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A 9ª edição do Conexidades – Encontro Nacional de Parceiros Públicos e Privados abriu suas portas no dia 15 de junho no Campos Hall, em Campos do Jordão (SP), consolidando-se como o principal fórum de debates sobre gestão pública do Brasil.
Com o tema "Governança e Inovação Sustentável: Fortalecendo o Desenvolvimento Nacional", o evento reúne gestores municipais, estaduais e federais, além de representantes da iniciativa privada e da sociedade civil, em cinco dias de programação intensa.
Realizado pela Multiplicidades em parceria com a Prefeitura de Campos do Jordão, o Conexidades 2026 superou as expectativas de público logo no primeiro dia. A escolha da cidade serrana, uma das mais emblemáticas do turismo nacional, não foi por acaso.
A edição anterior, realizada em Holambra, foi um sucesso e motivou o prefeito de Campos do Jordão a solicitar pessoalmente a vinda do evento para o município.
Entrevista exclusiva: presidente da UVESP aponta os desafios da gestão pública na era digital.
A reportagem do Jornal da República acompanhou a cerimônia de abertura e conversou com exclusividade com Sebastião Misiara, presidente do Conselho Gestor da União dos Vereadores do Estado de São Paulo (UVESP).
Em entrevista ao vivo, direto do Conexidades, Misiara destacou a importância de discutir o futuro da administração pública em um cenário de rápidas transformações tecnológicas.
"Ninguém bebe a mesma água duas vezes." "A mudança é inexorável e, a cada dia, nós temos mudanças", afirmou Misiara, em uma reflexão sobre a velocidade das transformações que impactam o setor público.
Para ele, a inteligência artificial surge como uma ferramenta de duplo potencial: pode ser usada para o bem ou para o mal, dependendo de como for implementada.
O presidente da UVESP defendeu a necessidade de apoiar a incorporação da inteligência artificial na atividade pública, mas com todos os cuidados devidos. "Nós temos que apoiar a inteligência artificial na atividade pública, mas com todos os cuidados, com todos os cuidados", reforçou, sinalizando a importância de marcos regulatórios claros e da capacitação dos agentes públicos para lidar com as novas tecnologias.
Crise nas licitações públicas: gargalo no Tribunal de Contas preocupa gestores.
Um dos pontos mais críticos abordados por Misiara durante a entrevista foi o estrangulamento dos sistemas de licitação no estado de São Paulo.
O presidente da UVESP revelou que conversou com a presidente do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCESP) sobre o volume crescente de impugnações judiciais que paralisam a máquina pública.
Segundo Misiara, uma empresa perde uma licitação e imediatamente recorre à Justiça para impugnar a vencedora. O resultado é um sistema abarrotado de denúncias e disputas.
"Com isso, paralisa a vida pública do estado de São Paulo, paralisa todo o movimento municipal", alertou.
O diagnóstico acendeu um sinal de alerta entre os gestores presentes. Para Misiara, cabe ao agente público — especialmente aquele responsável pela legislação — compreender que as mudanças são necessárias, mas exigem cuidados extremos na sua implementação.
A reforma das leis de licitações e a digitalização dos processos foram apontadas como caminhos possíveis para desafogar o sistema.
UVESP: 49 anos de capacitação e defesa do municipalismo paulista.
Durante a entrevista, Misiara também detalhou o papel institucional da UVESP, que acaba de completar 49 anos de fundação, em maio de 2026.
A entidade, fundada em 1977, consolidou-se como a principal representante dos vereadores e câmaras municipais do estado de São Paulo.
"A UVESP não é uma entidade sindical. Ela não defende o vereador a qualquer custo. "Ela capacita o vereador", explicou Misiara ao diferenciar o trabalho da instituição.
O objetivo central, segundo ele, é qualificar o agente público para que ele compreenda o seu verdadeiro papel: fazer com que as câmaras municipais exerçam a força do poder legislativo, contribuindo para o desenvolvimento do estado.
Sob a liderança de Misiara, a UVESP tem investido fortemente em programas de capacitação.
Entre as iniciativas mais recentes está o Programa Efetividade Pública, lançado em 2026, que oferece suporte técnico, jurídico e político aos parlamentares municipais, além de cursos, palestras e workshops voltados à modernização da gestão pública.
Estrutura ampliada e programação diversificada marcam a edição de 2026.
Para receber os mais de 10 mil participantes esperados, a organização do Conexidades precisou ampliar o espaço físico original. "O espaço era pequeno, resolvemos aumentar pegando este terreno e fazendo tendas para os auditórios", explicou Misiara, destacando o esforço logístico para acomodar a estrutura de debates.
A programação oficial cobre áreas estratégicas como meio ambiente e sustentabilidade, turismo e economia, saúde e segurança pública.
Entre os temas em destaque estão as eleições de 2026, tecnologia e inteligência artificial, reforma tributária, cidades inteligentes e as mudanças climáticas.
O evento conta ainda com programações paralelas de alto nível, como o Conexidades Mulher, espaço dedicado ao protagonismo feminino que reúne prefeitas, vereadoras, primeiras-damas e gestoras públicas, e o Palco Conexões.
A abertura oficial, na noite do dia 15 de junho, contou com representantes dos três níveis de governo, do sistema de controle externo e das principais entidades municipalistas do país.
Inteligência artificial e reforma tributária dominam os painéis de debate.
Entre os painéis mais concorridos do evento estão aqueles que discutem o impacto da inteligência artificial na gestão pública e a reforma tributária em curso no país.
A presença de autoridades como José Renato Nalini, secretário de Mudanças Climáticas da cidade de São Paulo, e o coronel Rinaldo Monteiro, chefe da Casa Militar e coordenador da Defesa Civil do estado, trouxe densidade técnica aos debates.
A reforma tributária, um dos temas mais sensíveis para os municípios, foi abordada sob a ótica dos impactos diretos nas finanças das cidades.
Já os painéis sobre cidades inteligentes e sustentabilidade exploraram soluções inovadoras para problemas urbanos, com cases de sucesso de municípios que já implementaram tecnologias de gestão baseadas em dados.
O Conexidades também abriu espaço para discussões sobre o último ano de mandato dos gestores municipais, abordando vedações legais, emendas impositivas no poder legislativo e o descongelamento remuneratório, temas que integram o 5º Workshop Jurídico-Administrativo promovido pela UVESP.
Spoiler: 10ª edição pode ter como sede Itu ou Olímpia.
Questionada por nossa reportagem sobre os planos para a 10ª edição do Conexidades, Misiara adiantou que há dois caminhos em avaliação: Itu ou Olímpia. "Itu é um espaço altamente significativo, onde tem um explendor, fica praticamente no centro do estado de São Paulo, facilita a chegada até lá", afirmou.
O litoral norte também foi cogitado, mas a dificuldade de mobilização de participantes do noroeste paulista pesou contra a escolha.
A decisão final, segundo Misiara, será tomada em conjunto com a mentoria e a curadoria do evento, ouvindo as entidades municipalistas e avaliando a infraestrutura de cada candidata.
O que já é certo é que a 10ª edição promete ser histórica, marcando uma década de um evento que se tornou referência nacional na discussão do desenvolvimento municipal.
Sebastião Misiara: uma trajetória de mais de cinco décadas dedicadas ao municipalismo.
Sebastião Misiara nasceu em Barretos, interior de São Paulo, no dia 14 de janeiro de 1946.
Bacharel em Direito e jornalista por formação, construiu uma das trajetórias mais sólidas do legislativo municipal paulista. Foi vereador em Barretos por 24 anos consecutivos, de 1973 a 1997, período em que presidiu a Câmara Municipal e ocupou todos os cargos da mesa diretora.
Presidiu também o Poder Constituinte local, responsável pela elaboração da Lei Orgânica do município.
Atualmente, Misiara preside o Conselho Gestor da UVESP, entidade que completa 49 anos em 2026, e também é diretor da Associação Paulista de Municípios (APM) e conselheiro da Rede Vida de Televisão.
Em abril de 2026, foi homenageado com o Troféu Dom José de Mattos, um dos mais tradicionais reconhecimentos do interior paulista, por sua contribuição à política, ao jornalismo e ao desenvolvimento regional.
Ao longo de sua trajetória, tornou-se uma das vozes mais respeitadas do municipalismo brasileiro, defendendo a tese de que os melhores prefeitos são aqueles que passaram pelo legislativo municipal e compreendem a importância do equilíbrio entre os poderes.

Por Ralph Lichotti e Robson Talber @robsontalber
Repórter Oscar Muller @oscarmulleroficial
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