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Preso sob suspeita de ligação com o Comando Vermelho, parlamentar do PSD teve inquérito arquivado pela Justiça e se consolida como pré-candidato a deputado federal com base nas periferias do Rio
A tempestade e a calmaria
No dia 11 de março de 2026, o telefone tocou antes do amanhecer na casa de Salvino Oliveira. Do outro da linha, não era um eleitor nem um assessor — era a Polícia Civil do Rio de Janeiro, que cumpria mandado de prisão temporária contra o vereador do PSD na Operação Contenção Red Legacy, que mirava a estrutura nacional do Comando Vermelho. A cena, digna de filme, teria abalado qualquer um. Mas a trajetória de Salvino, 28 anos, nascido e criado na Cidade de Deus, já havia lhe ensinado que sobreviver é uma arte que se aprende cedo.
"Coisa que só acontece em ditaduras"
Na entrevista ao Jornal da República, o vereador não escondeu a indignação com o que classificou como uma injustiça. "O que aconteceu na minha vida é algo que só acontece em ditaduras. Não é algo que pode ser tratado como normal ou alguma coisa que acontece na política. A gente tem que tratar essas coisas como o absurdo que elas são de fato", afirmou, com a serenidade de quem já viu o pior passar.
A experiência, admitiu, foi "muito ruim". Mas ele transformou a tormenta em combustível. "A gente briga para encerrar de uma vez por todas esse processo e, acima de tudo, que os responsáveis paguem pelo que fizeram. Há uma linha na política que não pode ser transposta", completou.
O arquivamento que expôs o abuso
Em 8 de maio de 2026, a Justiça do Rio de Janeiro determinou o trancamento do inquérito contra Salvino Oliveira. A decisão, publicada pelo jornal O Globo, citou "série de irregularidades" e "possível perseguição política" na condução das investigações. O juiz responsável destacou que a Polícia Civil "expediu uma série de mandados de condução coercitiva a pessoas próximas ao investigado, incluindo pastores de sua igreja e até mesmo seus avós".
A decisão judicial expôs um padrão que, segundo especialistas ouvidos pela reportagem, revela abuso no exercício da atividade investigatória. A defesa do vereador sempre sustentou que as acusações tinham motivação política — tese que o PSD, legenda de Salvino, endossou publicamente.
A origem na Cidade de Deus e a formação que virou escudo
Salvino Oliveira Barbosa nasceu em 24 de dezembro de 1997, na Cidade de Deus, comunidade que ganhou o mundo pelo cinema. Antes de ser vereador, foi vendedor ambulante de balas e água em ônibus para ajudar a família. Estudou no Colégio Pedro II, uma das instituições de ensino mais prestigiadas do país, e formou-se em Gestão Pública pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Foi na juventude que começou a construir a vocação pública. Criou projetos gratuitos de reforço escolar e pré-vestibular para jovens de comunidades, iniciativa que o levou a fundar organizações não governamentais e, mais tarde, a ingressar na política partidária.
O secretário mais jovem da história do Rio
Aos 22 anos, tornou-se o secretário de Juventude mais jovem da história da Prefeitura do Rio de Janeiro, convidado pelo prefeito Eduardo Paes. Foram quatro anos à frente da pasta, período em que implementou políticas voltadas à capacitação profissional e ao empreendedorismo jovem nas comunidades. "Passei quatro anos como secretário de juventude, agora estou presidente do PSD jovem, pré-candidato a deputado federal", disse na entrevista.
Os quase 30 mil votos que vieram das favelas
Em 2024, Salvino foi eleito vereador com uma votação expressiva: quase 30 mil votos. O dado mais relevante, segundo ele próprio, é a origem desse capital político. "Pelo menos 90% desses votos são oriundos de favelas e periferias, dessas populações que passaram historicamente à margem das políticas públicas", afirmou.
A declaração não é apenas discurso — ela reflete uma base eleitoral construída tijolo por tijolo nas comunidades da Zona Oeste, da Zona Norte e de regiões historicamente desassistidas da cidade. "Quando a gente tem alguém que pode dar voz, que pode lutar por um futuro melhor, é também esperança. Considero que o meu mandato, a minha vida pública, é esperança para outras pessoas. Tenho uma responsabilidade muito grande com elas."
A regulamentação do aluguel por temporada
Entre os projetos que marcam sua atuação na Câmara, Salvino destaca a regulamentação da hospedagem de curta duração na cidade — plataformas como Airbnb e Booking. "Esse é um debate que outras grandes cidades do mundo estão fazendo. O Rio de Janeiro também tem feito aqui com o apoio dos colegas", explicou.
O projeto, que tramita na Casa, busca equilibrar os interesses do setor hoteleiro, dos anfitriões e da população residente, em um momento em que o Rio se prepara para receber eventos internacionais e ampliar sua capacidade de acolhimento turístico sem comprometer o direito à moradia.
A presidência do PSD jovem e a pré-candidatura a deputado federal
Com a tormenta judicial para trás, Salvino Oliveira projeta voos mais altos. Presidente estadual da Juventude do PSD, ele se coloca como pré-candidato a deputado federal nas eleições de 2026. A legenda, que tem no Rio de Janeiro um dos seus principais redutos, aposta na capacidade de mobilização do vereador entre o eleitorado jovem e periférico.
"A população fluminense está cansada dessa politicagem, cansada de ligar a TV e ver escândalo de corrupção, cansada de tudo isso que a gente tem, infelizmente, visto na política do nosso estado", disse, em tom de quem se apresenta como alternativa. "É claro que se um dia eles me escolherem, se um dia eu tiver a possibilidade de alçar voos maiores, para mim vai ser uma felicidade muito grande."
O prêmio da ONU e o dinheiro que virou suspeita
Durante as investigações, a Polícia Civil apontou movimentações atípicas na conta do vereador, incluindo depósitos em dinheiro e transferências de uma empresa localizada na Maré. Salvino rebateu publicamente, afirmando que R$ 100 mil apontados como suspeitos eram, na verdade, fruto de uma premiação recebida por ele na Organização das Nações Unidas (ONU).
A defesa apresentou documentos que comprovavam a origem do valor. A Polícia Civil, no entanto, sustentou que os valores suspeitos seriam de outros créditos. O episódio, que ganhou repercussão nacional, foi superado pelo arquivamento do inquérito — mas deixou marcas que o vereador carrega como cicatrizes políticas.
BIO — Salvino Oliveira
Salvino Oliveira Barbosa, 28 anos, é vereador do Rio de Janeiro pelo PSD, ex-presidente estadual da Juventude do partido e pré-candidato a deputado federal. Nascido e criado na Cidade de Deus, começou a trabalhar ainda criança como vendedor ambulante em ônibus para ajudar a família. Estudou no Colégio Pedro II e formou-se em Gestão Pública pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Antes de ser eleito vereador com quase 30 mil votos em 2024 — 90% oriundos de favelas e periferias —, foi o secretário de Juventude mais jovem da história do município, nomeado pelo prefeito Eduardo Paes aos 22 anos. Na Câmara, destaca-se pela regulamentação das plataformas de hospedagem de curta duração (Airbnb e Booking), pela criação de projetos de reforço escolar e pré-vestibular gratuito para jovens de comunidades, e pela defesa intransigente das pautas das periferias. Em março de 2026, foi preso temporariamente sob suspeita de ligação com o Comando Vermelho, mas teve o inquérito arquivado pela Justiça do Rio em maio do mesmo ano, em decisão que apontou "série de irregularidades" e "possível perseguição política" na investigação. É presidente estadual do PSD jovem e, recuperado da tormenta judicial, prepara-se para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados.

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ
Por Robson Talber @robsontalber
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Fontes: Entrevista ao Jornal da República, Câmara Municipal do Rio de Janeiro, O Globo, UOL, Folha de S.Paulo, Agência Brasil, G1, Veja, Temporeal RJ.
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