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Entre os depoimentos que emocionaram o público, destacou-se o da ialorixá Márcia Marçal, que compartilhou uma reflexão sincera sobre a presença de Xangô em sua vida desde a infância, muito antes de compreender os caminhos da religião.
Referência no Candomblé e uma das mais respeitadas lideranças religiosas do Rio de Janeiro, Márcia contou que, ainda criança, recorria a Xangô sempre que enfrentava dificuldades. Sem saber qual era seu orixá, encontrava nele força, proteção e esperança para seguir em frente.
“Eu sempre chamava por Xangô. Pedia proteção para minhas caminhadas e para as dificuldades da vida. Naquela época eu nem sabia o motivo. Era apenas um amor muito grande por esse orixá”, relembrou.
Com o passar dos anos e seu aprofundamento na religião, Márcia descobriu que essa ligação fazia parte da própria história de sua família. Seu avô materno, Seu Eloy, um dos fundadores da tradicional escola de samba Império Serrano, era iniciado para Xangô. A conexão espiritual atravessou gerações: sua mãe também era filha de Xangô e, mais tarde, seu próprio filho foi confirmado para o mesmo orixá.
“Meu avô era de Xangô, minha mãe era de Xangô e meu filho também é de Xangô. Para mim, isso não é coincidência. É a confirmação de que Xangô sempre esteve presente na minha vida.”
Durante o relato, a ialorixá também falou sobre sua devoção aos orixás e a importância da ancestralidade em sua caminhada espiritual.
“Sou muito apaixonada pelos orixás. Tenho uma gratidão imensa por tudo. Xangô é uma das razões da minha vida, um orixá que sempre esteve ao meu lado, me protegendo, me fortalecendo e me ensinando sobre justiça.”
A fala emocionou seguidores e reforçou um dos maiores ensinamentos de Xangô: a busca pela justiça, pelo equilíbrio e pela verdade. Mais do que uma homenagem ao orixá, o testemunho de Márcia Marçal se tornou uma celebração da fé, da ancestralidade e da força das religiões de matriz africana.
Após as celebrações do Dia de Xangô, a história compartilhada pela ialorixá reafirma que a espiritualidade transcende gerações. Em sua família, a presença de Xangô não representa apenas uma tradição religiosa, mas um legado de proteção, coragem e resistência que continua vivo, inspirando filhos, netos e todos aqueles que encontram na fé a força para enfrentar os desafios da vida.
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