Vice-presidente do PT, Quaquá se declara favorável à megaoperação no Rio, mas cobra planejamento e políticas sociais

Washington Quaquá, prefeito de Maricá, afirma ser favorável à retomada de territórios dominados pelo crime em ações “contundentes”, mas cobra maior planejamento nas incursões e melhores condições de vida para os moradores das favelas do RJ

Vice-presidente do PT, Quaquá se declara favorável à megaoperação no Rio, mas cobra planejamento e políticas sociais

O vice-presidente nacional do PT e prefeito de Maricá, Washington Quaquá, declarou apoio à megaoperação policial realizada na última terça-feira (28) nos complexos do Alemão e da Penha, que deixou 121 mortos, incluindo quatro policiais. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele se disse “absolutamente favorável à incursão”, mas afirmou que “faltou planejamento” na ação e defendeu que o Estado também garanta melhores condições de vida nas favelas.

“O grande problema hoje do Brasil é essa tentativa de politização de tudo o que acontece no país. Me posicionei absolutamente favorável à incursão, embora eu ache que tenha faltado planejamento”, afirmou Quaquá na publicação.

O dirigente do PT disse ainda que é preciso retomar territórios dominados pelo tráfico, ressaltando que a ocupação das áreas é papel do Estado. “Não podemos permitir que bandidos controlem territórios e expulsem pessoas de suas casas, estuprem mulheres e jovens e desencaminhem filhos de trabalhadores para ganhar 300 pratas por semana”, afirmou. “Não se combate o crime sem liberar território, e não se libera território sem uma polícia que vá lá fazer a ocupação. Não se faz ocupação dando beijinhos”.

‘Não é esse pessoal da Zona Sul que vai defender que não haja ações contundentes’

Quaquá afirmou que fala com a experiência de quem viveu em comunidade e perdeu familiares para o tráfico. “Eu sei o que é favela, perdi uma dezena de primos para o tráfico. Morei em barraco até os 18 anos. Não é esse pessoal da Zona Sul, que não têm seus territórios dominados e não perdem seus parentes para o tráfico, que vai defender que não haja ações contundentes para tomar o território da bandidagem”, disse.

Apesar do apoio à operação, o petista cobrou que o poder público ofereça oportunidades à população das favelas e atue também contra os financiadores do crime. “É preciso dar condições de vida para o povo da favela, combater o pessoal lá em cima que financia o crime e não está na favela. Uma coisa não exclui a outra”, afirmou.

“A luta contra o crime tem que unir todo mundo: prefeito, governador, presidente, Congresso, Supremo. Não é hora de politicagem, é hora de seriedade e coragem pra libertar o povo do domínio do crime”, completou.

Posição contrasta com base lulista

O posicionamento de Quaquá vai na contramão da maioria dos eleitores da esquerda. A pesquisa Genial/Quaest divulgada neste sábado (1º) mostrou que a megaoperação no Alemão e na Penha foi desaprovada por 70% do eleitorado do campo político, e por 59% dos declarados lulistas. 

Segundo o levantamento, no campo da direita, a aprovação é de 92%, enquanto no recorte de bolsonaristas a estatística chega a 93%. A pesquisa mostra ainda que em termos gerais, dos 1500 entrevistados, 64% é favorável à megaoperação.

Por Ultima Hora em 02/11/2025
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