Santos, Curi e Menezes: Trio de Castro prepara mais quatro operações antes de entregarem suas pastas para possivelmente disputar as eleições de 2026

Da esquerda para a direita: Victor Santos (secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro), Felipe Curi (secretário de Polícia Civil) e coronel Marcelo de Menezes Nogueira (secretário de Polícia Militar) | Foto: Governo do Rio de Janeiro/Reprodução

Santos, Curi e Menezes: Trio de Castro prepara mais quatro operações antes de entregarem suas pastas para possivelmente disputar as eleições de 2026

A operação que resultou em pelo menos 121 mortos no Complexo do Alemão e da Penha não foi apenas um episódio isolado. Por trás da ação que Cláudio Castro (PL) classificou como "sucesso" está um trio de secretários que planeja intensificar ainda mais a política de confronto nos próximos meses, antes de entregarem suas pastas para possivelmente disputar as eleições de 2026.

Victor Santos, Felipe Curi e Marcelo de Menezes defenderam publicamente a operação como "planejada" e "necessária". O governador, por sua vez, afirmou que as "verdadeiras vítimas" foram os quatro policiais mortos, ignorando completamente as dezenas de civis que perderam a vida.

A arquitetura do confronto

A atual estrutura de segurança pública do Rio é resultado de mudanças administrativas que concentraram poder nas mãos deste trio. Até 2019, o estado mantinha uma Secretaria de Segurança Pública unificada, extinta durante a gestão Wilson Witzel. A estrutura permaneceu dividida entre as polícias Civil e Militar até 2023, quando Castro recriou a pasta e nomeou Victor Santos.

Desde então, três secretarias concentram as principais decisões sobre repressão: Segurança Pública, Polícia Civil e Polícia Militar. Esta configuração permitiu uma coordenação mais efetiva das operações de confronto, mas também diluiu responsabilidades e dificultou controles externos.

Victor Santos: o articulador federal

Victor Santos traz mais de 20 anos de carreira na Polícia Federal, com passagens pela repressão a entorpecentes no Rio, corregedoria e superintendência no Distrito Federal. Sua indicação para Brasília veio de Flávio Bolsonaro, evidenciando suas conexões políticas de direita.

Durante os atos golpistas de 8 de janeiro, como superintendente em Brasília, sugeriu transferir presos para prisão domiciliar por falta de vagas - foi exonerado no dia seguinte. Aposentado, foi convidado por Castro em 2023 para comandar a secretaria recriada.

Desde o início, sinalizou oposição a controles externos. Em janeiro de 2025, pediu publicamente que a ADPF das Favelas fosse considerada improcedente, para que "o Rio de Janeiro fique livre dessa ADPF". Durante a operação na Penha, falou em "9 milhões de metros quadrados de desordem urbana" e prometeu continuidade das operações.

Felipe Curi: o endurecedor midiático

Felipe Curi é delegado de carreira que dirigiu o Departamento-Geral de Homicídios e a Polícia Especializada, acumulando mais de 5 mil prisões. Foi responsável pela operação que matou Wellington da Silva Braga, o Ecko, chefe da maior milícia do Rio, em 2021.

Sua relação com o Alemão é antiga: em 2013, assumiu a recém-criada 45ª DP, extinta cinco anos depois. Em 2016, foi baleado em operação na mesma região. Cultiva uma imagem pública de endurecimento, escrevendo no Instagram: "Não acredite em narrativas anti-polícia".

Após operação da Penha, atacou críticos chamando-os de "narcoativistas" e afirmou que nem a NASA conseguiria atuar nas favelas. Defendeu a ação como fruto de "planejamento exaustivo" e chamou opositores de "engenheiros de obra pronta" e "falsos especialistas".

Marcelo de Menezes: a promessa militar

O coronel Marcelo de Menezes ingressou na PM em 1991, é formado em Direito e Engenharia Civil. Passou por diversos comandos e cargos administrativos, incluindo a Coordenadoria Militar da Alerj. Sua nomeação em 2024 resultou de disputas internas na corporação e influência de aliados como Maurílio Nunes e Rodrigo Bacellar.

No velório de dois sargentos mortos na operação, prometeu: "A resposta será dada à altura desses heróis", sinalizando continuidade da estratégia de confronto.

O contexto da ADPF das Favelas

A ADPF das Favelas, ajuizada em 2019 pelo PSB, impôs restrições às operações policiais: suspensão durante a pandemia, comunicação prévia ao Ministério Público, limitação ao uso de helicópteros como plataformas de tiro e adoção de câmeras corporais.

A reviravolta no STF, com o relator Edson Fachin introduzindo a retórica de "recuperar territórios", foi criticada por movimentos sociais que associam a militarização ao fracasso das UPPs.

Perspectivas eleitorais

O trio não apenas defende a política de confronto como também se posiciona claramente para disputas eleitorais futuras. Segundo o colunista Ancelmo Gois, o PL avalia lançar Felipe Curi para o governo do estado, evidenciando que a estratégia de endurecimento pode ter motivações eleitorais.

A operação no Alemão e Penha não representa um desvio, mas sim a consolidação de uma política deliberada de confronto. Segundo fontes 4 operações estão sendo planejadas para antes das eleições pelo trio de secretários de Castro demonstra que a letalidade policial no Rio não é acidental, mas estratégica - tanto para retoamda do controle territorial quanto para o posicionamento político.

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Por Ultima Hora em 17/01/2026
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