Audiência pública reúne mais de 1.000 pessoas em Ilha Grande contra Taxa de Turismo

Povo lotou o evento, falas emocionadas marcaram a noite e parlamentares cobram explicações da prefeitura

Audiência pública reúne mais de 1.000 pessoas em Ilha Grande contra Taxa de Turismo

Não havia mais espaço. A audiência pública realizada nesta quinta-feira em Ilha Grande reuniu mais de mil pessoas e se transformou em um dos maiores protestos populares já registrados contra uma medida da Prefeitura de Angra dos Reis. O motivo: a chamada Taxa de Turismo Sustentável, que prevê cobrança de até R$ 95 por visitante da ilha.

Mas o que começou como uma discussão sobre turismo rapidamente revelou uma ferida mais antiga. Moradores subiram ao microfone com emoção, relatando anos de convivência com lixo acumulado, ausência de saneamento básico e infraestrutura precária, enquanto o poder público avança com nova cobrança, justamente, pela promessa de melhorar esses serviços.

“Para quem vive aqui, as coisas só pioram. E agora querem criar mais uma taxa, afastar mais ainda os turistas?”, disse uma moradora, em fala que arrancou aplausos da plateia.
A cena não passou despercebida ao pré-candidato a deputado federal Renato Araújo, que acompanhou cada fala da plateia. Conhecido pela atuação próxima às comunidades da Costa Verde e pelo histórico de enfrentamento ao abandono do poder público na região, Araújo esteve presente para ouvir e para cobrar.

Parlamentares no centro do debate
A audiência foi convocada pelo deputado estadual Jorge Felipe Neto, da Comissão de Defesa de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), e contou com a presença do deputado estadual Marcelo Dino, membro da mesma comissão.
O pré-candidato a deputado federal Renato Araújo, conhecido por sua atuação na Costa Verde, também esteve presente. Araújo foi quem mais se identificou com a indignação dos moradores e não poupou críticas à gestão municipal:

“O morador de Ilha Grande não está pedindo favor, está cobrando o que é direito. A prefeitura cria taxa, faz promessa e o povo continua vivendo no lixo, sem saneamento, sem dignidade. Enquanto não tiver uma resposta clara sobre para onde vai esse dinheiro, eu não vou recuar. Não vim fazer foto. Vim para brigar junto.”
Jorge Felipe Neto foi direto ao questionar a legalidade da cobrança e a ausência de transparência sobre o destino dos recursos:
“A prefeitura aprovou uma taxa sem consultar ninguém, sem apresentar um plano, sem garantir nada. Isso tem nome: é descaso. A Alerj vai apurar a legalidade dessa cobrança e, se for preciso, vamos derrubá-la. Ilha Grande não é caixa de arrecadação da prefeitura.”

*O sinal está claro*: mais de mil vozes que a prefeitura vai ter que ouvir
Para analistas políticos, o volume de participação indica que a insatisfação vai além da taxa e toca em uma questão estrutural de representatividade e abandono do poder público local.
A noite terminou sem respostas definitivas da prefeitura. Mas com uma certeza: Ilha Grande não está disposta a ser ignorada e tem quem a represente.

Por Ultima Hora em 15/05/2026
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