Relembre cinco seleções que encantaram, mas não venceram a Copa do Mundo

Brasil na Copa 82: um time tatuado na memória dos brasileiros.Anibal Philot / Agência Globo

Relembre cinco seleções que encantaram, mas não venceram a Copa do Mundo

Relembre cinco seleções que encantaram, mas não venceram a Copa do Mundo

Via Zero Hora 

A história da Copa do Mundo conta com páginas já amarelas de equipes campeãs que viraram estatísticas. Outras não colocaram a mão na taça, mas viraram história ao encantarem. 

Ou você nunca ouviu falar da Laranja Mecânica de 1974 ou da Seleção Canarinho de 1982? Pensando nisso, Zero Hora relembra cinco que chocaram o mundo, mas não levaram para casa o troféu mais desejado do planeta. 

O Brasil de 1938

De tantas grandes seleções brasileiras, a da Copa de 1938 se apagou nas brumas nos tempos. Mas aquele time comandado por Adhemar Pimenta era um canto. Contava com nomes como Domingos da Guia e Leônidas da Silva.

Depois de brigas políticas na finada CBD (Confederação Brasileira de Desportos), o Brasil levou, enfim, uma equipe competitiva na terceira edição do Mundial. Despachou a Polônia em um frenético 6 a 5. Precisou jogar duas vezes contra a Tchecoslováquia. Empate em 1 a 1 no primeiro jogo. Vitória no segundo por 2 a 1.

Na semifinal, a Itália, atual campeã e país sob o comando de Benito Mussolini. Relatos da época indicam que a mão invisível do ditador ajudou a Azzurra nas duas conquistas nos anos 1930.

Sem Leônidas, chamado de Diamante Negro, preservado, o Brasil se sentiu prejudicado pelo árbitro Hans Wüthrich. Além de sua leniência com o jogo bruto italiano, os brasileiros protestam o pênalti marcado sobre Silvio Piola.

Reinam divergências sobre o lance. Domingos alega que acertou o italiano quando o jogo estava parado e que sua atitude foi um revide a um ato inicial de Piola. O Brasil perdeu por 2 a 1. Na decisão do terceiro lugar, a Seleção aplicou 4 a 2 na Suécia. Com sete gols, Leônidas foi o artilheiro da competição.

Szabó József / Fortepan / Divulgação

Puskás com a camisa da seleção húngara.Szabó József / Fortepan / Divulgação

A Hungria de Puskás de 1954

Os húngaros imprimiram seu nomes nas páginas do esporte com uma equipe marcante. O time comandado por Ferenc Puskás se tornou o maior expoente da Escola Danubiana de futebol, formada a partir nos anos 1930 por Áustria, Hungria, Tchecoslováquia - todas banhadas pelo Rio Danúbio.

Um ano antes da Copa da Alemanha, o time húngaro espantou o mundo. Foi o primeiro não-britânico a vencer a Inglaterra em Wembley. E que vitória! 6 a 3, com dois gols de Puskas.

Os húngaros implementaram um esquema de passes curtos e o hoje conhecido falso 9, uma inovação no futebol à época, além disso, a equipe se aquecia antes das partidas e iniciava os jogos em alta rotação a ponto de sempre marcar gol nos primeiros minutos.

Como na "Batalha de Berna". Nas quartas de final, foram dois gols em oito minutos diante do Brasil. Sob forte chuva, os "magiares", como eram conhecidos, venceram por 4 a 2. Após um embate ríspido, brasileiros e húngaros protagonizaram uma briga generalizada ao final do confronto.

Nas semifinais, passaram pelo Uruguai. Na decisão, foram batidos por 3 a 2 para os donos da casa. Os húngaros terminaram a Copa com 27 gols marcados em cinco partidas.

AFP PHOTO / CENTRAL PRESS

Eusébio marcou nove vezes na Copa de 66.AFP PHOTO / CENTRAL PRESS

Portugal de Pantera Negra em 1966

Antes de Cristiano Ronaldo, havia Eusébio da Silva Ferreira. Moçambicano de nascimento, o Pantera Negra foi um dos atacantes mais ferozes de todos os tempos. Era ele a referência daquele Portugal de 60 anos atrás.

Um time de futebol duro o suficiente para sobreviver aos pesados gramados ingleses. Pelé que o diga. O Rei do Futebol se lesionou após muitas pancadas lusitanas, em especial do zagueiro João Morais.

Mas aquele time também era bom de bola. Marcou três gols sobre a Bulgária, a Hungria e o Brasil na primeira fase. A Coreia do Norte, responsável por eliminar a Itália, levou cinco nas quartas de final.

Portugal parou na semifinal diante da Inglaterra. Ficou com o terceiro lugar ao bater a União Soviética por 2 a 1. Eusébio marcou nove vezes. Nem Cristiano Ronaldo bateu a marca. Em cinco participações, ele tem oito gols em Copas.

STF / AFP

Os pés da engrenagem era os de Johan Cruyff (foto), Johan Neeskens, Rob Rensenbrink, entre outros.STF / AFP

A Laranja Mecânica de 1974

Muitas seleções marcaram épocas, tantas foram campeãs, poucas modificaram o futebol como a Holanda de 1974. Laranja Mecânica, Carrossel Holandês... Quantos times tem dois apelidos para chamar de seu?

Muitos creditam àquela Holanda o nascimento do futebol moderno. A mente por trás do mecanismo foi Rinus Michels. Os pés da engrenagem era os de Johan Cruyff, Johan Neeskens, Rob Rensenbrink, entre outros.

Os jogadores não guardavam posição. Trocavam seus posicionamentos em sincronia e amassavam os adversários. Seis gols marcados na primeira fase contra Bulgária, Suécia e Uruguai.

Na segunda, Alemanha Oriental, Argentina e Brasil foram as vítimas. Só a Alemanha Ocidental, na final, parou os holandeses.

Antônio Carlos Mafalda / Agencia RBS

Falcão em ação contra a extinta Seleção da URSS na Copa do Mundo de 1982.Antônio Carlos Mafalda / Agencia RBS

A Seleção Canarinho de 1982

Um time tatuado na memória dos brasileiros. A classificação às semifinais esteve nas mãos duas vezes, mas escapou aos 16 minutos do fim da partida contra a Itália.

Antes do terceiro gol de Paolo Rossi no 3 a 2 para a Azzurra, o time de Telê Santana transformou o futebol em magia. Waldir Peres; Leandro, Oscar, Luizinho e Júnior; Toninho Cerezo, Falcão, Sócrates e Zico; Serginho Chulapa e Éder fizeram história com um futebol envolvente e de toque de bola. 

Vitórias sobre União Soviética, mais suada, e Escócia e Nova Zelândia, em goleadas. Antes de fim da linha contra a Itália, 3 a 1 sobre a Argentina, de Maradona.

No fim, o garoto com lágrimas nos olhos estampado na capa do Jornal da Tarde do dia seguinte, captou o sentimento de todo um país.

Por Ultima Hora em 04/05/2026
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