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Vice-prefeito do Rio é apontado como cofundador da Gabriel Tecnologia em depoimento na CPI
A ligação entre o vice-prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere (PSD), e a empresa Gabriel Tecnologia se tornou o centro das atenções durante a reunião da CPI das Câmeras na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) desta segunda-feira. O diretor executivo da companhia, Erick Castiglioni Coser, confirmou que Cavaliere foi um dos fundadores da Gabriel em 2019, mas se desligou da sociedade em 2020 para seguir carreira política, revelação que adiciona uma nova dimensão política às investigações da comissão.
O nome do vice-prefeito foi inicialmente mencionado pelo deputado Alexandre Knoploch (PL), presidente da CPI das Câmeras, que questionou se a suposta dependência do estado em relação à tecnologia da Gabriel teria conexão com os vínculos da empresa com Cavaliere. "O estado avalia que precisa da Gabriel, já que ela tem uma solução que o estado não tem. Então deixa de ser uma questão colaborativa. A Gabriel deu um xeque-mate empresarial. O estado acaba sendo escravo", afirmou Knoploch, sugerindo que a empresa teria criado uma situação de monopólio tecnológico no setor de monitoramento público.
Em resposta às indagações, o diretor executivo da Gabriel surpreendeu ao afirmar que a relação com Eduardo Cavaliere, na verdade, "só atrapalhou" a empresa. Coser destacou que não há integração entre a Gabriel e os sistemas municipais como o Civitas e o COR (Centro de Operações Rio), nem com as forças de segurança do estado. "Hoje, ter sido sócio do Eduardo Cavaliere só atrapalhou a Gabriel. Além de ser honesto, é preciso parecer honesto", declarou o executivo, numa tentativa de distanciar a empresa de qualquer favorecimento político.
A revelação sobre a participação de Cavaliere como cofundador da Gabriel levanta questões sobre possíveis conflitos de interesse, especialmente considerando que a empresa atua no setor de segurança pública através da instalação de câmeras em vias públicas da capital. A CPI das Câmeras, instalada em junho deste ano, investiga não apenas as empresas privadas que atuam com instalação de câmeras em locais públicos, mas também possíveis irregularidades relacionadas à falta de transparência e ausência de licenciamento específico da prefeitura para a instalação dos equipamentos.
O vice-prefeito Eduardo Cavaliere não se manifestou sobre as declarações até o fechamento da reportagem, deixando em aberto questões sobre sua participação na fundação da empresa e os motivos de seu desligamento em 2020. A investigação da CPI também abrange cooperativas envolvidas na recuperação de veículos roubados, buscando possíveis ligações entre seguradoras, cooperativas e o crime organizado. Segundo Knoploch, os altos custos dos seguros de veículos no Rio podem estar relacionados a uma cadeia que, ao invés de proteger os clientes, utiliza parte dos valores pagos para alimentar práticas criminosas, ampliando o escopo das investigações para além das questões de monitoramento urbano.
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