Sucessão planejada: Jair Bittencourt abre mão da reeleição e projeta filho Jair Neto para herdá-lo na Assembleia

De vice-prefeito a deputado: como Jair Bittencourt Neto herdará o lugar que o pai deixa na Alerj

Sucessão planejada: Jair Bittencourt abre mão da reeleição e projeta filho Jair Neto para herdá-lo na Assembleia

Movimento estratégico acelera candidatura de vice-prefeito de Itaperuna para deputado estadual em 2026; plano original era 2030, mas oportunidade mudou o calendário político

Quando Jair Bittencourt (PL) assumiu a Secretaria de Governo do Estado do Rio de Janeiro na segunda-feira 23 de março — minutos após a renúncia de Cláudio Castro —, abriu mão de algo que havia conquistado com 75.253 votos em 2022: sua vaga na Assembleia Legislativa. Mas não se trata de uma perda no xadrez político da família Bittencourt. É, na verdade, um avanço calculado. O vácuo deixado por sua saída da Alerj será preenchido por seu filho, Jair Bittencourt Neto, vice-prefeito de Itaperuna desde janeiro de 2025, que agora é alçado à disputa por deputado estadual em uma manobra que acelera em quatro anos o cronograma sucessório previamente planejado pela família.

A informação circula em veículos regionais como Natividade FM, Agenda do Poder e blogs políticos do interior fluminense: inicialmente, o plano da família era construir a candidatura de Jair Neto para 2030, permitindo que consolidasse experiência no cargo municipal. Mas a decisão repentina de Cláudio Castro de nomear Jair Bittencourt secretário de Governo criou uma oportunidade imediata. Com o pai escalado para posto estratégico no Palácio Guanabara, o caminho para o filho chegar à Alerj — a principal casa de poder estadual — se abriu antes do previsto. A candidatura que estava projetada para daqui a quatro anos agora é matéria de agenda para o próximo boletim eleitoral.

Bittencourt Neto sai de Itaperuna para ocupar o lugar que o pai deixa

Jair Bittencourt Neto, 30 e poucos anos, chegou à vice-prefeitura de Itaperuna em eleição municipal de 2024, integrado à chapa vencedora ao lado do prefeito Nel (Emanuel Medeiros da Silva). Até então, era figura emergente no cenário político do Noroeste Fluminense — município que fica a 180 quilômetros de distância de Niterói, numa região historicamente dominada por máquinas políticas e lealdades familiares. Sua ascensão foi célere, protegida pela máquina do pai, que já estava há anos na Alerj. Agora, com apenas um ano na vice-prefeitura, é impulsionado para o próximo degrau: deputado estadual.

A lógica é clara: o pai sai da Alerj, o filho entra. A família Bittencourt mantém representação no Legislativo estadual, mas desloca o foco político — o pai agora controla a máquina administrativa (com poder de definir investimentos, emendas, benefícios), enquanto o filho garante voz na Assembleia. É pirâmide política clássica brasileira, onde poder administrativo e poder legislativo se reforçam mutuamente.

Para que a manobra funcione perfeitamente, será preciso que a estrutura do PL no Noroeste Fluminense mobilize bases de apoio, máquinas municipais e lealdades estabelecidas ao longo de três décadas de presença Bittencourt. Flávia Pires, comentarista política do interior, notou em seu portal que “novo cenário político pode abrir caminho para sucessão de Jair Bittencourt em Itaperuna” — sugerindo que a saída do pai do executivo local (ele foi prefeito em 2004-2008) abre outras possibilidades para o clã manter hegemonia na cidade.

A máquina estatal a serviço da campanha familiar

O timing é particularmente significativo. Jair Bittencourt Neto foi lançado na vice-prefeitura apenas em janeiro de 2025. Nove meses depois, seu pai já está no coração do governo estadual, controlando a distribuição de recursos, o diálogo com deputados e a alocação de investimentos. É período bastante suficiente para que o filho ganhe visibilidade — inaugurações de obras, presença em inaugurações de escolas e unidades de saúde, fotos em eventos governamentais ao lado do pai secretário. A máquina estatal fluminense, quando em modo campanha política, serve tanto para governar quanto para promover candidatos.

Recentemente, durante as enchentes que assolaram o Noroeste Fluminense em fevereiro, Jair Bittencourt (na época ainda deputado) aparecia em vídeos articulando “envio de maquinários e recursos” para cidades afetadas. Agora, como secretário de Governo, ele controla a torneira: quem recebe investimento, quem espera, quem fica de fora. Seu filho, como vice-prefeito, será inevitavelmente associado a essas vitórias — escolas reformadas, ruas recuperadas, famílias atendidas. A campanha não foi nem declarada, mas já funciona.

O plano original: por que foi acelerado?

Segundo a Agenda do Poder, que cobre política do interior, “inicialmente, o plano da família era construir a candidatura dele para 2030”. Isso permitiria que Jair Neto tivesse quatro anos completos de experiência como vice-prefeito, consolidando nome, projetando feitos (reais ou atribuídos) e construindo bases eleitorais independentes. Seria a trajetória tradicional: experiência municipal → salto para estadual.

Mas a saída repentina de Cláudio Castro mudou o calendário. Com o governador renunciando para escapar da cassação no TSE, criou-se instabilidade que Castro e seus aliados (incluindo Jair Bittencourt) tentam agora controlar. Nomear Bittencourt secretário de Governo foi ato de fortalecimento de sua máquina — retenção de poder dentro do executivo estadual. E, como efeito colateral ou calculado, abriu a porta para que o filho pulasse quatro anos e se candidatasse em 2026.

A Folha de S.Paulo, em cobertura regional, anotou que “Castro aposta em Jair Bittencourt e pressiona aliança com União Brasil na reta final do governo”. O investimento de Castro no deputado-virado-secretário é, portanto, aposta também na continuidade de influência da família Bittencourt — que, com filho na Alerj, continuará sendo voz ouvida no Legislativo mesmo que o pai esteja fora dali.

Perspectivas: se Jair Neto vencer em 2026, a família consolida poder

A eleição de Jair Bittencourt Neto para deputado estadual em 2026 não é garantida, mas é provável. Ele herda máquina bem estabelecida, nome reconhecido no Noroeste Fluminense, coligações municipais fortes e, mais importante, pai secretário de Governo — que pode, oficialmente através de programas, ou informalmente através de promessas, direcionar recursos para municípios que votem em seu filho.

Se vencer, a família Bittencourt terá conseguido o que poucas elites políticas brasileiras conseguem: gerações sucessivas de poder. Jair (pai) sai da Alerj, mas não sai da política — entra no executivo. Jair Neto entra na Alerj, iniciando sua própria trajetória. Ambos alimentam a máquina; ambos colhem seus frutos.

Se perder, seria surpresa genuína — o que sugeriria que base de apoio da família Bittencourt está mais frágil do que parece de fora. Mas sinais preliminares, vindos de rádios e blogs políticos do interior, sugerem confiança. A candidatura está sendo preparada. O pai já está no lugar certo — Palácio Guanabara.

Conclusão: a continuidade de poder através da renovação de nomes

O movimento de Jair Bittencourt em assumir secretaria de Governo e abrir mão da reeleição não é fraqueza; é sofisticação política. A família não perde representação legislativa — apenas muda a geração. O pai, na máquina administrativa, terá mais poder para distribuir que qualquer deputado poderia ter. O filho, na Alerj, herda votos, máquinas e nome consolidado.

Para o eleitor do Noroeste Fluminense, isso significa que a vida política continuará girando em torno da família Bittencourt. Para a democracia fluminense, é exemplo de como elites estabelecidas perpetuam poder através de mecanismos formais — candidaturas legítimas, votações, processo eleitoral — sem nunca efetivamente o compartilharem com outsiders. Jair Bittencourt Neto começará sua carreira na Alerj em 2027 com herança que poucos políticos conseguem: máquina funcional, estrutura consolidada e pai no coração do governo do estado.

Por Ultima Hora em 30/03/2026
Aguarde..