Vice-Presidente da Alerj, Zeidan defende auditoria de Ricardo Couto e questiona rapidez para eleger presidente da Casa 'Eleição Foi para Escolher Governador, Não Presidente'

Deputada Zeidan Expõe Bastidores da Crise: 'Por Que Essa Pressa para Eleger Governador?'

Crise Política no Rio: Oposição Obstrui Eleição para Presidência da Alerj em Meio à Sucessão Controversa

Bloco de esquerda questiona legitimidade do processo que pode definir novo governador do estado

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) viveu nesta quinta-feira um dos episódios mais tensos de sua história recente. A eleição para a presidência da Casa foi marcada por uma obstrução coordenada da oposição, que questionou não apenas o processo eleitoral, mas toda a linha sucessória que pode levar o estado a ter um novo governador escolhido indiretamente.

A deputada estadual Zeidan (PT), terceira vice-presidente da Mesa Diretora da Alerj, liderou um bloco de esquerda composto por PT, PSD, PSOL, PDT e PC do B que optou por não dar quórum à sessão. "Fizemos uma obstrução, não votamos. Tirar o quórum é direito de qualquer parlamentar quando não concorda com aquela pauta", explicou a parlamentar em entrevista exclusiva.

Estratégia Política Controversa

O movimento da oposição não foi uma simples abstenção, mas uma estratégia política calculada para questionar a legitimidade do processo. Segundo Zeidan, a eleição de hoje não foi para presidir a Assembleia Legislativa, mas para estabelecer a linha sucessória do governador. "Ele vai entrar com processo hoje mesmo para que ele seja o governador amanhã", alertou a deputada.

A preocupação da oposição se baseia no histórico conturbado do estado, que já viu sucessivos governadores passarem pelo crivo jurídico, enfrentando impeachments, prisões e afastamentos. "É manter o mesmo poder sobre aquela força política do Estado", criticou Zeidan, referindo-se à eleição do candidato apoiado pelo governador afastado Cláudio Castro.

Pressões e Voto Secreto

Um dos pontos centrais da disputa foi a exigência de voto secreto, negada pelo tribunal ontem. A oposição argumenta que um voto aberto permite pressões indevidas sobre os parlamentares, especialmente considerando as declarações do ministro Gilmar Mendes sobre cerca de 30 parlamentares envolvidos em questões de suborno.

"Um voto aberto, a pressão e cerceamento é muito grande. Temos prefeitos que têm relação com seus deputados, então eles são imediatamente pressionados a forçar o deputado a votar no candidato do governo", explicou a deputada, destacando as peculiaridades do cenário político fluminense.

Supremo Tribunal Federal no Centro da Decisão

O julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre eleições diretas versus indiretas está em 4 a 1 a favor das eleições indiretas, mas ainda aguarda posicionamento final. A oposição defende que a votação deveria ter aguardado essa decisão definitiva da Corte.

Enquanto isso, o presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo Couto, que assumiu interinamente o governo, já iniciou reformas administrativas, extinguindo três subsecretarias da Casa Civil e quase 300 cargos de confiança da Secretaria de Governo, além de revisar contratos e fazer auditorias.

Impactos na Governabilidade

A crise política se reflete diretamente na administração estadual. A deputada Zeidan mencionou a greve dos servidores da Uerj e a não efetivação da equiparação salarial aprovada pela Casa. "Todas as demandas que conseguimos aprovar na casa não são executadas pelo governador", lamentou.

A situação se torna ainda mais complexa considerando que o Rio de Janeiro enfrenta desafios únicos, incluindo crime organizado, corrupção e pressões sobre parlamentares. "O Rio de Janeiro não é para amador", frisou a deputada, ecoando uma expressão popular que resume a complexidade da política estadual.

Perspectivas Futuras

A oposição mantém esperanças de que o STF possa ainda anular a eleição realizada hoje. Existem recursos do PDT em nível nacional e outros processos aguardando julgamento no Supremo. "Pode novamente ser anulado essa eleição", afirmou Zeidan, demonstrando que a crise política está longe de uma resolução definitiva.

O episódio expõe as fragilidades do sistema político fluminense e levanta questões fundamentais sobre legitimidade democrática, transparência eleitoral e governabilidade em um dos estados economicamente mais importantes do país.

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ

Por Robson Talber @robsontalber 

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Por Ultima Hora em 17/04/2026
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