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Mas, infelizmente, ainda existem pessoas trans que enfrentam preconceito e dificuldades para permanecer dentro de algumas casas de axé apenas por viverem sua identidade de gênero.
Muitos meninos trans e meninas trans acabam sendo rejeitados, julgados ou impedidos de participar plenamente da vida religiosa porque alguns dirigentes ainda não conseguem separar fundamento religioso de preconceito pessoal. E isso precisa ser debatido.
Uma pessoa trans não deixa de ter fé por ser trans.
Não deixa de ter axé.
Não deixa de merecer respeito.
Muitas vezes, alguém chega em um terreiro buscando exatamente aquilo que a religião deveria oferecer: acolhimento, amor, cuidado espiritual e proteção. Quando encontra julgamento no lugar disso, acaba saindo machucado emocionalmente de um espaço que deveria ser de paz.
No Ilê Asé Oloya Lebe, conduzido por Pai Júnior de Oyá, a visão é diferente. A casa acredita no respeito às pessoas como elas são.
Recentemente, um menino trans passou a fazer parte da casa e mostrou, diariamente, dedicação, respeito, responsabilidade e compromisso com os fundamentos do axé. Sua identidade nunca foi um problema. Pelo contrário: o que realmente importa é o caráter, o respeito à espiritualidade e o amor pela religião.
Ele se veste da forma como se identifica, vive sua verdade e continua exercendo sua fé sem prejudicar ninguém. Porque a roupa de uma pessoa trans não interfere na espiritualidade de uma casa. O preconceito, sim, é o que enfraquece qualquer ambiente religioso.
É importante também entender que cada casa possui seus próprios fundamentos, tradições e ensinamentos espirituais. Existem rituais específicos ligados ao corpo, à energia e às tradições ancestrais que precisam ser explicados e conduzidos com responsabilidade. Mas ensinar fundamentos nunca deve ser motivo para humilhar, excluir ou desrespeitar alguém.
Orientar é diferente de discriminar.
O respeito à identidade das pessoas deve caminhar junto com os ensinamentos religiosos. Afinal, antes de qualquer cargo, obrigação ou hierarquia dentro do candomblé, todos são seres humanos.
O candomblé precisa continuar sendo um espaço de acolhimento, amor e humanidade. Porque ninguém deveria ser impedido de viver sua fé por causa da sua identidade de gênero.
Pai Júnior de Oyá – Ilê Asé Oloya Lebe
Por Maicon Salles
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