'Só por outro partido': Canella veta vice de Lisboa com Paes e reivindica candidatura própria

Federação União Progressista busca protagonismo no Rio e rejeita papel coadjuvante com Eduardo Paes

'Só por outro partido': Canella veta vice de Lisboa com Paes e reivindica candidatura própria

Prefeito de Belford Roxo diz que federação União Progressista terá nome próprio e descarta aliança com ex-prefeito de Nova Iguaçu

O prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, não deixou margem para dúvidas ao ser questionado sobre a possibilidade de Rogério Lisboa, ex-prefeito de Nova Iguaçu, compor como vice-governador a chapa de Eduardo Paes para o governo do estado em 2026. Em declaração categórica, Canella foi direto ao ponto: "Só se for por outro partido. A federação União Progressista terá candidato próprio". A frase ganhou ainda mais peso quando o prefeito acrescentou que estava "falando pelos caciques", indicando que sua posição reflete o pensamento da cúpula partidária nacional.

A polêmica surgiu após o prefeito de Mangaratiba, Luiz Cláudio, do Republicanos, se referir a Rogério Lisboa como "futuro vice-governador do estado" durante uma reunião com secretários municipais na última sexta-feira. A declaração não passou despercebida pelos observadores políticos fluminenses, que já especulavam sobre possíveis arranjos eleitorais envolvendo o ex-mandachuva de Nova Iguaçu. No entanto, a resposta de Canella deixou claro que a federação União Progressista não está disposta a abrir mão de seus próprios projetos políticos para acomodar interesses externos.

Márcio Canella tem se posicionado há meses como pré-candidato da federação União Progressista ao governo do Rio de Janeiro, movimento que ganhou força após sua atuação destacada no combate às barricadas do crime organizado em Belford Roxo. O prefeito conseguiu resultados significativos na área de segurança pública, tema central para o eleitorado fluminense, e isso fortaleceu sua imagem como gestor eficiente e preparado para desafios maiores. Sua proximidade histórica com o presidente nacional do União, Antônio Rueda, desde os tempos em que a sigla ainda era PSL, também contribui para consolidar sua posição como nome natural da federação.

A declaração de Canella revela uma estratégia política clara da federação União Progressista: manter autonomia e não se subordinar aos arranjos tradicionais da política fluminense. Ao afirmar que fala "pelos caciques", o prefeito demonstra que sua posição não é isolada, mas reflete uma decisão coletiva da direção partidária. Esta postura pode significar uma mudança importante no cenário eleitoral de 2026, com a federação buscando protagonismo próprio em vez de se contentar com posições secundárias em chapas lideradas por outros partidos.

O posicionamento também indica que Rogério Lisboa, caso queira mesmo integrar a chapa de Eduardo Paes, precisará encontrar outro caminho partidário. O ex-prefeito de Nova Iguaçu, que construiu uma carreira política sólida na Baixada Fluminense, agora se vê diante da necessidade de redefinir suas alianças se quiser manter viva a possibilidade de disputar o cargo de vice-governador. A situação evidencia as complexidades do jogo político fluminense, onde antigas alianças podem ser rapidamente reconfiguradas conforme os interesses eleitorais se modificam.

Estratégia da federação União Progressista ganha contornos definidos

A posição firme de Márcio Canella reflete uma estratégia mais ampla da federação União Progressista de buscar protagonismo no cenário político fluminense. Diferentemente de outras agremiações que frequentemente se contentam com posições secundárias em chapas majoritárias, a federação demonstra ambição de liderar seu próprio projeto político. Esta abordagem pode ser vista como uma aposta na capacidade de crescimento eleitoral da sigla, especialmente considerando os resultados positivos obtidos por Canella em Belford Roxo.

A federação União Progressista, formada pelo União Brasil e outros partidos menores, representa uma força política em ascensão no Rio de Janeiro. Com Canella se destacando como gestor eficiente e com capacidade de enfrentar problemas complexos como a segurança pública, a federação vê uma oportunidade real de disputar o governo estadual com chances competitivas. O apoio explícito dos "caciques" partidários, mencionado pelo próprio Canella, sugere que esta estratégia conta com respaldo da direção nacional.

O timing da declaração de Canella também não é casual. Ao se posicionar de forma clara sobre a questão de Rogério Lisboa, o prefeito marca território e sinaliza para outros atores políticos que a federação não está disponível para negociações que não reconheçam seu protagonismo. Esta postura pode influenciar outros movimentos no tabuleiro político fluminense, forçando Eduardo Paes e outros pré-candidatos a reverem suas estratégias de alianças.

A experiência bem-sucedida de Canella no combate ao crime organizado em Belford Roxo serve como principal credencial para sua pré-candidatura. O prefeito conseguiu resultados concretos em uma área onde muitos gestores falharam, demonstrando capacidade executiva e coragem política para enfrentar problemas estruturais. Esta experiência pode ser um diferencial importante numa eleição onde a segurança pública certamente será tema central.

Impactos no cenário eleitoral de 2026

A decisão da federação União Progressista de lançar candidatura própria ao governo do Rio adiciona um novo elemento ao já complexo cenário eleitoral de 2026. Com Márcio Canella se posicionando como pré-candidato, o pleito ganha mais um competidor com potencial de influenciar significativamente os resultados. A entrada da federação na disputa pode alterar as estratégias dos demais pré-candidatos, especialmente aqueles que contavam com o apoio ou a neutralidade da sigla.

Para Eduardo Paes, a posição de Canella representa um desafio adicional em sua estratégia de construção de alianças. O ex-prefeito do Rio, que busca retornar ao cenário estadual, precisará encontrar outras alternativas para compor sua chapa, já que a federação União Progressista deixou claro que não está disponível para parcerias subordinadas. Esta situação pode forçar Paes a buscar apoio em outros partidos ou a reconsiderar sua estratégia de vice-governador.

A candidatura de Canella também pode atrair eleitores descontentes com as opções tradicionais da política fluminense. Seu perfil de gestor eficiente, combinado com os resultados obtidos na segurança pública, pode ressoar bem junto a um eleitorado que busca renovação e competência administrativa. A federação União Progressista aposta que este perfil pode ser competitivo numa eleição onde a gestão eficiente será valorizada pelos eleitores.

O posicionamento firme da federação também sinaliza uma mudança na dinâmica política do Rio de Janeiro, onde tradicionalmente os partidos menores se contentavam com posições secundárias. A estratégia de buscar protagonismo próprio pode inspirar outras siglas a adotarem postura semelhante, potencialmente fragmentando ainda mais o cenário eleitoral e criando novas possibilidades de alianças e coligações.


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Por Ultima Hora em 23/11/2025
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