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Roubo de cargas no Rio: queda nos números, mas valor dos bens roubados sobe e acende alerta no setor produtivo

Estudo do Sindicarga aponta redução de 9,4% nos registros em 2025, porém criminosos passaram a mirar cargas de maior valor agregado. DRFC, sob comando do delegado André Prates, intensifica investigações e operações
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Cenário contraditório acende alerta
O Rio de Janeiro vive um paradoxo no combate ao roubo de cargas. Enquanto o número de ocorrências apresentou queda de 9,4% em 2025 na comparação com o ano anterior, o valor total dos bens roubados disparou 16,16% no mesmo período. Os dados, extraídos do Instituto de Segurança Pública (ISP) e compilados pelo Sindicarga, revelam uma mudança no perfil da criminalidade que preocupa especialistas e entidades do setor produtivo.
"O que estamos vendo é uma migração do crime para cargas mais valiosas. O impacto na logística e na produtividade é imediato, e esse custo acaba sendo repassado para a sociedade", alertou Filipe Coelho, presidente do Sindicarga, durante reunião do Conselho de Combate ao Mercado Ilegal da Fecomércio-RJ, realizada no final de abril.
Alimentos estão entre os alvos preferenciais
Segundo o levantamento, os alimentos e produtos similares representam a maior fatia das cargas roubadas no estado. A situação é tão grave que, de acordo com relatos da Associação de Atacadistas e Distribuidores do Estado do Rio de Janeiro (Aderj), alguns distribuidores já não conseguem mais vender em determinadas localidades devido ao domínio territorial do tráfico.
"Como podemos gerar desenvolvimento econômico onde existe domínio territorial pelo poder paralelo?", questionou Filipe Coelho, defendendo uma atuação conjunta entre setor produtivo e os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário para garantir que a atuação da segurança pública seja mais assertiva.
Informalidade e mercado ilegal agravam o problema
O secretário do Conselho de Combate ao Mercado Ilegal da Fecomércio-RJ, João Gomes, fez uma análise que conecta o roubo de cargas a um fenômeno mais amplo. "O crescimento da informalidade no estado do Rio de Janeiro é muito expressivo e está em nível alarmante. Além do roubo de cargas, há também a questão da compra de itens do mercado ilegal pela população. É uma questão que se aprofunda em um emaranhado de causas que se retroalimentam", afirmou.
Para Edson Vismona, presidente do Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP) e do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco), as forças de segurança não recebem os meios suficientes para um combate eficaz ao mercado ilegal. Ele também alertou para o contrabando de produtos ilegais vendidos por cadastrados em marketplaces.
2026: alta no acumulado, mas maio registra menor índice desde 1999
Os números mais recentes do ISP, divulgados em junho de 2026, mostram que os roubos de carga no estado cresceram 20,9% no acumulado entre janeiro e maio de 2026, totalizando 1.576 ocorrências. No entanto, há um dado que merece destaque: o mês de maio fechou com 198 registros, uma queda expressiva de 24,1% em relação ao mesmo mês do ano anterior — o menor número para o mês desde 1999.
A queda expressiva em maio é atribuída por fontes da segurança pública ao recrudescimento das operações policiais especializadas, em especial as conduzidas pela Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC), que passou por uma reorganização no início de 2026.
DRFC: nova direção e resultados concretos
Em fevereiro de 2026, o delegado André Prates Fraga assumiu a titularidade da DRFC, trazendo uma bagagem de resultados expressivos obtidos à frente da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA), onde coordenou a maior operação do país contra o tráfico de animais silvestres, com 47 presos e mais de 800 animais resgatados.
Desde que assumiu a DRFC, Prates implementou uma estratégia baseada em inteligência e integração com outras forças de segurança. Em janeiro, ainda antes de sua nomeação oficial, a DRFC-CAP já havia deflagrado a Operação Torniquete, que resultou na captura de um foragido com nove anotações criminais — sete por roubo e duas por receptação — e na recuperação de cargas roubadas na Zona Oeste do Rio.
Atendimento humanizado como marca
Em um dos episódios que chamaram a atenção de entidades do setor, o delegado André Prates atendeu pessoalmente um motorista que teve a carga roubada assim que a ocorrência chegou à DRFC. A postura proativa e o acolhimento à vítima foram destacados pelo Sindicarga como exemplo de gestão humanizada em uma delegacia especializada.
"O delegado André Prates tem demonstrado um compromisso que vai além do cumprimento de metas. Ele se envolve diretamente nas investigações e no atendimento às vítimas, o que faz diferença na qualidade do trabalho", avaliou Marcelo Turbo, diretor de Segurança do Sindicarga, que participou da transição de comando da delegacia.
Operações em rodovias e integração interestadual
A DRFC também tem intensificado operações de combate ao roubo de cargas em rodovias, um dos principais palcos desse tipo de crime. As ações incluem barreiras inteligentes, monitoramento de rotas críticas e integração com as polícias rodoviárias.
Em abril de 2026, a DRFC-CAP cumpriu mandados de busca e apreensão em seis municípios — Rio de Janeiro, Belford Roxo, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Niterói e São Gonçalo — em uma investigação que revelou movimentações financeiras superiores a R$ 116 milhões ligadas a organização criminosa especializada em roubo de cargas, com ramificações também no Mato Grosso.
Disque Denúncia pede revisão de leis e união de forças
O coordenador do Disque Denúncia, Renato Almeida, foi enfático ao defender uma abordagem mais ampla no enfrentamento ao roubo de cargas. "É preciso unirmos as forças para combatermos esse crime. Precisamos continuar esse trabalho didático e de conscientização da população. Existe também a necessidade de revisão das leis de segurança. Com esse crime, perdemos receita e isso precisa ser combatido com firmeza", afirmou.
O desafio do domínio territorial
Um dos pontos mais sensíveis levantados durante a reunião na Fecomércio-RJ foi a relação entre o roubo de cargas e o domínio territorial exercido por facções criminosas em diversas regiões do estado. A impossibilidade de distribuidores operarem em certas localidades revela um nível de capilaridade do crime organizado que transcende a mera atividade criminosa e se configura como um entrave ao desenvolvimento econômico.
Para o setor produtivo, a solução passa necessariamente por uma atuação mais integrada entre as forças de segurança e por investimentos em inteligência policial — exatamente o caminho que a DRFC, sob a liderança do delegado André Prates, tem buscado trilhar.
Perfil — Delegado André Prates
O delegado André Prates Fraga construiu uma trajetória marcada por operações de grande impacto e por uma atuação que transcende as delegacias por onde passou. Antes de assumir a DRFC, em fevereiro de 2026, ele esteve à frente da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA), onde coordenou a Operação São Francisco — considerada a maior já realizada no Brasil contra o tráfico de animais silvestres, com 47 presos, mais de 800 animais resgatados e a desarticulação de uma organização criminosa interestadual que contava com transportadores, falsificadores de documentos e fornecedores de armas e munições. Anteriormente, foi titular da 122ª Delegacia de Polícia, em Conceição de Macabu. Reconhecido por pares e entidades do setor produtivo pela dedicação pessoal às investigações e pelo atendimento humanizado às vítimas, Prates representa uma nova geração de delegados que concorrem para aliar inteligência policial à proximidade com a sociedade civil no enfrentamento ao crime organizado no estado do Rio de Janeiro.
Fontes: Instituto de Segurança Pública (ISP-RJ), Sindicarga, Federação do Comércio do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ), Observatório Firjan, Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, Diário do Rio de Janeiro, Extra, O Globo, Monitor Mercantil
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