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Empresário relembra chegada a São Paulo como garçom nos anos 1970, a expansão dos negócios no Rio e a construção de um império familiar que atravessou planos econômicos, crises e transformações do país.
A jornada que começou com uma bandeja na mão
Em entrevista ao Jornal da República e Última Hora, direto do evento do Banco de Negócios de Lébeo Ribeiro, na Churrascaria Laço de Ouro, na Taquara, o proprietário Rudi revisitou uma história que sintetiza a força do trabalho, da persistência e da intuição empreendedora.

Nascido no Sul do país, ele chegou a São Paulo em 1972, como tantos migrantes que buscavam novas oportunidades no coração econômico do Brasil. Começou como garçom, passou a balconista e, com o tempo, conquistou participação nos negócios quando esforço e talento abriram portas que a vida insistia em manter fechadas.
A chegada ao Rio e a construção de um nome
Em 1985, a convite do irmão, Rudi desembarcou em Bangu, onde inaugurou sua primeira churrascaria no estado. A casa prosperou e se tornou referência local. Ainda assim, ele queria mais.

Em 1992, comprou o imóvel onde se instalaria a atual Churrascaria Laço de Ouro de Jacarepaguá, hoje com 33 anos de funcionamento.
Mas a compra do terreno foi marcada pelos sobressaltos da economia brasileira:
“Eu tinha o dinheiro guardado na poupança. Um mês antes do presidente Collor confiscar tudo, eu comprei o prédio e financei o resto. Foi Deus, sorte e trabalho”, conta.
O país corria atrás da própria estabilidade e Rudi corria junto.
Uma história moldada por crises e reinvenção
A trajetória da Laço de Ouro passa por altos e baixos típicos do Brasil dos anos 1980 e 1990: Plano Sarney, inflação galopante, mudanças de moeda e o traumático congelamento de ativos. Para não depender de um único ramo, Rudi decidiu diversificar.

“Comecei a comprar máquinas de terraplenagem para alugar. Eu trabalhava aqui, e uma empregada ia buscar os cheques no fim do mês. Foi dando certo.”
Hoje, o filho é engenheiro e assume a frente desse setor, enquanto o pai segue no salão da churrascaria, conversando com clientes e garantindo a qualidade da carne, atividade que ele admite exercer “com paixão”.
A Laço de Ouro hoje: tradição e atendimento diário.
Aberta todos os dias, das 11h às 23h, a churrascaria oferece rodízio completo e buffet com preço reduzido, mantendo a tradição de cortes bem preparados e atendimento familiar. Rudi chama, conversa, sorri, conhece a clientela.
“Jacarepaguá sempre me abraçou. Eu gosto de estar aqui dentro, ouvir os clientes, ver se a carne está no ponto.
A churrascaria é meu lugar.”
A Laço de Ouro ainda conta com uma unidade em Jundiaí (SP), além da estrutura de terraplenagem administrada pela família.
O convite do fundador
Rudi encerra com simplicidade e orgulho:
“Quem não conhece ainda, vem. Aqui tem uma das melhores carnes do Rio de Janeiro. Vai sair satisfeito.”
Como diria Guimarães Rosa, “o real não está na saída nem na chegada: está para ser descoberto no meio da travessia”.
A travessia de Rudi começou com uma bandeja e o trouxe até um dos mais tradicionais restaurantes da Zona Oeste carioca — história que vale cada página.

Por Ralph Lichotti e Robson Talber @robsontalber
Repórter Oscar Muller @oscarmulleroficial
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