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Campos dos Goytacazes se consolida como modelo de diversificação energética no Brasil
O secretário Municipal de Petróleo, Energia e Inovação Tecnológica de Campos dos Goytacazes, Marcelo Neves, apresentou nesta quarta-feira durante o Seminário das Energias Limpas no Golfe Olímpico como o município se tornou referência nacional em diversificação energética. Com 20 anos de experiência como professor de engenharia e 8 anos à frente da pasta municipal, Neves demonstrou como Campos conseguiu transformar sua tradição energética em modelo de sustentabilidade.
"Campos é um município histórico na área da energia. A primeira riqueza do município foi a questão da cana de açúcar, que continua sendo uma grande riqueza, pois dela você extrai o etanol que faz parte da matriz renovável brasileira", explicou o secretário, destacando a continuidade histórica entre diferentes fontes energéticas no município.
O gestor enfatizou que o município soube aproveitar sua vocação energética histórica para diversificar sua matriz. Campos dos Goytacazes ocupa hoje a segunda posição no estado do Rio de Janeiro em geração elétrica fotovoltaica, demonstrando como conseguiu integrar novas tecnologias à sua tradição energética consolidada.
Durante sua participação no seminário, Neves destacou que o município possui condições naturais favoráveis para múltiplas fontes de energia renovável. "Temos a cana de açúcar, somos hoje o segundo município do estado em geração elétrica fotovoltaica, temos também o hub próximo a Campos de energia eólica, e por ter muitas usinas e fazendas, também tem a parte da biodigestão", enumerou.
O secretário ressaltou que Campos se beneficia de um índice solarimétrico muito favorável, além de terras com custo adequado para implantação de usinas solares. Esta combinação de fatores naturais e econômicos posicionou o município como celeiro de energias renováveis no Norte Fluminense.
Conceito inovador de "inclusão energética"
Uma das contribuições mais significativas de Marcelo Neves ao debate foi a proposta de mudança conceitual do termo "transição energética" para "inclusão energética" ou "integração energética". O secretário argumentou que o termo transição sugere migração completa de uma fonte para outra, quando na realidade as diferentes fontes devem coexistir.
"Costumo enfatizar que é importante a gente mudar um pouco essa terminologia, porque na verdade transição dá a impressão que a gente tá migrando de uma forma de energia para outra. E na verdade a energia do petróleo ainda vai permanecer durante bastante tempo", explicou Neves, propondo uma visão mais realista e gradual da transformação energética.
Esta abordagem conceitual reflete a experiência prática de Campos, que conseguiu manter sua liderança na produção de petróleo - o município já produziu cerca de 85% do petróleo nacional - enquanto desenvolvia simultaneamente outras fontes energéticas. O modelo campista demonstra que é possível ser pioneiro em petróleo e em energias renováveis simultaneamente.
O secretário fundamentou sua proposta conceitual na lei da conservação de energia: "Como já disse Lavoisier lá atrás, energia não pode ser criada nem destruída, apenas ser transformada. Então o que a gente faz é transformar uma forma de energia em outra". Esta perspectiva científica embasa a visão de integração entre diferentes fontes energéticas.
Aproveitamento estratégico dos royalties
Marcelo Neves explicou como Campos dos Goytacazes conseguiu utilizar estrategicamente os recursos dos royalties do petróleo para desenvolver sua matriz de energias renováveis. Esta experiência pode servir de modelo para outros municípios produtores de petróleo no Brasil, demonstrando como transformar recursos de fontes fósseis em investimentos em sustentabilidade.
O município aproveitou sua expertise técnica desenvolvida na indústria petrolífera para facilitar a implementação de novas tecnologias energéticas. A presença de profissionais qualificados e infraestrutura tecnológica criada para o setor de óleo e gás facilitou a diversificação para outras fontes energéticas.
Campos também se beneficiou de sua posição como pioneiro brasileiro na produção de petróleo, especialmente em tecnologias ultraprofundas. Esta liderança tecnológica criou um ambiente favorável à inovação energética, permitindo que o município se mantivesse na vanguarda também nas energias renováveis.
O secretário destacou que o município conseguiu criar um ecossistema energético completo, integrando tradição e inovação. "Campos aí tá dando exemplo realmente pro estado do Rio de Janeiro na questão da matriz energética renovável", afirmou, posicionando o município como referência estadual.
Diversificação como estratégia de desenvolvimento
A estratégia de Campos dos Goytacazes demonstra como a diversificação energética pode ser uma ferramenta de desenvolvimento econômico sustentável. O município conseguiu reduzir sua dependência exclusiva do petróleo sem abandonar esta fonte de renda, criando múltiplas alternativas econômicas.
A biodigestão, mencionada pelo secretário, representa outra frente inovadora do município. Aproveitando os resíduos das atividades agropecuárias locais, Campos desenvolve energia a partir de biomassa, demonstrando como diferentes setores econômicos podem se integrar na produção energética.
A energia eólica também encontra espaço na região, com o desenvolvimento de hubs próximos ao município. Esta diversificação geográfica e tecnológica reduz riscos e aumenta a resiliência energética local, criando um modelo replicável para outras regiões.
O secretário enfatizou que esta diversificação não aconteceu por acaso, mas resultado de planejamento estratégico que considera as vocações naturais e econômicas do território. "Energia é importante para o desenvolvimento. Sem energia não há desenvolvimento", reforçou Neves.
Modelo para o Brasil e contribuição global
Marcelo Neves posicionou a experiência de Campos dos Goytacazes como contribuição para o modelo energético brasileiro, que já serve de exemplo mundial. "O Brasil é conhecido porque mais de 80% da matriz energética brasileira é renovável. E mais do que isso, diversificada", destacou o secretário.
O município demonstra como é possível conciliar tradição energética com inovação sustentável, mantendo competitividade econômica enquanto se desenvolve ambientalmente. Esta experiência pode orientar políticas públicas em outros municípios brasileiros com características similares.
A participação de Neves no Seminário das Energias Limpas reforça o papel de Campos como laboratório de políticas energéticas inovadoras. Sua experiência como secretário executivo da Organização dos Municípios Produtores de Petróleo por cerca de 10 anos oferece perspectiva única sobre os desafios e oportunidades da diversificação energética.
O modelo campista contribui para o posicionamento do Brasil nas discussões globais sobre energia, demonstrando que países em desenvolvimento podem liderar a transição energética sem comprometer seu crescimento econômico. Esta experiência será fundamental nas discussões da COP 30, onde o Brasil buscará protagonismo na agenda climática global.

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ
Por Robson Talber @robsontalber
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