Vereador Salvino Oliveira retorna à Câmara do Rio e desafia a Polícia Civil com extrato bancário em mãos, mas a Polícia Civil já descartou a vsua versão antes do discurso de Salvino

Entre aplausos e acusações: o dia em que Salvino Oliveira voltou à Câmara e o caso ganhou novo capítulo

Vereador Salvino Oliveira retorna à Câmara do Rio e desafia a Polícia Civil com extrato bancário em mãos, mas a Polícia Civil já descartou a vsua versão antes do discurso de Salvino

Vereador Salvino Oliveira retorna à Câmara do Rio e desafia a Polícia Civil com extrato bancário em mãos, Preso na semana passada durante operação que investigava ligações com o Comando Vermelho, parlamentar voltou ao plenário aplaudido pelos colegas e reafirmou que sua inocência será provada na Justiça

O Palácio Pedro Ernesto voltou a ser palco de um episódio inédito na política carioca nesta terça-feira, 17 de março. Menos de uma semana após ser detido durante a Operação Contenção Red Legacy, o vereador Salvino Oliveira (PSD) retornou à Câmara Municipal do Rio de Janeiro, subiu à tribuna e enfrentou, de frente, as acusações que o levaram à prisão. Com uma cópia do seu extrato bancário na mão, o parlamentar desafiou publicamente a versão da Polícia Civil e afirmou que os R$ 100 mil rastreados em sua conta têm origem em um prêmio concedido pela ONU. A corporação, contudo, já havia descartado essa explicação antes mesmo de o vereador terminar seu discurso.

O retorno ao plenário

O momento em que Salvino Oliveira adentrou o plenário da Câmara Municipal foi marcado por uma cena que resume as contradições da política fluminense. O parlamentar foi recebido com aplausos por colegas de diferentes espectros políticos — incluindo Rafael Satiê, do PL, único vereador da oposição a bater palmas. Na sequência, recebeu abraços de Monica Benicio (PSOL), Flávio Pato (PSD), Talita Galhardo (PSDB), Tânia Bastos (Republicanos) e Pastor Deangeles Percy (PSD). A solidariedade atravessou legendas e revelou uma lógica que, no ambiente político, frequentemente se sobrepõe a qualquer investigação criminal: o corporativismo parlamentar.

O discurso e a versão do vereador

Da tribuna, Salvino Oliveira foi direto ao ponto. Denunciou o que chamou de "uso político das forças policiais do estado" e afirmou confiar nas instituições — ao mesmo tempo em que as criticou. "Não é trivial que um parlamentar seja preso por mensagens enviadas por terceiros. Jamais imaginei ver a nossa honrosa Polícia Civil aparelhada por um grupo político e praticando o que fez na minha casa", declarou, encerrando com a frase que reverberou pelo plenário: "Tenho certeza de que minha inocência será provada." O discurso tocou a câmara e rendeu nova rodada de aplausos.

O extrato bancário e a versão da ONU

O ponto mais dramático do retorno de Salvino veio quando ele apresentou ao plenário — e ofereceu à imprensa — uma cópia do seu extrato bancário. Segundo o vereador, o montante identificado como suspeito pela Polícia Civil, superior a R$ 100 mil, é na verdade um pagamento de R$ 117 mil referente a um prêmio recebido da Organização das Nações Unidas (ONU) para execução de um projeto com prestação de contas prevista para dezembro. "Fico muito triste que tudo isso esteja acontecendo, principalmente pela justificativa utilizada", afirmou. A versão, no entanto, já havia sido formalmente refutada horas antes pela própria corporação que o prendeu.

A resposta da Polícia Civil: a ONU não tem nada a ver com isso

O Departamento Geral de Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DGCOR-LD) foi categórico: o montante comunicado ao COAF como movimentação atípica não tem nenhuma ligação com qualquer premiação internacional. A investigação apontou que os valores suspeitos são resultado de depósitos em espécie na conta do parlamentar e de transferências provenientes de uma empresa de informática instalada dentro do Complexo da Maré — área reconhecida como território sob controle do Comando Vermelho. A corporação esclareceu ainda que premiações, por si sós, não configuram automaticamente alerta no sistema do COAF. A suspeição, explicou, decorre de critérios técnicos objetivos, consolidados e reconhecidos internacionalmente.

A operação e o habeas corpus

Salvino Oliveira foi preso no dia 11 de março durante a Operação Contenção Red Legacy, que mirava a estrutura nacional do Comando Vermelho e investigava o envolvimento de políticos e agentes públicos com a facção criminosa. Segundo o inquérito, o vereador teria sido citado em diálogos como articulador de um acordo para fazer campanha eleitoral dentro de uma comunidade dominada pelo CV, além de ter supostamente negociado quiosques na Gardênia Azul com traficantes em troca de apoio político. Dois dias após a detenção, o desembargador Marcus Basílio, do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), concedeu habeas corpus e o parlamentar foi solto.

As negações e o que a investigação ainda vai revelar

Do alto da tribuna, Salvino foi enfático ao negar os episódios mais graves apontados no inquérito. "Quem é do mundo político sabe que jamais tive qualquer envolvimento com quiosques, desde o primeiro momento, e menos ainda com facções criminosas. Tenho esperança de que as instituições funcionem corretamente", disse. O DGCOR-LD, por sua vez, reforçou que todas as apurações seguem "de forma técnica, isenta e profissional", com as diligências necessárias para concluir o inquérito. Entre a versão do vereador e o rastro financeiro levantado pela investigação, o que a Justiça decidirá permanece, por ora, em aberto — mas o Rio de Janeiro já assistiu ao segundo capítulo de um caso que promete revelar muito mais sobre os limites entre política e crime organizado neste estado.

Fontes: Câmara Municipal do Rio de Janeiro / Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (DGCOR-LD) / COAF / Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro / Rádio Tupi / G1 Rio / O Globo / O Dia

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Por Ultima Hora em 18/03/2026
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