproveitando o vácuo deixado por outras lideranças estaduais do partido.
A partir do comando da legenda, Quaquá projeta uma candidatura ao Senado em 2030, posição que lhe daria projeção nacional e palco para alçar voos ainda maiores.
O encontro nacional em Maricá
Paralelamente à articulação eleitoral, a Prefeitura de Maricá prepara um encontro nacional na cidade, reunindo empresários, juristas, lideranças populares e agentes políticos para debater propostas de desenvolvimento para o país.
Entre os nomes confirmados estão André Esteves, do BTG Pactual, e o advogado Kakay — nomes que sinalizam a disposição do grupo em dialogar com o mercado financeiro e o sistema de Justiça. A iniciativa é mais uma frente de expansão do projeto político, buscando projeção que transcenda o ambiente partidário.
O presente: Maricá como vitrine
Enquanto projeta o futuro, Quaquá administra Maricá com números que chamam atenção. A prefeitura projeta R$ 3 bilhões por ano em investimentos, com programas sociais que transformaram a cidade em referência nacional: a Tarifa Zero (transporte público gratuito), a Moeda Social Mumbuca e o passaporte da internacionalização — a cidade patrocinou com US$ 100 mil o FT Brazil Summit 2026, em Nova York, conferência do jornal britânico Financial Times.
A gestão de Maricá tornou-se vitrine das políticas públicas de distribuição de renda, e o próprio Quaquá tem sido presença constante em debates nacionais sobre desenvolvimento econômico e justiça social.
O tamanho do desafio
Apesar da engenharia política cuidadosa, o projeto enfrenta obstáculos reais:
Por ora, o plano existe mais como uma construção estratégica em andamento do que como uma força efetivamente consolidada. As urnas de outubro dirão se a engenharia de Quaquá é tão sólida quanto ambiciosa.
Biografia: Washington Quaquá
Washington Luiz Cardoso Siqueira, o Washington Quaquá, nasceu em 31 de maio de 1971 em São Gonçalo, RJ, e foi criado na Favela do Caramujo, em Niterói. Formado em Sociologia, filiou-se ao Partido dos Trabalhadores aos 14 anos, em 1985, dando início a uma trajetória política de quatro décadas.
Foi prefeito de Maricá por dois mandatos consecutivos (2009-2016), elegendo-se novamente em 2024 com 73,74% dos votos — a maior votação percentual do município em 2024. Entre 2023 e 2024 exerceu mandato de deputado federal, licenciando-se para reassumir a prefeitura.
Sua gestão é marcada por políticas inovadoras: a Tarifa Zero, primeira cidade acima de 100 mil habitantes a adotar transporte público gratuito; a Moeda Social Mumbuca, programa de economia circular que beneficia milhares de famílias; e a projeção de R$ 3 bilhões anuais em investimentos.
Em 2025 tornou-se vice-presidente nacional do PT e, em 2026, articulou o apoio à pré-candidatura de Benedita da Silva ao Senado, além de comandar a campanha de Lula no estado do Rio de Janeiro. É pai de Diego Zeidan, atual presidente estadual do PT-RJ.
Nominata de pré-candidatos do PT, PV e PC do B
|
NOME DE URNA |
|
Adelson Guedes |
|
Aniele Franco |
|
Benny Briolly |
|
Brunnão |
|
Carlos Santana |
|
Celso Pansera |
|
Danielle Dani |
|
Diego Quaquá |
|
Dimas Gadelha |
|
Fabiano Horta |
|
Fabio Doutor Fosforo |
|
Dr. José Ricardo |
|
Kevinho do Morro |
|
Lindbergh |
|
Maira Felicio |
|
MARCELO PACHECO |
|
Freixo |
|
Nisia Trindade |
|
CARIOCA |
|
Paulo Victor (PV UERJ) |
|
Reimont |
|
Dr. Rubinho |
|
Rubens Bomtempo |
|
Sandrão da CUT |
|
Tainá de Paula |
|
Missionário Thiago Aguiar |
|
Valdo Tavares |
|
PR. Wagner Avellar |
#WashingtonQuaquá #Maricá #Eleições2026 #PT #DiegoZeidan #FederaçãoPT #PV #PCdoB #BennyBriolly #BandeiraDeMello
Nenhum comentário. Seja o primeiro a comentar!